quinta-feira, 13 de março de 2025

Pais... Pensem!

Os pais realmente param para pensar?

A resposta que me vem à mente é não — porque se fizessem isso com consciência, perceberiam o impacto devastador que qualquer ato de violência, seja verbal ou física, tem sobre todos os envolvidos. Esse impacto não fica no campo; ele é levado para casa, afetando negativamente a família e criando um ciclo de tensão e instabilidade.

Os desportos juvenis desempenham um papel crucial no desenvolvimento de jovens atletas, não apenas em termos de habilidades físicas e técnicas, mas também no fomento de valores essenciais como respeito, disciplina, trabalho em equipe e resiliência.

Em Portugal, como em muitos outros países, surgiu um fenômeno preocupante: a violência nos jogos juvenis. Essa violência pode ser verbal, psicológica ou até física, envolvendo não apenas jogadores, mas também treinadores, torcedores e pais.

Esse tipo de comportamento e essas situações impactam o desempenho acadêmico e esportivo dos jovens, suas interações com a família e colegas, e até mesmo sua autoestima e confiança. Alguns podem até acabar se associando a grupos que incentivam a violência, perpetuando esse comportamento como se fosse normal. O que não é!

Quais são as raízes da violência nos desportos juvenis?

A violência nos desportos juvenis não surge do nada. Vários fatores contribuem para esse comportamento, incluindo:

1 – Pressão excessiva pelo sucesso

Muitos pais e treinadores veem os desportos juvenis como uma “prova de fogo” para o futuro dos atletas jovens, esquecendo que o objetivo principal é o aprendizado e o desenvolvimento. Essa pressão excessiva leva a um comportamento agressivo, tanto dentro quanto fora do campo.

2 – Falta de controle emocional

Os pais frequentemente projetam suas frustrações e ambições nos filhos, lutando para administrar suas emoções durante os jogos. Essa incapacidade de controlar a frustração se transforma em insultos direcionados a árbitros, treinadores e até mesmo outras crianças.

3 – Cultura de Intolerância e Competitividade Excessiva

No futebol e em outros desportos populares em Portugal, há uma cultura de rivalidade exagerada. Muitos fãs e pais acreditam que “ganhar a todo custo” é o mais importante, desvalorizando o respeito e o jogo limpo.

4 – Maus exemplos de profissionais

Quando atletas jovens veem jogadores profissionais discutindo com árbitros, fingindo faltas ou se envolvendo em conflitos em campo, eles tendem a replicar esses comportamentos.

5 – Fraqueza das Medidas de Prevenção e Punição

Apesar das campanhas de conscientização e regulamentações, a impunidade ainda existe em muitos casos de violência em desportos juvenis. A falta de ações concretas leva à normalização desses comportamentos.

Por que é importante combater a violência nos desportos juvenis?

Os efeitos dessa violência são profundos e vão muito além do que acontece no campo:

1 – Impacto psicológico em atletas jovens

O ambiente tóxico criado pela violência pode fazer com que atletas jovens percam o interesse em desportos, sintam-se ansiosos ou até mesmo abandonem os desporto completamente. Além disso, pode impactar severamente sua confiança e autoestima — dois pilares essenciais para um desenvolvimento saudável e bem-sucedido.

2 – Desenvolvimento de maus hábitos e comportamento agressivo

As crianças aprendem pelo exemplo. Se elas crescem testemunhando insultos e agressões, elas podem replicar esses comportamentos em outras áreas da vida, incluindo a escola e os relacionamentos sociais.

3 – Desvalorização dos Valores Desportivos

Os desportos devem servir como um meio de educação e inclusão. Quando a violência toma conta, valores fundamentais são esquecidos, e o verdadeiro propósito do desenvolvimento esportivo juvenil é distorcido.

Como combater a violência no desporto juvenil?

Resolver esse problema exige um esforço conjunto de clubes, federações, treinadores, pais e atletas.

Algumas soluções incluem Educação e Conscientização, Regras Mais Rígidas e Penalidades Eficazes, Apoio Psicológico, Maior Envolvimento das Escolas e Promoção do Jogo Limpo e do Respeito.

