quarta-feira, 7 de julho de 2021

Treinador saber ser e estar

 Ainda no mês passado assistimos a mais um momento de violência protagonizado por um treinador sobre o elemento que arbitrava o jogo entre crianças de 11 anos.

Quando pensamos que estes casos já são do passado, existe sempre quem nos recorde que ainda temos muito trabalho a fazer. A época desportiva que agora termina também nos deu indicações, muitas mesmas, de maus comportamentos de treinadores.

Começamos pelo ser treinador. Não é quem quer. Quem paga para ser. É preciso ter talento, ser-se líder e completar com formação. Hoje está quase tudo ao contrário. Não se pode fazer desta formação só uma fonte de receita. Quando não damos relevância aos comportamentos, à ética desportiva, à gestão emocional e ao exemplo, não estamos a formar, mas a vender conhecimento técnico.

Faço desde já uma declaração de interesse: sou acérrimo defensor da formação. O treinador tem de ter competências a vários níveis para o desempenho da função. Deve comprometer-se a fazer toda a formação exigida sem interrupção. Ao não cumprir com este requisito, aí sim ficaria impedido de exercer qualquer função, de forma a não se socorrer de artimanhas para continuar a poder orientar a equipa.

Não sou corporativista e muito menos fundamentalista. É exigida muita formação na área técnica, da qual temos excelentes exemplos em conceção e metodologias de treino, mas poucos "falam com o jogo" como refere o Mister Toni. É o mais importante para se ser treinador. O jogo. Perceber o jogo. Mexer com o jogo. As outras competências adquirem-se e, em muitos casos, complementam-se com elementos, formando excelentes equipas técnicas multidisciplinares.

"Quando deixei de jogar disseram-me que eu tinha de estudar quatro anos para poder ser treinador. Disse-lhes que estavam loucos." Johan Cruyff

A independência também é muito importante. Mas é uma outra história. A sobrevivência no "emprego" por vezes não o permite.

Na formação temos de ser ainda muito mais exigentes com o perfil do treinador que vai ser responsável pelos "nossos" jovens e crianças. Faz todo o sentido que a exigência de formação a quem trabalha com crianças e jovens seja obrigatória, mas em que os módulos da ética e dos comportamentos sejam tão ou mais relevantes que o da técnica. Educar através do desporto e para o desporto é a prioridade. 

O comportamento do treinador é vital no desenrolar de um jogo. A forma como os dois treinadores adversários se respeitam antes, durante e no fim do jogo podem fazer, e fazem, toda a diferença. São comportamentos positivos dissuasores de potenciais conflitos. O desporto é uma atividade neutra. Consideremos o desporto uma ferramenta e a forma como a utilizamos é que vai fazer a diferença. Pode ser utilizada positivamente ou negativamente.

O "saber estar" tem de ser uma atitude na atividade de Ser treinador e ganha uma relevância decisiva a partir do momento em que o treinador entende que, para ser um líder motivador, tem de respeitar o direito dos outros e estar com os outros segundo uma perspetiva de valorização e personalização dos seus colegas adversários. É uma atitude que vai sendo enriquecida, na medida em que o treinador passa a entender o "papel da comunicação" com todos os elementos que partilham, ao mesmo tempo, as atividades desportivas.

Saber ser treinador também não é um saber que se possui quando se termina a carreira de atleta, quando se faz o transfer de qualquer lugar do público ou da universidade para o cargo. Quem pensa que treinador sai de laboratório também não percebe do jogo. Muitos treinadores com níveis de formação elevados nem clube têm!

O treinador tem a obrigação ética de respeitar todos os que participam nas atividades desportivas, no exercício de funções que lhes são próprias. É isto a que temos assistido no futebol profissional?! A formação exigente e onerosa de nível superior não se interessa pelos valores do desporto?! Muitas contradições levam a que se extremem posições e não se defina de vez uma "carreira" sensata.

Desporto e cultura são atividades diferenciadas das outras. Não é maestro quem quer. O talento tem de estar presente. Muitos confundem talento com vocação.

quinta-feira, 13 de maio de 2021

"Desporto com Ética" 2019 e 2020

Quando os valores são a bússola, não se falha nunca.

