segunda-feira, 6 de abril de 2020

Dia Internacional do Desporto ao Serviço do Desenvolvimento e da Paz


Dia Internacional do Desporto ao Serviço do Desenvolvimento e da Paz celebra-se a 6 de abril
A Assembleia-Geral da ONU festeja o Dia Internacional do Desporto ao Serviço do Desenvolvimento e da Paz todos os anos. A data foi instituída pela ONU em agosto de 2013. Foi escolhido o dia 6 de abril já que foi neste dia se iniciou a primeira edição dos Jogos Olímpicos da era moderna, em Atenas, em 1896. Em 2014 celebrou-se pela primeira vez o Dia Internacional do Desporto ao Serviço do Desenvolvimento e da Paz. Este dia é um complemento ao Dia Olímpico.

Depois da Segunda Guerra mundial, os países europeus chegaram à conclusão de que, no seu próprio interesse, era necessário evitar futuros conflitos e preservar a paz, através de uma ação comum. Esta evolução no sentido de cooperação esteve na origem da primeira Comunidade Europeia, em 1952, e da criação de uma televisão – União Europeia de Radiofusão. Paralelamente a estes primeiros passos no sentido da integração europeia a nível político, surgiram as primeiras competições desportivas europeias. O desporto foi entendido como uma ferramenta basilar na construção de uma nova Europa. A UEFA foi fundada em 1954, e com ela as primeiras competições entre clubes europeus. Em 1955 o jornal francês L´Équipe sugere um Campeonato Europeu.

Existe uma frase marcante de Nélson Mandela que sintetiza na perfeição o âmbito desta data: “o desporto pode criar esperança onde antes havia desespero; é mais poderoso que o governo em quebrar barreiras sociais; o desporto tem o poder de mudar o mundo”. Koffi Anan, ex – Secretário-geral da ONU reforçou essa importância escrevendo que “O desporto é uma linguagem universal que pode aproximar povos quaisquer que sejam as suas origens, passado, crenças religiosas ou condições económicas.” 

O preâmbulo do regulamento da Organização Internacional para a Paz pelo Desporto – A Paz e Desporto – fundada em 2007 pelo campeão mundial do Pentatlo Moderno, o francês Joel Bouzou, o conceito da paz sustentável implica não só a ausência de guerra, mas também a criação de uma estrutura social imbuída de valores que contribuam para a manutenção da paz- trabalho em equipa, fair play, disciplina, confiança mútua, diálogo, fraternidade. 

Ainda em 2011, no estudo “Desporto, poder e relações internacionais” o académico brasileiro Wanderley de Vasconcelos parte da premissa de que “o desporto favorece e fortalece os vínculos de aproximação dos povos e a comunhão de afinidades, que conduzem à conquista de simpatias, passando estas para as instâncias governamentais ou, melhor, dos estados”.  
Não existem dúvidas que o desporto é um “produto e um processo gerador de educação, de cultura, de lazer e de economia, no quadro da organização social dos países”. A relação entre Desporto e Paz é amplamente reconhecida. 
Infelizmente, e citando Manuel Sérgio: “o desporto sofre hoje uma ameaça terrível, que se dirige à sua própria essência. E essa ameaça vem não só da «sociedade do espetáculo», que é a nossa e que origina a «civilização do homem sentado», mas também dos poderes que o submetem ao lucro selvagem e globalizado, ou então o toleram vigiado, instrumentalizado.”  Triste sinal o deste desporto que aplaude a mediocridade, em nome da eficácia, que sacrifica os valores mais puros nos altares do êxito.
O desporto – não a clubite, com a cultura são os instrumentos de todos aqueles que lutam por um mundo novo: com paz e desenvolvido. Parte integrante do nosso património cultural, o desporto foi sempre um meio privilegiado para estabelecer laços entre os povos, para além das barreiras linguísticas e dos estereótipos nacionais. Num Mundo em mutação, o desporto constitui um admirável fator de integração, capaz de abolir inúmeras barreiras. Este facto justifica amplamente o importante lugar que o desporto ocupa.
Nos dias de hoje o desporto tem, provavelmente, o seu maior desafio. O desporto tem em si um conjunto de qualidades e valores que nos vão ajudar na ressocialização e a vencer este “inimigo”.