Em Portugal o PNED (2012) define a estrutura e as iniciativas que visam promover e fomentar os valores éticos inerentes à prática desportiva, como a verdade , o respeito , a responsabilidade , a amizade , a cooperação , entre muitos outros.

“Embaixadores da Ética no Desporto” são homens e mulheres que têm como missão contribuir para a prossecução dos objetivos do PNED através da promoção e prática dos valores éticos no desporto.

Um dos atuais Embaixadores é Vitor Santos , um entusiasta do futebol que escreveu numerosos artigos sobre o envolvimento dos pais no desporto. Sua dedicação ao tema o levou a escrever o livro “Educar o Sonho: Ética e Envolvimento Parental na Prática Desportiva”.

Inspirado por seu trabalho, criei este pequeno vídeo para oferecer uma perspetiva diferente e encorajar os pais, em particular, a abrir suas mentes e assumir responsabilidades. Ao desenvolver essa consciência, eles estarão mais bem equipados para mudar suas atitudes e, por sua vez, impactar positivamente a vida de seus filhos.

O Poder da Energia e da Vibração em Nossas Vidas
Nossos pensamentos e emoções influenciam diretamente nossa energia e vibração

Somos todos energia, e isso pode ser observado em nível microscópico: os átomos estão constantemente em movimento e reagem a palavras e emoções.

Quando um pai vai a um jogo e se envolve em comportamento agressivo, toda a sua energia é focada na violência. Medo, raiva, frustração — todas essas emoções se espalham pelo ambiente, afetando não apenas outros pais, mas também os jogadores, treinadores e seus próprios filhos.

Muitos desses pais, sem entender a raiz do problema, acabam se surpreendendo ao perceber que suas relações familiares estão constantemente tensas. As discussões aumentam, os conflitos com os filhos se tornam mais frequentes e o ambiente doméstico se torna um reflexo da energia negativa trazida pelos jogos.

O futebol, como outros desportos, é feito para ter um impacto positivo nos jogadores, famílias, comunidades e na sociedade como um todo. Eles servem como um canal poderoso para o crescimento e a promoção de uma cultura saudável — tanto física quanto mentalmente.

Todo esforço é valioso para quebrar o ciclo atual e abrir caminho para uma CULTURA DE FUTEBOL nova, mais forte e mais POSITIVA.





quarta-feira, 12 de março de 2025

𝐎 𝐧𝐨𝐫𝐦𝐚𝐥 𝐧ã𝐨 𝐬𝐞𝐫𝐢𝐚 𝐥𝐮𝐭𝐚𝐫 𝐜𝐨𝐧𝐭𝐫𝐚 𝐚 𝐯𝐢𝐨𝐥ê𝐧𝐜𝐢𝐚 𝐞 𝐚 𝐟𝐚𝐥𝐭𝐚 𝐝𝐞 𝐫𝐞𝐬𝐩𝐞𝐢𝐭𝐨?!

Todos concordamos que sim. Mas a verdade é que os conflitos em jogos da formação não param. São frequentes as contestações dos adultos, sem razão que as justifique. Há protestos porque o árbitro apitou, porque o árbitro não apitou, porque o adversário foi mais impetuoso num lance, porque o treinador não colocou o filho a jogar mais cedo, ou porque o tirou do jogo cedo demais, porque o colocou a jogar numa posição diferente, porque a culpa é sempre do avançado, porque o filho, sendo guarda-redes, nada poderia fazer para evitar o golo sofrido, ou porque, como avançado, não marca sem a ajuda dos colegas, porque a falta era claríssima… e por aí fora.

A agressividade que se manifesta nos gritos, nos insultos e na falta de fairplay tende a aumentar na mesma medida em que cresce a "necessidade" de vencer. No fundo, o que parece importar a muitos destes pais é ganhar, ver o seu filho marcar golos. Trata-se de uma verdadeira batalha pela vitória, ou pela rejeição da derrota, onde muitas vezes o interesse pelos filhos fica em segundo plano. São os próprios pais que, no fundo, sentem que ganham ou perdem, como se estivessem eles próprios dentro de campo. Precisam dessas vitórias como se lhes pertencessem, como se estivessem a disputar um segundo jogo, paralelo, ali mesmo nas bancadas. A questão que se impõe é: quem grita mais alto? quem se faz notar? quem conta a piada mais sarcástica? quem demonstra melhor conhecimento das regras? quem, supostamente, seria um árbitro mais competente? Ou ainda: quem insulta com mais "jeito"? É evidente que, para muitos pais, o jogo dos filhos se resume a ganhar ou perder. O filho, na visão destes adultos, é quase como o único jogador em campo, o centro de tudo o que acontece. E quando não joga, pouco importa o resultado: mesmo que a equipa ganhe, prevalece a ideia de derrota só porque o filho não jogou (ou jogou pouco).