Realizou-se em Leiria, depois de adiamento devido à situação pandémica, a cerimónia de entrega dos Prémios Imprensa "Desporto com Ética" 2019 e 2020, organizado pelo PNED e CNID.
É com orgulho que partilho convosco este momento. Não foi mais um.
Subir ao palco duas vezes para receber o 1ºPrémio Ética/2019 e a Menção Honrosa Ética/2020 não podem ser coincidências. É fruto de um trabalho de anos e de convicções de que vale a pena continuar a partilhar valores com os quais me identifico cada vez mais.
Obrigado a todos vós pelos incentivos e felicitações a todos os outros contemplados.
Foto: PNED/CNID











terça-feira, 4 de maio de 2021

Capitão de equipa

            No desporto atual tem-se discutido muito o perfil dos treinadores, dirigentes, árbitros e atletas. No entanto, tem-se esquecido o cargo do capitão de equipa.

Capitão de equipa é uma função muito importante e a escolha deve ser bastante criteriosa e cuidada. Deverá assentar sobre comportamentos sociais e valores, não sendo o rendimento desportivo uma característica essencial para o cargo nos desportos coletivos.

Na iniciação ao desporto, até determinada idade, a braçadeira de capitão deve rodar entre todos os atletas, para que todos aprendam a dialogar com os árbitros, a saberem escolher o lado do campo ou a bola, a sentirem-se iguais aos colegas, a fazer o «grito», etc. Esta estratégia permite que todos ganhem experiência e sintam a responsabilidade do cargo. A utilização da braçadeira em jogo, nestes escalões, não significa que a equipa não tenha capitães definidos.

Ser capitão não é apenas uma formalidade. Os capitães são atletas que lideram a equipa e que, para além de merecerem a confiança do treinador, são frequentemente consultados sobres os principais assuntos que envolvem o dia-a-dia da equipa.

A questão da escolha do(s) atleta(s) que exercem as funções de capitão de equipa é de vital importância no sucesso desportivo. No desporto sénior, muitas vezes o capitão é escolhido, ainda, segundo algumas tradições: o jogador com mais idade, o mais antigo, o mais internacional, o «génio», etc. Todas estas opções são aceitáveis, desde que se cumpra o principal objetivo – o sucesso da equipa – no qual o capitão só por si tem de constituir uma mais-valia. É aconselhável que seja a equipa técnica a escolher o capitão, uma vez que esta tem a responsabilidade da gestão da equipa e é conhecedora das características pessoais e em competição de cada elemento do grupo.

A função de capitão de equipa é cada vez mais relevante. Hoje existe um grupo de capitães que devem ter incutidos e incutir valores desportivos, éticos e de conhecimento do clube que permitam aos atletas desfrutarem da modalidade e serem conhecedores de todo o contexto que os rodeia. A integração de novos atletas passa muito por esta função que os capitães devem ter. No alto rendimento é muito visível o papel do capitão e o seu exemplo. Ele é o primeiro a ter de saber ser e estar no desporto. É o exemplo para todos os colegas e o elo de ligação entre todos, bem como entre a equipa e os demais elementos do grupo de trabalho. Não pode nunca ser um porta‑voz do fanatismo dos adeptos ou destilar ódio ao adversário, correndo o risco de se autodestruir enquanto atleta e como pessoa.

O seu carácter assume também aqui um papel fulcral. É no seu íntimo que começa o verdadeiro capitão. Tem de ser uma personalidade de grande atitude positiva. Que dirige e lidera com naturalidade. Não se ensina a ser capitão. Aprende-se a ser alicerçado em valores intrínsecos e de personalidade. Um capitão de equipa é um líder.

São muitas as funções de capitão de equipa. Mas é em competição que é mais visível o exercício do cargo e hoje, com a falta de público nos jogos e as imagens mais centradas no terreno do jogo e no pós‑jogo, constata-se que as escolhas nem sempre são as melhores. 

Este é mais um assunto em que o futebol tem muito a aprender com as outras modalidades.

Carlos Puyol é provavelmente um dos maiores exemplos do que é ser capitão. As imagens da sua atuação durante os jogos deviam ser obrigatória e repetidamente vistas por todos os atletas da formação. Para que percebam que, não sendo o «génio» do Barcelona, era o líder a quem todos respeitavam por também ser respeitador e saber-se fazer respeitar.

 João Basto (Académico de Viseu) e Eduardito (Sport Viseu e Benfica) são as minhas referências de capitão de equipa.






Fairplay

Em 2003, no jogo da Dinamarca contra o Irão, o atleta iraniano, quase no final do segundo tempo, confundiu um apito vindo das bancadas com o do árbitro e agarrou a bola com a mão.

- O árbitro assinalou penalti.
- A Dinamarca perdia 1 x 0.
O jogador Morten Wieghorst foi conversar com o seu treinador Morten Olsen, e rematou para fora.
- A Dinamarca perdeu 1 x 0.
Há muito a aprender com essa história.
(Morten Wieghorst foi nomeado Jogador dinamarquês do ano em 2003 e recebeu o prémio de fair play do Comité Olímpico de 2003 por ter falhado este penalti propositadamente.



