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sexta-feira, 3 de setembro de 2021

O Fair-Play é um conceito positivo

 Fair-Play significa muito mais do que o simples respeitar das regras. Cobre as noções de amizade, de respeito pelo outro e de espírito desportivo, um modo de pensar e não simplesmente um comportamento. O conceito de Fair-Play, numa tradução para o português, significa jogo limpo, sendo muitas vezes entendido também como Desportivismo e Espírito Desportivo.

O conceito abrange a problemática da luta contra a batota, a arte de usar a astúcia dentro do respeito das regras, o doping, a violência (tanto física como verbal), a desigualdade de oportunidades, a comercialização excessiva e a corrupção. Compreende e incorpora também uma série de valores fundamentais que não são apenas do desporto, mas da nossa vida quotidiana. Competição justa, respeito, amizade, espírito de equipa, igualdade, respeito pelas regras escritas e não escritas, integridade, solidariedade, tolerância, etc.

Na sequência da parceria conjunta entre o Panathlon Internacional e as Organizações Mundiais e Europeias de Fair-Play (CIFP e EFPM) e por iniciativa do Panathlon Club de Wallonie (Bruxelas), comemora-se no dia 7 de setembro o Dia Mundial do Fair-Play.

“O Fair-Play é o princípio fundamental que inspira o comportamento do homem honesto no desporto e em todas as circunstâncias da vida. O Dia Mundial do Fair-Play deve ser uma oportunidade para destacá-lo”, salientou Pierre Zappelli, presidente do Panathlon Internacional.

Muitas vezes temos a sensação de que os agentes desportivos demonstram Fair-Play. Na prática não passa, na sua grande maioria, disso mesmo: sensação. Não sabem lidar com as emoções e gerir as expetativas. Refugiam-se em “mau perder” perante a sua incapacidade de lidar com a competição desportiva.

Na verdade, o futebol português é rico em estratégias que evidenciam a falta de Fair‑Play, quer na perda de tempo no jogo, quer fingindo faltas e “mergulhos”, quer fazendo ruído comunicativo e promovendo a batota ao tentar enganar o árbitro. Os principais clubes não incentivam os seus adeptos a respeitarem os valores do jogo. Muito pelo contrário. O mérito nunca é reconhecido.

Estes comportamentos repercutem-se nos jovens jogadores de futebol, que replicam as mesmas estratégias antiéticas. Quando se consegue ludibriar o árbitro, comemora-se quase como se de um golo se tratasse. Não podem os treinadores e dirigentes permitir este tipo de conduta aos atletas. Amanhã, quando formos nós a perder por uma situação idêntica, não vamos gostar e vamos sentir que o nosso trabalho – duro, mas de qualidade –, foi defraudado por uma simulação!

A falta de cultura desportiva e de Fair-Play dos adeptos não só realça as questões de violência e racismo no desporto, mas também tem impacto na sociedade. O futebol deve promover os valores intrínsecos ao desporto, tornando-se um fator de mudança positiva. Para isso, é necessário que a classe política e os dirigentes desportivos entendam que o desporto é uma atividade sociocultural que enriquece a sociedade e a amizade entre as nações, contanto que seja praticado legalmente.


O desporto é também considerado como uma atividade que, se for exercida com lealdade, permite ao indivíduo conhecer-se melhor, exprimir-se, realizar‑se, desenvolver‑se plenamente, adquirir uma arte e demonstrar as suas capacidades. O desporto permite uma interação social, é fonte de prazer e proporciona bem-estar e saúde. O desporto, com o seu vasto leque de clubes e voluntários, oferece a ocasião para o indivíduo se envolver e assumir responsabilidades na sociedade. Além disso, o envolvimento responsável em certas atividades pode contribuir para o desenvolvimento da sensibilidade para com o meio‑ambiente.

Votos de uma excelente época desportiva 2021/2022 com Fair-Play.

sexta-feira, 6 de março de 2020

Cartão branco / Fairplay


Na minha missão de Embaixador do PNED, tenho percorrido algumas escolas do 2.º ciclo e secundárias do Distrito e encontro estupefação por parte de muitos jovens quando se lhes é apresentado o Desporto – nos seus valores. Muitos, infelizmente, não são praticantes. Têm a noção de que o desporto é o que as televisões e redes sociais amplificam, sendo essa imagem quase sempre o que não tem lugar no desporto: violência, racismo, corrupção e o "vale tudo" para a minha equipa "grande" ganhar. Vivemos momentos de grande mediatização de comportamentos na prática desportiva. A verdade é que os exemplos negativos são explorados e repetidos até à exaustão, ao contrário dos positivos.

O consumidor prefere os primeiros. Felizmente temos muitos e excelentes exemplos dos segundos. São precisamente esses que o cartão branco sinaliza, promovendo o desporto no que de melhor tem na sua essência. "O Cartão Branco é um recurso pedagógico que visa enaltecer condutas eticamente corretas, praticadas por atletas, treinadores, dirigentes, público e outros agentes desportivos". É um motivo de orgulho e motivação para quem o recebe e para quem está na génese dessas boas atitudes.
O cartão branco é fairplay. "A sua exibição junto dos escalões de formação é especialmente importante para o reforço de competências, a nível do desenvolvimento pessoal e social, contribuindo para a assimilação e difusão de valores. No entanto, os Cartões Brancos podem ser alvo de mostragem em qualquer escalão/categoria, já que constituem também um estímulo e uma referência para os próprios, mas também para os restantes envolvidos na modalidade".
"Serve como uma forma que o árbitro tem de valorizar aquilo que são os bons comportamentos e os valores positivos do desporto", referiu o ex-árbitro internacional João Capela, que é um dos principais promotores desta iniciativa.

Queremos, todos, ver mais cartões brancos a serem mostrados. Queremos envolver as famílias no desporto com comportamentos responsáveis e ver atletas e treinadores (essencialmente) a terem atitudes de orgulho para com os seus. Para qualquer pai ou mãe é o maior motivo de regozijo o seu filho ter um comportamento ético e exemplar. 

Os valores éticos constituem-se, cada vez mais, como uma preocupação de grande importância. Temos de divulgar e promover as boas práticas adotando novas medidas junto dos mais jovens. O desporto é um poderoso instrumento de combate às desigualdades sociais. É possível competir com ética. Muitos já nos estão a ensinar isso.

A importância destes cartões brancos, vendo o desporto como uma escola de valores, é tentar educar também quem está fora do campo. É educar quem está a ver o jogo.
Esperemos que a comunicação social seja, enquanto órgão de informação pertinente e rigoroso, um veículo de transmissão destas ações e, consequentemente, destes valores.

Antes dos 14, já fora do jogo… e da infância

O futebol forma cada vez mais cedo – e descarta ainda mais depressa. Entre o investimento e a realidade, há um sistema que continua a falhar...