quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Maradona em Viseu : As minhas memórias

Era a década de 80 do século passado. Tudo era possível. Tudo estava a acontecer. O ano de 1982 foi marcante para a minha geração. O rock em português estava a “explodir”, a televisão começou a transmitir a cores e realizou-se o Mundial de Futebol em Espanha. Um acontecimento muito perto de nós e que foi transmitido na íntegra na RTP a cores. A seleção brasileira era a paixão de, quase, todos os adeptos e intervenientes do futebol e presenciávamos o “nascimento” à escala global de Diego Armando Maradona.

Para nós, beirões, foi uma época em que o Académico de Viseu era um clube de 1.ª divisão e, nem que seja por isso, os anos 80 começaram com cor e a cidade tornou‑se mais dinâmica e moderna.

E eis que surge a notícia de que os Prémios Gandula 1982/1983 iam ser entregues em Viseu e que entre os premiados estava Maradona. Estes prémios eram uma criação do jornalista brasileiro Wilson Brasil e homenageavam dezenas de desportistas – das mais diversas modalidades – além de jornalistas e personalidades que se haviam destacado no mundo do desporto. Os agraciados recebiam um pequeno troféu dourado com a figura de um “gandula” (uma das crianças apanhadoras de bola nos jogos de futebol), que personificava, segundo o seu criador, “a humildade que simboliza a grandeza do desporto”. Para quem, como eu e os meus amigos, respirava futebol, foi desde logo uma excitação podermos estar junto dos nossos ídolos e, caso fosse verdade, de Diego Maradona.

 
                                  Revista Olá Viseu (1983) créditos de https://www.facebook.com/antoniojose.coelho.9

Existem poucos registos desse evento. Só a memória de alguns que estiveram presentes e, como sabemos, esta por vezes atraiçoa-nos. Não posso precisar a data, sei que era uma noite fria, bem beirã. Eu e alguns dos meus amigos da Zona da Sé deslocámo-nos para o Restaurante São Mateus, por volta das 20:30, para podermos ver os treinadores, jogadores, árbitros, jornalistas, dirigentes que conhecíamos dos cromos e da TV. Neste restaurante decorreu o jantar com os convidados, que teve como anfitriões o presidente do Académico de Viseu, António Joaquim Ferreira (responsável por ter convencido Wilson Brasil a vir a Viseu realizar este evento), e o próprio criador do prémio.

No fim do jantar, convivia-se animadamente e enquanto se vestiam os casacos quentes para a noite fria que estava na zona da Feira, o então presidente da AFV, Osório Mateus e o jornalista Vilas Boas, sabendo que uma dúzia de crianças esperava pelo momento em que os presentes iam sair do restaurante para o Pavilhão A, vieram, como era apanágio destes grandes senhores, chamar‑nos para podermos recolher autógrafos e estarmos, um pouco, junto de todas estas personalidades do desporto. António Vidal e António Figueiredo Caessa, presidente e vice-presidente da Câmara de Viseu na época e Carlos Costa, secretário da AFV, estavam do “nosso lado” nesta procura pelo contactar tanta gente ilustre. Não sendo eu muito de me chegar à frente, ainda consegui, na minha sebenta de escola, os autógrafos do José Maria Pedroto, João Rocha, António Garrido e de atletas como Gomes, Inácio, Reinaldo, Dito, Octávio, Mário Jorge, Fonseca e outros que, ainda, guardo religiosamente. Não havia selfies!


O evento começou no Pavilhão A da Feira de São Mateus e nós, que não tínhamos acesso, mantivemo‑nos junto à entrada, nas grades à espera de Maradona. A verdade é que as informações eram contraditórias e se uns diziam que ele já não vinha, outros que ele já estava na cidade a jantar. A mentalidade “tuga”, sempre presente, é que era um logro e que Maradona nunca viria a Viseu neste dia e que tudo não passava de uma manobra de boas intenções ou de marketing.

Não foi o que aconteceu. De repente damos pela chegada de um carro e de lá de dentro sai o Diego Maradona. A noite fria aqueceu e cerca de duas dezenas de crianças e jovens que ali estavam correram para ele na ânsia de conseguir um autógrafo ou mesmo apenas de estar ao seu lado.