sexta-feira, 6 de março de 2020

Cartão branco / Fairplay


Na minha missão de Embaixador do PNED, tenho percorrido algumas escolas do 2.º ciclo e secundárias do Distrito e encontro estupefação por parte de muitos jovens quando se lhes é apresentado o Desporto – nos seus valores. Muitos, infelizmente, não são praticantes. Têm a noção de que o desporto é o que as televisões e redes sociais amplificam, sendo essa imagem quase sempre o que não tem lugar no desporto: violência, racismo, corrupção e o "vale tudo" para a minha equipa "grande" ganhar. Vivemos momentos de grande mediatização de comportamentos na prática desportiva. A verdade é que os exemplos negativos são explorados e repetidos até à exaustão, ao contrário dos positivos.

O consumidor prefere os primeiros. Felizmente temos muitos e excelentes exemplos dos segundos. São precisamente esses que o cartão branco sinaliza, promovendo o desporto no que de melhor tem na sua essência. "O Cartão Branco é um recurso pedagógico que visa enaltecer condutas eticamente corretas, praticadas por atletas, treinadores, dirigentes, público e outros agentes desportivos". É um motivo de orgulho e motivação para quem o recebe e para quem está na génese dessas boas atitudes.
O cartão branco é fairplay. "A sua exibição junto dos escalões de formação é especialmente importante para o reforço de competências, a nível do desenvolvimento pessoal e social, contribuindo para a assimilação e difusão de valores. No entanto, os Cartões Brancos podem ser alvo de mostragem em qualquer escalão/categoria, já que constituem também um estímulo e uma referência para os próprios, mas também para os restantes envolvidos na modalidade".
"Serve como uma forma que o árbitro tem de valorizar aquilo que são os bons comportamentos e os valores positivos do desporto", referiu o ex-árbitro internacional João Capela, que é um dos principais promotores desta iniciativa.

Queremos, todos, ver mais cartões brancos a serem mostrados. Queremos envolver as famílias no desporto com comportamentos responsáveis e ver atletas e treinadores (essencialmente) a terem atitudes de orgulho para com os seus. Para qualquer pai ou mãe é o maior motivo de regozijo o seu filho ter um comportamento ético e exemplar. 

Os valores éticos constituem-se, cada vez mais, como uma preocupação de grande importância. Temos de divulgar e promover as boas práticas adotando novas medidas junto dos mais jovens. O desporto é um poderoso instrumento de combate às desigualdades sociais. É possível competir com ética. Muitos já nos estão a ensinar isso.

A importância destes cartões brancos, vendo o desporto como uma escola de valores, é tentar educar também quem está fora do campo. É educar quem está a ver o jogo.
Esperemos que a comunicação social seja, enquanto órgão de informação pertinente e rigoroso, um veículo de transmissão destas ações e, consequentemente, destes valores.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Agressões e insultos racistas em jogos de iniciados!

A fase final do campeonato distrital de futebol de formação no Distrito já está marcada por incidentes graves.
O jogo entre o Molelos e o Académico de Viseu, do campeonato de iniciados, ficou marcado por insultos racistas, invasão de campo e agressões, levando à ação da GNR. No jogo dos Cracks de Lamego com Os Repesenses, para este mesmo campeonato, a violência levou a uma intervenção "musculada" da Polícia.
Em Armamar, a equipa de iniciados de futsal da Casa do Benfica de Viseu abandonou, antes do final, o jogo por falta de segurança.

Volta e meia somos confrontados com estas situações, algumas delas protagonizadas por pais, treinadores e outros agentes desportivos.

Cabe aos clubes protegerem os atletas, crianças e jovens, reportando todos estes casos às Autoridades e Entidades responsáveis. Não se pode relevar qualquer tipo de violência ou racismo! A verdade é que a Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto, a Associação de Futebol de Viseu e as Forças de Segurança estão atuantes, mas para isso temos de lhes fazer chegar os acontecimentos. Só assim poderão intervir. Também exigimos que, depois, as punições sejam publicitadas, para que não exista a sensação, ainda mais, de impunidade e sirvam de exemplo para potenciais agressores.