Atualmente a Dinamarca é considerado o país menos corrupto do mundo e goza com uma das melhores qualidade de vida que existe do mundo)

segunda-feira, 26 de abril de 2021

Dia Mundial do Livro: Promover sonhos

O prazer de ler um livro que nos motiva, que nos «agarra», perdurará no tempo e ficará sempre como um dos livros da nossa vida. São poucos os objetos que transportamos ao longo da vida. Os livros acompanhar-nos-ão sempre.

A 23 de abril celebra-se o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, dia ideal para ler e/ou partilhar um livro com outras pessoas e para conhecer novos livros pelos quais se pode apaixonar.

A UNESCO instituiu em 1995 este dia e a data foi escolhida por ser um dia importante para a literatura mundial – foi a 23 de abril de 1616 que faleceu Miguel de Cervantes e a 23 de abril de 1899 que nasceu Vladimir Nabokov. O dia 23 de abril é também recordado como o dia em que nasceu e morreu o famoso escritor inglês William Shakespeare.

O Direito de Autor é um direito de cultura, e do seu respeito depende a sobrevivência desta. É um dos Direitos do Homem, como tal proclamado na respetiva Declaração Universal dos Direitos Humanos, é fundamental para estimular e favorecer a atividade criadora dos homens, permitir a difusão de ideias e facilitar o acesso do público em geral às obras intelectuais.

Encontrar o livro certo, no momento certo, para a pessoa certa, é um momento para toda a vida e inesquecível. É o mais importante da leitura. Mesmo no mundo de hoje, informatizado, invadido por imagens, a leitura é insubstituível e os outros suportes apenas a podem completar.

O prazer de ler um livro que nos motiva, que nos «agarra», perdurará no tempo e ficará sempre como um dos livros da nossa vida. São poucos os objetos que transportamos ao longo da vida. Os livros acompanhar-nos-ão sempre.

Portugal é um país onde se lê pouco e em que o hábito de ler deve ser estimulado na infância, para que se aprenda desde pequeno que ler é algo importante e prazeroso, assim ele será um adulto culto, dinâmico e perspicaz. Não se pode deixar de dar razão a António Lobo Antunes que referiu em 2003: “A cultura assusta muito. Um povo que lê nunca será um povo de escravos.”

A leitura é algo crucial para a aprendizagem do ser humano, pois é através dela que podemos obter conhecimento, dinamizar o raciocínio, enriquecer nosso vocabulário, e a interpretação. Não ter paciência para ler um livro, isso acontece por falta de hábito, pois se a leitura fosse um hábito as pessoas saberiam apreciar um bom livro, uma boa história.

Na nossa sociedade, ler, tem uma função primordial de despertar e proporcionar conhecimentos básicos que venham contribuir para construção integral da vida em sociedade e para o exercício da cidadania.

Milan Kundera em «A insustentável leveza do ser» escreveu: “gostava de passear na rua com livros debaixo do braço. Eram para ela o que a elegante bengala era para um dândi do século passado. Eles a distinguiam das outras”.

Ao longo da história da humanidade, o hábito de ler representa um sinal distintivo, de dignidade e saber.Hoje (23 de abril) é oportuno perguntar: Que livros leram?! Que livros vão ler?!

A leitura, para a minha geração, começou na banda desenhada (para termos acesso a uma maior quantidade de livros e como não tínhamos dinheiro para os comprar, íamos trocá-los a quiosques), e pelos clássicos infanto-juvenis como “As aventuras dos sete”, “O principezinho”, “O meu pé de laranja lima”, “1001 léguas submarinas” e diversas coletâneas de histórias.

É na adolescência – uma extraordinária etapa na vida de todas as pessoas, que a pessoa descobre a sua identidade e define a sua personalidade e onde os livros que lemos são um importante meio de transmissão de cultura e informação, e elemento fundamental nesse processo. Recordo, entre muitos, a leitura de “Os filhos da droga” Christiane F, “Capitães de Areia” de Jorge Amado, “1984” de George Orwell, “O nome da Rosa” de Umberto Eco, “O Diário de Anne Frank” de Anne Frank, “A insustentável leveza do ser” de Milan Jundera.

São várias as coleções que estimo e autores como Fernando Pessoa, Aquilino Ribeiro, Alberto Moravia, Miguel Esteves Cardoso, Vergílio Ferreira são obrigatórios na «minha» biblioteca.