Não fui um dos felizes contemplados. Mas, para quem vivia com paixão o desporto, estar na minha cidade e receber Maradona foi um dos momentos que me tiraram o sono. Na época o futebol era, quase, tudo para mim. Meses mais tarde, como o meu cabelo já era encaracolado, a minha adoração pelo "El Pibe" levou-me a querer pôr brinco na orelha, como ele. O meu pai é que não foi na conversa e brinco na orelha era sinal de não ter lugar à mesa para comer! Bons tempos. Dentro do Pavilhão, nada sei do que se passou, mas Maradona não esteve muito tempo na cerimónia. A saída dele em passo apressado aconteceu uma hora depois, se tanto, e entrou de novo no mesmo carro que o transportou não sei para a Marisqueira Alvorada, Hotel Grão Vasco, aeroporto, ou se mesmo para o aeródromo de Viseu.

Muitas histórias são contadas. Existe um grande romantismo à volta desta passagem de Maradona por Viseu. Hoje é difícil explicar às novas gerações os significados destes acontecimentos saboreados lentamente e em que o mundo ainda era muito a preto e branco.

A verdade é que o melhor jogador de futebol de sempre esteve na minha cidade, onde foi agraciado, quando já era um ídolo para muitos de nós. Se o Mundial de 82 não lhe correu bem e a “minha” Itália ganhou ao Brasil e foi campeã, Maradona, jogador do Barcelona, que começava a ser o número 1 do mundo para mim, marcou presença numa gala realizada numa cidade do interior do país. Deu-se a esse trabalho ou prazer. Era Diego Armando Maradona!

Nunca fui de correntes e os meus ídolos foram sempre atletas geniais pelo que faziam em campo e pela sua personalidade, muitas vezes excêntricas. E aí ele era um génio único. Sem igual. Nunca o foi pelos valores que devem reger um futebolista. Desordenado ou caótico. Mas para mim foi o melhor. Sempre foi Maradona.

Saudades de Maradona.

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Bandeira da Ética: um desafio

A Bandeira da Ética consiste na certificação e promoção dos valores éticos no desporto e é dirigida a todas as entidades que pretendam que seja reconhecido e certificado o seu trabalho neste âmbito.

Existem clubes com esta certificação e outros na fase da candidatura. É de aplaudir estes clubes por aceitarem o repto de serem diferenciados pela positiva. Ao nos apresentarmos como desportistas, não devemos temer a candidatura a uma certificação que valida os modos comportamentais desportivos.

Ao serem certificados, os clubes ganham novas responsabilidades e o compromisso com a ética desportiva passa a constar no seu quotidiano. Todos os intervenientes são parte integrante e responsabilizados quer no reconhecimento ou falta dele. Como é um processo avaliado e renovável, será mais do que triste ver retirada a um clube a Bandeira da Ética por comportamentos desviantes das boas práticas desportivas por parte de algum dos seus agentes desportivos.


A Bandeira da Ética é motivo de orgulho e contribui para uma sensibilização por parte do clube para o saber ser e estar no desporto. Dirigentes, treinadores, atletas e público, todos são responsabilizados e em comum têm a mesma causa: o DESPORTO. Este, pela sua natureza, possibilita e potencia o exercício e desenvolvimento de valores pessoais e sociais. Valores esses que, quando aplicados no e pelo desporto, facilmente são transpostos para o dia-a-dia de cada um de nós.

A Bandeira da Ética compreende objetivos como inovar, mediante a criação de uma metodologia para certificação dos valores éticos no desporto, garantir uma metodologia flexível e útil para todo o tipo de agentes do sistema desportivo, implementar um processo que identifique e promova boas práticas no desporto, promover a visibilidade de iniciativas multiplicáveis e reconhecer a ação dos agentes do sistema desportivo.

A todos os clubes fica o desafio de se candidatarem. Para criarem e fortalecerem o compromisso com a ética desportiva sem receios e assumindo uma postura verdadeiramente desportista e exemplar de como se estar no desporto e na vida. A defesa dos valores éticos e morais do desporto deve ser uma preocupação constante de todos. O desporto praticado por todos deve ser protegido de todos os desvios.

A Bandeira da Ética tem contribuído muito para que os clubes adquiram comportamentos saudáveis e alguns têm apresentado projetos que merecem destaque pela criatividade e resultados práticos, quer em competição, quer em treinos.

Desafiem-se!