Os Municípios, nos seus contratos-programas, já preveem o corte de subsídios a clubes cujos agentes e/ou adeptos tenham um comportamento desviante no desporto.  Temos de investir em mais ações pedagógicas.
Não aceitar a agressão e ter coragem de denunciar são dois dos requisitos a cumprir para travar a violência no desporto. Dependem muito de todos os agentes desportivos e, em especial, dos árbitros, que têm de denunciar todos os casos. Esta foi, aliás, uma das conclusões do congresso sobre a violência do Comité Olímpico Português que decorreu esta semana.

Todos somos responsáveis se presenciarmos estas situações e não as reportarmos. Os adultos não podem ser maus exemplos. Não podem levar as suas frustrações para os jogos dos filhos, nem podem compactuar com situações de violência causadas por outros. Crianças de 14 anos agredidas e insultadas no desporto são realidades inconcebíveis e criminosas.

Também os clubes não podem ter medo ou preservar a sua imagem assobiando para o lado. É preciso uma intervenção imediata e eficaz da sua parte sempre que ocorram situações como estas.
Adultos, urge defender os direitos das crianças e dos jovens. Deixem-nos jogar e cumpram o vosso papel: protegê-los!



Ilustração de Miguel Rebelo

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

"Bons pais"

Os teus pais fazem um esforço enorme para que possas praticar desporto: levam-te , esperam-te, trazem-te dos treinos e jogos, organizam-se para que tudo o que é necessário esteja preparado, sacrificam os seus tempos livres e sobrepõem o desporto a outras atividades familiares.

Não duvides que sem todo esse esforço, provavelmente não poderias fazer desporto de competição com a dedicação e exigência que este requer.

Portanto, é justo reconheceres e agradeceres o esforço dos teus Pais.

Não os desiludas.

#educarosonho
#ospaistambemjogam
#deixajogar
#ética
#comportamentos


sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Não é fácil ser treinador


A comunicação social tem noticiado, e as redes sociais reproduzido e amplificado, casos de treinadores de formação que têm tido comportamentos intoleráveis, ou mesmo criminosos em alguns casos. Estes casos nada têm a ver com a atividade de quem a exerce, mas sim com a falta de caráter e a má formação do indivíduo.

Servem estas notícias para refletir sobre o papel do treinador, de quem o contrata e porquê. Se o treinador não tem comportamentos adequados, são os clubes os grandes responsáveis, pois não são exigentes na sua escolha. O perfil do treinador não é considerado importante, quando o devia ser. Não chega ter formação técnica e académica para se ser formador. Até quando se vão permitir desvios comportamentais éticos e desportivos em troca de vitória efémera e, quase sempre, utilizada como vaidade pessoal?
Para que serve ter conhecimentos de teoria e metodologia de treino, de fisiologia do esforço quando não se tem perfil para lidar com crianças e jovens?! O treinador é responsável pelo equilíbrio no desenvolvimento físico, mental e espiritual dos atletas, tendo em conta que estes são os fatores fundamentais de uma perspetiva de vida equilibrada.

A falta de recursos financeiros não serve de justificação para contratar o treinador barato ou mesmo voluntário. Os custos destas opções são enormes. É preciso ter noção de que, de uma forma indireta, os treinadores são das pessoas mais influentes na orientação pessoal e educativa dos jovens com quem lidam. São-no, quer tenham ou não consciência dessa ação no sentido positivo ou negativo. Os testemunhos dos atletas confirmam a preponderância do papel do treinador que para a maioria das crianças e adolescentes é uma das pessoas com mais importante significado pessoal. É notável a forma como os atletas depositam a sua confiança nesta pessoa, com o propósito de atingirem os seus objetivos pessoais.
O treinador de formação tem de ser coerente e justo. O impacto do treinador é de tal modo importante que a sua atitude e comportamento pode ter consequências negativas ao nível do auto-conceito ou auto-estima, de forma tão intensa como, no sentido positivo, é determinante o bom treinador!

 A entrada da criança na prática desportiva é determinada por motivações banais como a influência dos pais ou por influência de um amigo/vizinho. Nesta etapa é para a criança se divertir, ter experiências no desporto e entusiasmar-se com os desafios que a modalidade proporciona. Aqui, os treinadores devem ser atenciosos, alegres, centrados no processo e não no produto, o que significa que não atribuem ao resultado do jogo o objetivo essencial.