O livro “Quem alinha? Desporto com valores” (edição da Afrontamento em parceria com o PNED/IPDJ) é um livro que vos recomendo. Ilustrado por Dina Sachse e textos de António Mota, José Jorge Letria, José Fanha, Sandra Torres entre outros. O “Ronaldo da natação” ou a “Bola adormecida” são contos que se encontram neste livro e que são deliciosos.

Um livro de contos sobre a importância dos valores no desporto, como a cooperação, amizade, respeito, verdade, perseverança, entre outros. Não podia ser melhor para a época que vivemos

Educar o sonho: ética e envolvimento parental na prática desportiva” é o título do livro de Vítor Santos. Com prefácios de José Lima (Coordenador do Plano Nacional de Ética Desportiva) e de João Luís Esteves (Doutorado em desporto e ex-jogador profissional de futebol) o livro tem ainda a proémios de Júlio Garganta (Centro de Investigação, Formação, Inovação e Intervenção em Desporto da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto), de Duarte Gomes (ex-árbitro internacional e atual comentador de arbitragem) e de Rui Miguel Tovar (jornalista e comentador do programa Grandiosa Enciclopédia do Ludopédio da RTP) o livro tem a chancela da Chiado Editora.

Trata-se de uma seleção de artigos publicados em vários Órgãos de Comunicação Social, entre os quais o nosso jornal, e revistos para esta edição. O tema da ética e do envolvimento parental na prática desportiva dos filhos são a base deste livro que aborda ainda temas do impacto do despovoamento do interior no desporto, arbitragem, homenagem a João Manuel, profissional de futebol já falecido, entre outros. O livro contém ainda um caderno pedagógico sobre a participação dos pais na prática desportiva.

Vítor Santos, nasceu em Viseu em 1967, foi praticante desportivo em várias modalidades e treinador de futebol de formação, concilia assim a prática desportiva com a escrita e propõe-nos neste livro várias reflexões desde comportamentos e valores do desporto até à importância do desporto na sociedade. Atualmente tem realizado comunicações no âmbito da ética desportiva no país e estrangeiro.

Nos prefácios, José Lima escreve “Preocupado com a situação atual do desporto de formação e crítico com o futebol profissional, Vítor Santos leva-nos para uma reflexão provocadora do triângulo do desporto de formação: o atleta, os pais e o clube/treinador” e que “O autor, por outro lado, deixa um manifesto, de certa forma político, ao abordar a desertificação do interior e a falta de recursos como aspetos limitativos do desenvolvimento desportivo no interior”.

Para Duarte Gomes “O Vítor Santos escreveu uma obra deliciosa sobre o papel dos pais no envolvimento desportivo dos seus filhos. Trata-se de um livro especial, escrito por quem se dedicou, de corpo e alma, a um tema tão importante quanto sensível. De leitura obrigatória para todos os que, como nós, privilegiam os valores e a ética no desporto. Por sua vez João Luís Esteves refere “Importa referir que o livro não se limita a tocar em aspetos menos positivos do comportamento de Pais e Treinadores, ele promove, concomitantemente, a profilaxia destes comportamentos acendendo luzes orientadoras para este difícil processo de formação através do Desporto”, rematando com “Estamos, assim, perante uma obra de leitura obrigatória para todos os que intervêm, direta ou indiretamente, no processo de formação de futuros Homens através do Desporto”. 

Júlio Garganta no seu proémio afirma “Crianças e jovens, quando chegam para que os ajudemos a ser melhores, trazem consigo sonhos. Esses sonhos correm o risco de se transformarem em deceções e frustrações, quando não são devidamente enquadrados ou, como diz o Vítor Santos neste livro, educados”.

quinta-feira, 15 de abril de 2021

Prémio “Desporto com Ética/2020”

 


É com enorme satisfação que partilho convosco a atribuição de uma menção honrosa com o texto "O papel dos pais na vida desportiva dos filhos", atribuída pelo PNED (Plano Nacional de Ética no Desporto) em parceria com o CNID (Clube Nacional de Imprensa Desportiva) / Associação dos Jornalistas de Desporto.

Ética no Desporto continua a ser motivadora.
Obrigado a todos vós pela força que me transmitem nesta missão de ser desportista.