Nota: “A implementação e operacionalização da Bandeira da Ética compete ao Instituto Português do Desporto e Juventude, I.P. (IPDJ, I.P.), através do Plano Nacional de Ética no Desporto (PNED), mediante a criação de uma marca de qualidade das iniciativas desportivas, a qual deve ser potenciada pelas entidades certificadas dentro e fora da sua organização. Na sua conceção contou com o apoio da Universidade dos Valores.” 

sábado, 23 de maio de 2020

Treinadores:formação diferenciada

Treinador

Nos últimos anos tem-se verificado um aumento das ofertas formativas e bibliográficas sobre a atividade de treinador. A internet veio dar uma ajuda e hoje a informação está disponível para todos. Mas nem sempre foi assim!
E antes de mais é preciso afirmar que o treinador é um professor/formador dos jovens praticantes. No desempenho desta função o treinador deve recorrer a uma intervenção positiva, por oposição a uma via negativa de influenciar o comportamento do atleta. Os comportamentos fazem toda a diferença. Esses não estão na internet.
Para ser um bom treinador é preciso receber informação sobre todos os aspetos relacionados com as suas funções. No Sport Viseu e Benfica – épocas 2008/2009 e 2009/10, os treinadores já eram parte integrante de um Corpo Técnico e não de um «somatório» de treinadores. Fazia toda a diferença. A política da formação do clube assentava muita na qualidade dos seus treinadores e para isso realizava formações internas, promovia debates entre todos – do técnico dos seniores ao da pré-competição, reforçava os laços de empatia e a partilha de conhecimentos. Era um crescer diário. Uma exigência.
Periodicamente um dos técnicos fazia uma apresentação sobre um tema selecionado e disponibilizava-se a partilhar toda a informação, documentação, conhecimentos. Os «fantasmas», tão ao gosto dos treinadores, ali dentro não entravam. Todos eram treinadores – independente dos escalões etários que treinassem, eram essenciais para o sucesso coletivo, eram estimulados a observar os outros escalões numa perspetiva de colaboração sistemática entre todos. Não havia quintas. Havia liderança.
Mas não só de aspetos técnicos se faziam as agendas destes encontros. As atitudes, os comportamentos nos treinos e nos jogos, as relações treinador-atleta, treinador-pais eram sujeitos a críticas construtivas e a correções. Todos se sentiam protegidos por trabalharem em equipa e haver quem estivesse sempre atento e disponível para fazer a defesa do grupo, quer fosse a nível interno ou externo ao clube. Os objetivos eram os mesmos para todos: ser melhor treinador para melhor servir o clube.
E isto faz toda a diferença.
Venceu-se?!
– Sim. Esses jovens – hoje homens, são os melhores testemunhos disso mesmo.
Os clubes deviam perceber que a formação dos seus técnicos não pode cingir-se a cursos e colóquios generalistas. Têm de promover todo o tipo de manifestações que «obriguem» a uma melhoria constante. A uma identificação com o clube. Tudo leva o seu tempo – mas é assim que se constroem as instituições.
Estes, não sentem necessidade de criarem esses laços com os treinadores e assim abdicam de investir na formação contínua a nível interno. O perfil do treinador também deixou de ser importante em contraponto ao custo.
Os jovens atletas precisam que os treinadores evoluam – tenham um rumo comum, em conjunto. Que não tenham agenda própria. Será isso possível nos dias de hoje?!
O papel do treinador não é totalmente consensual. Ou seja, existem opiniões diferentes sobre a quantidade e que tipos de tarefas lhe cabem. O que parece unânime é que ser treinador não é fácil. Mas se estiverem integrados num Corpo Técnico que funcione, que seja organizado e coordenado, que tenha uma filosofia, um objetivo bem definido, tudo será menos difícil e mais apaixonante.
Quem chega de novo sente que tem pouco tempo para provar que vai criar mais valor – puro engano deles. Sabem que a construção de uma equipa e identidade coletiva demoram tempo e por isso busca-se o «sucesso» mais rápido que é, ao mesmo tempo, o mais extemporâneo. A pressa leva a que se construa uma carreira a «solo» – são os clubes que têm de se adaptar ao treinador. Não há paciência para aprender com a prática, com a experiência.
O treinador está numa aprendizagem constante e deve saber escutar – que é bem mais importante que ver, e delas selecionar o que interessa.
Aprende-se com todos com quem se trabalha diretamente.