A principal função de um treinador da formação é potenciar o atleta e não vencer mais vezes. Este desempenho tem de ser enquadrado na filosofia do clube e coordenado por quem tem essa responsabilidade para que atletas e familiares percebam desde início as tomadas de decisões.
A necessidade de demonstrar cada vez mais cedo resultados desportivos incita muitos treinadores a acelerar o processo de formação dos seus atletas, o que, mais tarde, origina barreiras de rendimento muito difíceis de superar e que normalmente estão associadas ao abandono precoce da prática desportiva.

Ser bom treinador não é algo com que se nasça, nem é algo que resulte de anos de experiência. Os treinadores devem refletir e aprender as lições na sua própria vivência desportiva, para serem cada vez melhores.
A árvore não faz a floresta. É verdade. Maus profissionais existem em todas as atividades.


sábado, 21 de setembro de 2019

O atleta mais bem pago de sempre é . . .

O atleta mais bem pago da história do desporto mundial é Caio Apuleio Diocles. Este lamecense, condutor de quadrigas que disputava corridas de bigas na Roma Antiga, acumulou em toda a sua vida desportiva uma fortuna de 35.863.120 sestércios, que equivale nos dias de hoje a cerca de 13 mil milhões de euros.
Este glorioso atleta nasceu e cresceu na antiga Lusitânia (atual Portugal), mais especificamente em Lamego, no séc. II d.C., e era tratado por Lamecus por essa razão. Já neste tempo a importância que o desporto tem na sociedade era reconhecida e, por isso, estes atletas eram muito mais bem pagos do que os próprios senadores romanos.
Nesta época, em que já existiam equipas e transferências dos atletas, o principal centro de corridas de bigas era o Circus Maximus, que tinha capacidade para 200.000 espetadores. Os cocheiros (como eram chamados os atletas) inicialmente costumavam ser escravos ou de origem pobre, mas se fossem bem-sucedidos, logo poderiam ganhar dinheiro suficiente para comprar sua liberdade e, em alguns casos, poderiam ficar muito ricos, como Caio Apuleio Diocles.

Este conterrâneo nosso, já que partilhamos o mesmo distrito, não tem o reconhecimento público que os seus feitos merecem, mas é motivo de orgulho para todos nós quando tomamos conhecimento da sua existência e da sua história. Lamecus começou a correr aos 18 anos e rapidamente chegou a Roma, onde a sua carreira logo lhe traria riqueza, fama e reconhecimento por todo o Império. Caio bateu muitos recordes de vários precursores famosos ao vencer 1.462 das 4.257 corridas que disputou. Na época foi erguida uma inscrição monumental em Roma pelos seus colegas e admiradores quando se retirou aos 42 anos, 7 meses e 23 dias, que o consagrou “campeão de todos os cocheiros”.
A corrida de bigas (uma variação da corrida de cavalos) remonta ao século VI a.C. e foi o desporto mais popular do Império Romano. Caio Apuleio Diocles, que foi o cocheiro mais bem‑sucedido da Roma Antiga, participava em corridas de bigas de seis e sete cavalos, o que pode explicar a origem da sua enorme fortuna, em detrimento das corridas com menor número de cavalos. Os cocheiros que participavam das corridas de bigas de seis e sete cavalos ganhavam muito mais dinheiro do que todos os outros.
A importância destes desportistas era reconhecida pelos imperadores romanos como ferramenta de controlo das massas, em conjunto com a distribuição gratuita de comida.
O estudo que permitiu chegar a Caio Apuleio Diocles foi realizado pelo historiador Peter Struck, da Universidade da Pensilvânia, que ao ler um estudo sobre os atletas mais bem pagos dos tempos recentes na revista Forbes decidiu investigar os séculos anteriores. O ex-basquetebolista, Michael Jordan, encabeça a lista com cerca de US $ 1,7 bilhão ganho ao longo de sua carreira, enquanto o segundo lugar da lista está o golfista Tiger Woods, com US $ 1,67 bilhão.


Desenho de Paulo Medeiros

Antes dos 14, já fora do jogo… e da infância

O futebol forma cada vez mais cedo – e descarta ainda mais depressa. Entre o investimento e a realidade, há um sistema que continua a falhar...