quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

"Bons pais"

Os teus pais fazem um esforço enorme para que possas praticar desporto: levam-te , esperam-te, trazem-te dos treinos e jogos, organizam-se para que tudo o que é necessário esteja preparado, sacrificam os seus tempos livres e sobrepõem o desporto a outras atividades familiares.

Não duvides que sem todo esse esforço, provavelmente não poderias fazer desporto de competição com a dedicação e exigência que este requer.

Portanto, é justo reconheceres e agradeceres o esforço dos teus Pais.

Não os desiludas.

#educarosonho
#ospaistambemjogam
#deixajogar
#ética
#comportamentos


sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Não é fácil ser treinador


A comunicação social tem noticiado, e as redes sociais reproduzido e amplificado, casos de treinadores de formação que têm tido comportamentos intoleráveis, ou mesmo criminosos em alguns casos. Estes casos nada têm a ver com a atividade de quem a exerce, mas sim com a falta de caráter e a má formação do indivíduo.

Servem estas notícias para refletir sobre o papel do treinador, de quem o contrata e porquê. Se o treinador não tem comportamentos adequados, são os clubes os grandes responsáveis, pois não são exigentes na sua escolha. O perfil do treinador não é considerado importante, quando o devia ser. Não chega ter formação técnica e académica para se ser formador. Até quando se vão permitir desvios comportamentais éticos e desportivos em troca de vitória efémera e, quase sempre, utilizada como vaidade pessoal?
Para que serve ter conhecimentos de teoria e metodologia de treino, de fisiologia do esforço quando não se tem perfil para lidar com crianças e jovens?! O treinador é responsável pelo equilíbrio no desenvolvimento físico, mental e espiritual dos atletas, tendo em conta que estes são os fatores fundamentais de uma perspetiva de vida equilibrada.

A falta de recursos financeiros não serve de justificação para contratar o treinador barato ou mesmo voluntário. Os custos destas opções são enormes. É preciso ter noção de que, de uma forma indireta, os treinadores são das pessoas mais influentes na orientação pessoal e educativa dos jovens com quem lidam. São-no, quer tenham ou não consciência dessa ação no sentido positivo ou negativo. Os testemunhos dos atletas confirmam a preponderância do papel do treinador que para a maioria das crianças e adolescentes é uma das pessoas com mais importante significado pessoal. É notável a forma como os atletas depositam a sua confiança nesta pessoa, com o propósito de atingirem os seus objetivos pessoais.
O treinador de formação tem de ser coerente e justo. O impacto do treinador é de tal modo importante que a sua atitude e comportamento pode ter consequências negativas ao nível do auto-conceito ou auto-estima, de forma tão intensa como, no sentido positivo, é determinante o bom treinador!

 A entrada da criança na prática desportiva é determinada por motivações banais como a influência dos pais ou por influência de um amigo/vizinho. Nesta etapa é para a criança se divertir, ter experiências no desporto e entusiasmar-se com os desafios que a modalidade proporciona. Aqui, os treinadores devem ser atenciosos, alegres, centrados no processo e não no produto, o que significa que não atribuem ao resultado do jogo o objetivo essencial.

A principal função de um treinador da formação é potenciar o atleta e não vencer mais vezes. Este desempenho tem de ser enquadrado na filosofia do clube e coordenado por quem tem essa responsabilidade para que atletas e familiares percebam desde início as tomadas de decisões.
A necessidade de demonstrar cada vez mais cedo resultados desportivos incita muitos treinadores a acelerar o processo de formação dos seus atletas, o que, mais tarde, origina barreiras de rendimento muito difíceis de superar e que normalmente estão associadas ao abandono precoce da prática desportiva.

Ser bom treinador não é algo com que se nasça, nem é algo que resulte de anos de experiência. Os treinadores devem refletir e aprender as lições na sua própria vivência desportiva, para serem cada vez melhores.
A árvore não faz a floresta. É verdade. Maus profissionais existem em todas as atividades.


sábado, 21 de setembro de 2019

O atleta mais bem pago de sempre é . . .

O atleta mais bem pago da história do desporto mundial é Caio Apuleio Diocles. Este lamecense, condutor de quadrigas que disputava corridas de bigas na Roma Antiga, acumulou em toda a sua vida desportiva uma fortuna de 35.863.120 sestércios, que equivale nos dias de hoje a cerca de 13 mil milhões de euros.
Este glorioso atleta nasceu e cresceu na antiga Lusitânia (atual Portugal), mais especificamente em Lamego, no séc. II d.C., e era tratado por Lamecus por essa razão. Já neste tempo a importância que o desporto tem na sociedade era reconhecida e, por isso, estes atletas eram muito mais bem pagos do que os próprios senadores romanos.
Nesta época, em que já existiam equipas e transferências dos atletas, o principal centro de corridas de bigas era o Circus Maximus, que tinha capacidade para 200.000 espetadores. Os cocheiros (como eram chamados os atletas) inicialmente costumavam ser escravos ou de origem pobre, mas se fossem bem-sucedidos, logo poderiam ganhar dinheiro suficiente para comprar sua liberdade e, em alguns casos, poderiam ficar muito ricos, como Caio Apuleio Diocles.