                                
desenho de Paulo Medeiros

Ao mesmo tempo que se proclama – e bem – que a formação deve centrar-se no desenvolvimento da coordenação motora, na aprendizagem e compreensão do jogo, na evolução técnica e tática, no conhecimento das regras e no comportamento ético dentro do campo, a realidade mostra-nos outro lado. O que ouvimos com frequência é uma verdadeira batalha verbal ("são todos uns ladrões", "vai para a barraca", "parte-lhe uma perna", "vai para a tua terra, ó palhaço!") que caracteriza o "jogo" dos pais na bancada. A primeira frase agressiva dá o tom, e daí em diante é um escalar de provocações e ofensas, numa espécie de competição de quem é mais "engraçado" ou mais ofensivo. E porque ninguém se acha merecedor de correção – pois acredita que sabe tudo e que o seu comportamento não precisa de ser revisto –, esta escalada de agressividade só termina (e nem sempre) com o apito final do árbitro. Este é, sem dúvida, o desafio mais difícil de ultrapassar: ajudar estes adultos a reconhecerem a necessidade de mudar a sua postura.

Acredita-se que os pais que assistem a formações sobre ética e integridade são os que menos comportamentos insultuosos e agressivos têm na bancada. Se os adultos fossem estimulados a conhecer opiniões dos praticantes acerca dos seus comportamentos iriam ouvir: "não grites tanto", "deixa-me jogar em paz", "só me envergonhas". Ou seja, a melhor forma de lutar contra a violência e a falta de respeito dos pais no desporto de formação é eles verem-se através dos olhos dos seus filhos e perceberem o péssimo exemplo que lhes estão a dar. Pensem nisso!


terça-feira, 11 de março de 2025

𝐄𝐝𝐮𝐜𝐚𝐫 𝐨 𝐒𝐨𝐧𝐡𝐨: Ética e Envolvimento Parental na Prática Desportiva 📚⚽🏅

O desporto é uma escola de vida, onde se aprendem valores como o respeito, a resiliência e o espírito de equipa. Mas será que todos os intervenientes – pais, treinadores e dirigentes – estão realmente a contribuir para um ambiente saudável e educativo?

"Educar o Sonho" é um livro essencial para quem acredita que o desporto deve ser mais do que apenas competição. Com uma abordagem clara e prática, esta obra analisa o impacto das atitudes dos pais e treinadores no crescimento dos jovens atletas e propõe soluções para um desporto mais ético e equilibrado.
✔ Como incentivar sem pressionar?
✔ Qual o papel dos treinadores na formação humana dos atletas?
✔ Como podem os clubes e dirigentes promover uma cultura desportiva saudável?
Se te preocupas com a educação e o futuro dos jovens no desporto, este livro é para ti. Vamos juntos criar um desporto melhor!

📩 Para mais informações


«Educar o sonho: ética e envolvimento parental na prática desportiva» 
Com prefácios de José Lima (Coordenador do Plano Nacional de Ética Desportiva) e de João Luís Esteves (Doutorado em desporto e ex-jogador profissional de futebol), o livro tem ainda proémios de Júlio Garganta (Centro de Investigação, Formação, Inovação e Intervenção em Desporto da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto), de Duarte Gomes (ex-árbitro internacional e atual comentador de arbitragem) e de Rui Miguel Tovar (jornalista e comentador do programa Grandiosa Enciclopédia do Ludopédio da RTP). 
As ilustrações são de Miguel Rebelo e Paulo Medeiros.
Revisão de Alda Batista

Antes dos 14, já fora do jogo… e da infância

O futebol forma cada vez mais cedo – e descarta ainda mais depressa. Entre o investimento e a realidade, há um sistema que continua a falhar...