sexta-feira, 14 de agosto de 2026

O potencial não nasce no mesmo dia para todos.

O número que mais influencia a forma como avaliamos uma criança ou um jovem no desporto é, muitas vezes, o mais enganador: a idade.
Dois atletas nascidos no mesmo ano civil podem apresentar diferenças biológicas enormes. Um pode já ter passado pelo pico de crescimento da adolescência, enquanto o outro ainda nem começou essa fase.
Dentro de campo, do pavilhão, da pista ou da piscina, essa diferença parece talento.
Mas, muitas vezes, não é talento. É maturação.
Quem amadurece mais cedo tende a ser mais forte, mais rápido e mais dominante fisicamente. É escolhido primeiro, recebe mais minutos de jogo, mais elogios e, frequentemente, mais oportunidades.
Quem amadurece mais tarde, apesar de trabalhar, aprender e evoluir da mesma forma, acaba por ser comparado com corpos que ainda não são o seu. Muitas vezes, é colocado em segundo plano ou simplesmente deixa de ter oportunidades.
No entanto, nenhuma destas realidades permite prever, com confiança, quem será o melhor atleta aos 20 anos.
É por isso que utilizar apenas a idade cronológica para tomar decisões na formação é um erro.
A idade diz-nos apenas quando um atleta nasceu. Não nos diz quem ele ou ela se está a tornar.
Quando confundimos maturação biológica com talento, estamos, muitas vezes, a selecionar quem cresceu primeiro e não quem tem maior potencial.
Esta é uma reflexão que merece ser aprofundada por pais, treinadores, clubes e dirigentes. Não para procurar uma perfeição impossível, mas para criar contextos mais justos, mais humanos e mais inteligentes.
Porque cada criança e cada jovem têm o seu próprio ritmo de desenvolvimento.
E esse ritmo deve ser respeitado.
Há outro dado que nos deve fazer pensar.
Muitos atletas que parecem imparáveis aos 12 anos deixam de praticar desporto poucos anos depois. E muitos dos atletas que hoje competem ao mais alto nível nem sequer eram considerados os melhores da sua geração.
O sucesso precoce não garante uma carreira de sucesso.
Tal como um desenvolvimento mais lento não significa falta de talento.
Se projetarmos esta realidade entre os 8 e os 24 anos, percebemos como é perigoso fazer previsões demasiado cedo.
O papel da formação não é encontrar vencedores aos 10 ou aos 12 anos.
É ajudar crianças e jovens a apaixonarem-se pelo desporto, a crescerem ao seu ritmo, a desenvolverem competências e a permanecerem ativos durante muitos anos.
Por isso, talvez seja tempo de reduzirmos a pressão. De deixarmos as crianças brincar mais. De compreendermos que brincar também é aprender.
E de aceitarmos que crescer depressa não significa, necessariamente, chegar mais longe.
Porque o verdadeiro talento não tem pressa.
Tem tempo para crescer.

O potencial não nasce no mesmo dia para todos.

O número que mais influencia a forma como avaliamos uma criança ou um jovem no desporto é, muitas vezes, o mais enganador: a idade. Dois atl...