Este conterrâneo nosso, já que partilhamos o mesmo distrito, não tem o reconhecimento público que os seus feitos merecem, mas é motivo de orgulho para todos nós quando tomamos conhecimento da sua existência e da sua história. Lamecus começou a correr aos 18 anos e rapidamente chegou a Roma, onde a sua carreira logo lhe traria riqueza, fama e reconhecimento por todo o Império. Caio bateu muitos recordes de vários precursores famosos ao vencer 1.462 das 4.257 corridas que disputou. Na época foi erguida uma inscrição monumental em Roma pelos seus colegas e admiradores quando se retirou aos 42 anos, 7 meses e 23 dias, que o consagrou “campeão de todos os cocheiros”.
A corrida de bigas (uma variação da corrida de cavalos) remonta ao século VI a.C. e foi o desporto mais popular do Império Romano. Caio Apuleio Diocles, que foi o cocheiro mais bem‑sucedido da Roma Antiga, participava em corridas de bigas de seis e sete cavalos, o que pode explicar a origem da sua enorme fortuna, em detrimento das corridas com menor número de cavalos. Os cocheiros que participavam das corridas de bigas de seis e sete cavalos ganhavam muito mais dinheiro do que todos os outros.
A importância destes desportistas era reconhecida pelos imperadores romanos como ferramenta de controlo das massas, em conjunto com a distribuição gratuita de comida.
O estudo que permitiu chegar a Caio Apuleio Diocles foi realizado pelo historiador Peter Struck, da Universidade da Pensilvânia, que ao ler um estudo sobre os atletas mais bem pagos dos tempos recentes na revista Forbes decidiu investigar os séculos anteriores. O ex-basquetebolista, Michael Jordan, encabeça a lista com cerca de US $ 1,7 bilhão ganho ao longo de sua carreira, enquanto o segundo lugar da lista está o golfista Tiger Woods, com US $ 1,67 bilhão.


Desenho de Paulo Medeiros

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Para que clube vai o meu filho?!


Aproxima-se o início de uma nova época desportiva. Esta é altura que muitos pais têm de fazer a escolha das modalidade e/ou clube em que vão inscrever o seu filho.
Concentramo-nos neste texto apenas nas crianças que vão começar agora a atividade desportiva federada. E nasce o dilema para os progenitores: para que clube vai o meu filho?!
A verdade é que os pais não estão, na maior parte das vezes, preparados para serem pais de atletas. A vida vai alterar-se quando o filho entrar no desporto e muita da rotina familiar passar a ser organizada em função dos horários desportivos. É ainda de acrescentar que os fins de semana também serão condicionados pela participação do filho na competição.
Os pais têm de ter no desporto a vivência que têm na vida escolar e procurar entender a importância do desporto e o valor que se atribui à sua prática, bem como adquirir o conhecimento mínimo da modalidade.

Os clubes têm de entender e de se preparar para estas situações, pelo que devem disponibilizar toda a informação aos pais de forma rigorosa e verdadeira. Se não fizerem este tipo de trabalho, vão criar condições para que inúmeras vezes os pais se indignem e se sintam frustrados. Atualmente existe a consciência da importância de se garantir o apoio de pais bem informados. A realização de uma reunião com os pais no início de cada época, é uma ideia-chave para reduzir a possibilidade de atos desagradáveis. O tempo que se gasta na preparação e concretização desta reunião/apresentação será um bom investimento. O principal objetivo é aumentar o valor que deve ser atribuído à participação das crianças na prática desportiva do clube, para o seu desenvolvimento físico, psicológico e social.
Os pais têm o direito de ser exigentes e para isso devem informar-se sobre a filosofia do clube, os seus recursos humanos e estruturas físicas. Para ser efetiva, a comunicação tem de se basear numa troca de informações nos dois sentidos e implicar todos os intervenientes.  As conversas devem ser sempre fora dos treinos e das competições. É muito importante que saibam a quem vão entregar o filho e tenham confiança nessas entidades.



Por vezes os pais, mal informados, começam a valorizar-se a si próprios em função dos resultados que o filho consegue alcançar e transformam-se em vencedores e vencidos através da pressão exercida. As crianças não são troféus. A criança, que só quer ser feliz, pode não encontrar no espaço desportivo um ambiente saudável.
Hoje qualquer jovem pode treinar em clubes das grandes cidades que, numa aposta de marketing, têm datas para receber atletas que os pais «empurram» para o que pensam ser mais fácil para alcançar o sucesso. Hoje já se trabalha bem em quase todo o lado. Para se fazer um jogador de topo, dezenas de jovens viram as suas vidas frustradas pela aposta «cega» no desporto. Reflitam sobre isso.
Os dirigentes e treinadores têm também um papel decisivo, pois muitas vezes estão unicamente centrados no treino «profissional» e nos resultados, ignorando os aspetos principais da iniciação da prática desportiva: valorização das atitudes, ética e fair-play.
Quer as crianças ganhem ou percam, o importante é divertirem-se na competição, sendo o resultado uma mera indicação para o treinador avaliar, internamente, a evolução dos seus atletas.
Não se deve NUNCA esquecer que as crianças não são profissionais em miniatura e os adultos não os devem crucificar, como não devem criar expectativas injustas sobre a sua evolução. O caminho é longo.
Mas assistir, apoiar, incentivar, aplaudir as nossas crianças e os nossos jovens nas competições desportivas é, ainda, a melhor forma de relaxarmos e de contribuirmos para uma geração de jovens saudáveis.
Votos de uma excelente época desportiva para todos vós.