#ética

#educarosonho

segunda-feira, 5 de abril de 2021

O desporto une

Dia Internacional do Desporto ao Serviço do Desenvolvimento e da Paz celebra-se a 6 de abril

A Assembleia-Geral da ONU festeja o Dia Internacional do Desporto ao Serviço do Desenvolvimento e da Paz todos os anos. A data foi instituída pela ONU em agosto de 2013. Foi escolhido o dia 6 de abril já que foi neste dia se iniciou a primeira edição dos Jogos Olímpicos da era moderna, em Atenas, em 1896. Em 2014 celebrou-se pela primeira vez o Dia Internacional do Desporto ao Serviço do Desenvolvimento e da Paz. Este dia é um complemento ao Dia Olímpico.

Depois da Segunda Guerra mundial, os países europeus chegaram à conclusão de que, no seu próprio interesse, era necessário evitar futuros conflitos e preservar a paz, através de uma ação comum. Esta evolução no sentido de cooperação esteve na origem da primeira Comunidade Europeia, em 1952, e da criação de uma televisão – União Europeia de Radiofusão. Paralelamente a estes primeiros passos no sentido da integração europeia a nível político, surgiram as primeiras competições desportivas europeias. O desporto foi entendido como uma ferramenta basilar na construção de uma nova Europa. A UEFA foi fundada em 1954, e com ela as primeiras competições entre clubes europeus. Em 1955 o jornal francês L´Équipe sugere um Campeonato Europeu.

Em fevereiro de 2018, atletas da Coreia do Sul e da Coreia do Norte desfilaram juntos na cerimónia de abertura da vigésima terceira edição dos Jogos Olímpicos de Inverno. A equipa feminina de Hóquei no Gelo era inclusive composta por atletas dos dois países, gesto considerado pelo The New York Times como a mais marcante reconciliação das duas nações na última década.

Existe uma frase marcante de Nélson Mandela que sintetiza na perfeição o âmbito desta data: “o desporto pode criar esperança onde antes havia desespero; é mais poderoso que o governo em quebrar barreiras sociais; o desporto tem o poder de mudar o mundo”. Koffi Anan, ex – Secretário-geral da ONU reforçou essa importância escrevendo que “O desporto é uma linguagem universal que pode aproximar povos quaisquer que sejam as suas origens, passado, crenças religiosas ou condições económicas.”

O preâmbulo do regulamento da Organização Internacional para a Paz pelo Desporto – A Paz e Desporto – fundada em 2007 pelo campeão mundial do Pentatlo Moderno, o francês Joel Bouzou, o conceito da paz sustentável implica não só a ausência de guerra, mas também a criação de uma estrutura social imbuída de valores que contribuam para a manutenção da paz- trabalho em equipa, fairplay, disciplina, confiança mútua, diálogo, fraternidade.

Ainda em 2011, no estudo “Desporto, poder e relações internacionais” o académico brasileiro Wanderley de Vasconcelos parte da premissa de que “o desporto favorece e fortalece os vínculos de aproximação dos povos e a comunhão de afinidades, que conduzem à conquista de simpatias, passando estas para as instâncias governamentais ou, melhor, dos estados”.

Não existem dúvidas que o desporto é um “produto e um processo gerador de educação, de cultura, de lazer e de economia, no quadro da organização social dos países”. A relação entre Desporto e Paz é amplamente reconhecida.

Infelizmente, e citando Manuel Sérgio: “o desporto sofre hoje uma ameaça terrível, que se dirige à sua própria essência. E essa ameaça vem não só da «sociedade do espetáculo», que é a nossa e que origina a «civilização do homem sentado», mas também dos poderes que o submetem ao lucro selvagem e globalizado, ou então o toleram vigiado, instrumentalizado.” Triste sinal o deste desporto que aplaude a mediocridade, em nome da eficácia, que sacrifica os valores mais puros nos altares do êxito.

O desporto – não a clubite, com a cultura são os instrumentos de todos aqueles que lutam por um mundo novo: com paz e desenvolvido. Parte integrante do nosso património cultural, o desporto foi sempre um meio privilegiado para estabelecer laços entre os povos, para além das barreiras linguísticas e dos estereótipos nacionais. Numa Europa em mutação, o desporto constitui um admirável fator de integração, capaz de abolir inúmeras barreiras. Este facto justifica amplamente o importante lugar que o desporto ocupa na Europa.

Nos dias de hoje o desporto tem, provavelmente, o seu maior desafio. O desporto tem em si um conjunto de qualidades e valores que nos vão ajudar na ressocialização e a vencer este “inimigo”. Os estudos realizados são conclusivos quanto ao facto de os atletas superarem melhor o período de confinamento. Não é coincidência.

Antes dos 14, já fora do jogo… e da infância

O futebol forma cada vez mais cedo – e descarta ainda mais depressa. Entre o investimento e a realidade, há um sistema que continua a falhar...