quarta-feira, 19 de agosto de 2026

O JOGO TERMINA. O EXEMPLO FICA.

Houve um tempo em que ir ver uma competição de crianças era uma festa.
Hoje, demasiadas vezes, transformamos as bancadas num espetáculo de que nos deveríamos envergonhar.
Gritos. Insultos. Ameaças. Discussões.
Pais que protestam por cada decisão como se estivesse em jogo uma final mundial.
E, do outro lado, estão crianças e jovens.
Meninas e meninos que estão ali para aprender uma modalidade, mas também para aprender a lidar com a vitória, com a derrota, com o erro, com o respeito e com os outros.
E nós, adultos, o que lhes estamos a ensinar?
Que o árbitro é um inimigo?
Que quem erra merece ser insultado?
Que perder é uma vergonha?
Que ganhar é mais importante do que respeitar?
Por vezes, chega-se às agressões, aos empurrões e às ameaças.
E esquecemo-nos de que, muitas vezes, quem está a arbitrar é também um jovem.
Um rapaz ou uma rapariga que está a aprender.
Que pode errar.
Tal como erram os nossos filhos.
E depois perguntamo-nos porque há cada vez menos jovens disponíveis para arbitrar.
O problema não está nas crianças.
Está nos adultos que deviam ser os seus primeiros exemplos.
Uma criança pode esquecer o resultado poucos minutos depois de terminar a competição.
Mas dificilmente esquecerá um pai, uma mãe ou outro adulto a insultar um árbitro.
Dificilmente esquecerá a vergonha de ver adultos a discutir ou a agredir-se por causa de um jogo.
O desporto deve ensinar.
Deve educar.
Deve ajudar a formar pessoas.
E, demasiadas vezes, somos nós que estamos a ensinar a lição errada.
Antes de perguntarmos que atletas queremos que os nossos filhos e as nossas filhas sejam, talvez devêssemos perguntar:
Que adultos estamos nós a escolher ser?
Porque o jogo termina.
Mas o exemplo fica.

Vitor Santos | Educar o Sonho

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O JOGO TERMINA. O EXEMPLO FICA.

Houve um tempo em que ir ver uma competição de crianças era uma festa. Hoje, demasiadas vezes, transformamos as bancadas num espetáculo de q...