quarta-feira, 7 de agosto de 2019

(NOVO) ESTATUTO DO ESTUDANTE ATLETA

A falta de expectativas e de tempo eram dois dos principais obstáculos à continuidade da prática desportiva pelos jovens. Estudos recentes demonstram que, na adolescência, os jovens deixam de praticar desporto federado por se sentirem já cansados e, muitos deles, por verem defraudadas as suas expectativas de uma possível carreira de atleta. No caso dos jovens do interior, a certeza de que, ao irem para o ensino superior, deixam de ter condições para jogar leva a que antecipem esse abandono por volta dos 15-16 anos.
Com a criação do estatuto do estudante atleta federado, abre-se uma nova expectativa para estes jovens. A importância do desporto na formação dos estudantes do ensino superior é reconhecida por todos. Os responsáveis pela oferta educativa nesse nível de ensino vão ter de ponderar e valorizar as componentes desportivas e culturais que disponibilizam aos estudantes.
A ausência de um estatuto que defendesse os estudantes atletas complicava, e muito, a conciliação do tempo de forma a não faltar a aulas para ir a treinos ou vice-versa.
O estatuto do estudante atleta vem acabar com esse “dilema” entre estudos e desporto. Era uma antiga reivindicação da Federação do Desporto Universitário e vai ajudar os estudantes que queiram conciliar os estudos do ensino superior com o desporto.
Na prática, esta aprovação representa um alargamento de um conjunto de condições favoráveis a que os estudantes possam conciliar a atividade académica com a atividade de praticante desportivo. Alguns dos benefícios incluem o direito a alterar a data de exames ou a permissão de faltas.
Ter-se-ão, sem dúvida, perdido atletas com potencial devido às dificuldades impostas pelos horários, exames, prazos de entrega de trabalhos… Tal como milhares de atletas não completaram as respetivas licenciaturas por terem colocado a evolução desportiva à frente de tudo o resto! Ora, num mundo ideal, as duas atividades devem ser paralelas e complementares.
«O Médico que só sabe Medicina nem Medicina sabe.» Abel Salazar
Cabe agora às instituições e professores cumprir a legislação e não criar dificuldades a estes atletas. Através das instituições escolares, clubes, associações e entidades diversas, as regiões têm de disponibilizar uma oferta desportiva diversificada e de qualidade para serem competitivas.
A prática desportiva federada tem influência no desempenho profissional e que, de entre as competências adquiridas na prática desportiva, a liderança assume um papel fundamental. É certo que as competências adquiridas na prática desportiva federada, quando devidamente aplicadas em contexto laboral, são muito úteis e acrescentam valor.
O desporto pode ensinar: trabalho em equipa, força mental, objetivos partilhados, competir para resultados, plano de jogo, treino, comunicação, gestão do tempo, e avaliação de desempenho. A estas competências acrescente-se a mais importante: ética.
No momento de procurarem novos colaboradores, as empresas começam a prestar especial atenção ao curriculum desportivo, para além do académico e profissional.

«(…) o Desporto não é só uma atividade física é, sobre o mais, humana.» Manuel Sérgio.
O desporto estimula a paixão, a disciplina, a coragem, a liderança, a responsabilidade e a resiliência, como nenhuma outra atividade. Os estudantes que praticam desporto são melhores alunos e serão melhores trabalhadores e melhores seres humanos.

domingo, 7 de julho de 2019

VIII GALA DOS AFONSINHOS

Quando recebi o convite do Marcos Antunes para participar na VIII Gala da Escola de Futsal os Afonsinhos, São Martinho de Mouros, aceitei de imediato com enorme satisfação.
Receber uma distinção é uma honra e acresce uma enorme responsabilidade quando no leque dos distinguidos estão os campeões europeus Jorge Brás e Nuno Dias, a atleta Inês Fernandes, a Coach de Alta Performance Suzana Torres coach, o professor José Neto, a RTP, entre outros treinadores, aletas e dirigentes!
🙌
Estou sinceramente grato aos Afonsinhos. Parabéns pelo vosso percurso e os maiores sucessos para o futuro. Obrigado.

Antes dos 14, já fora do jogo… e da infância

O futebol forma cada vez mais cedo – e descarta ainda mais depressa. Entre o investimento e a realidade, há um sistema que continua a falhar...