#educarosonho 

quarta-feira, 13 de maio de 2020

Prémio de Imprensa “Desporto com Ética/2019”

Prémio “Desporto com Ética/2019” - Imprensa Regional
É com enorme satisfação que partilho convosco a notícia de que o conjunto dos meus trabalhos publicados em 2019 venceu o Prémio de Imprensa “Desporto com Ética”, promovido pelo Instituto Português do Desporto e Juventude, IP (através do PNED - Plano Nacional de Ética no Desporto) e pelo CNID – Clube Nacional de Imprensa Desportiva / Associação dos Jornalistas de Desporto.
Os prémios nunca foram e nem serão o objetivo. No entanto, é gratificante o reconhecimento do trabalho realizado. Quatro anos se passaram sobre o 1.º prémio recebido em 2016, o que não deixa de ser uma prova de que o caminho é este e é consistente. A responsabilidade aumenta. O compromisso está sempre presente.
Entre os trabalhos publicados, realce para os artigos: • Pais e filhos juntos é O Melhor!Faz o que eu digo não o que faço, já era!Não é fácil ser treinadorPara que clube vai o meu filho?!Táticas e modelos comportamentais
A mensagem vai passando e é mesmo esta que é importante, bem como os mensageiros, a quem agradeço, mais uma vez, pela disponibilidade em a transmitir a todo o país e não só. hashtageducarosonho

Prémio de Imprensa “Desporto com Ética/2019”

Imprensa Regional
1º Prémio
Vitor Santos
Conjunto de seis artigos, publicados no Jornal de Centro, Jornal Via Rápida e Jornal Diário de Viseu (exemplo: “Táticas e modelos comportamentais”)
 2º Prémio
Jorge Machado
Conjunto de seis artigos publicados no jornal "Entre Margens" (exemplo: “Qual o papel do árbitro na promoção de valores?”)
 3º Prémio
Fernando Pires
Artigo "Jovem paraplégico faz dois mil quilómetros", publicado no "Jornal Mensageiro de Bragança".

Menções Honrosas
Sérgio Mendes
Artigo "O que distingue a claque de um dos grandes clubes, de uma grande claque", publicado no Jornal Fórum da Covilhã
 Rui Almeida Santos e Vítor Carmo
Artigo “O triunfo incondicional dos bons costumes", publicado na revista "AFA-Magazine"
 João Chambino
 Angélica Santos
Artigo "Braima Dabó acredita no Desporto", publicado em "Maia Primeira Mão".

Imprensa Desportiva e/ou na Imprensa Generalista
 Prémio Especial  (atribuído pelo júri pelo mérito  da totalidade de artigos)
Duarte Gomes
Conjunto de nove artigos,  publicados no jornal “A Bola” e na Tribuna do semanário "Expresso". (exemplos: "Futebol de verdade, só com integridade""A força do silêncio""Carta aberta ao futebol")
 2º Prémio
Cláudia Oliveira
Artigo "Daniel Abrham- ninguém se preocupa com os refugiados" ex.aequocom o texto "Uma história para Cristiano ler",ambos publicados no diário desportivo "O Jogo". 
 3º Prémio
Luís Cristovão 
Artigo "Quando a política está em jogo",  publicado na "Revista E" do semanário "Expresso".
 MENÇÕES HONROSAS
Rui Almeida Santos
Artigo "A honestidade compensa sempre" publicado no  "Jornal de Notícias".
 Ana Ribeiro Rodrigues

quinta-feira, 23 de abril de 2020

O Ronaldo da natação


A 23 de abril celebra-se o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, dia ideal para ler e/ou partilhar um livro com outras pessoas e para conhecer novos livros pelos quais se pode apaixonar.

A UNESCO instituiu em 1995 este dia e a data foi escolhida por ser um dia importante para a literatura mundial – foi a 23 de abril de 1616 que faleceu Miguel de Cervantes e a 23 de abril de 1899 que nasceu Vladimir Nabokov. O dia 23 de abril é também recordado como o dia em que nasceu e morreu o famoso escritor inglês William Shakespeare.
O Direito de Autor é um direito de cultura, e do seu respeito depende a sobrevivência desta. É um dos Direitos do Homem, como tal proclamado na respetiva Declaração Universal dos Direitos Humanos, é fundamental para estimular e favorecer a atividade criadora dos homens, permitir a difusão de ideias e facilitar o acesso do público em geral às obras intelectuais.
Encontrar o livro certo, no momento certo, para a pessoa certa, é um momento para toda a vida e inesquecível. É o mais importante da leitura. Mesmo no mundo de hoje, informatizado, invadido por imagens, a leitura é insubstituível e os outros suportes apenas a podem completar.
O prazer de ler um livro que nos motiva, que nos «agarra», perdurará no tempo e ficará sempre como um dos livros da nossa vida. São poucos os objetos que transportamos ao longo da vida. Os livros acompanhar-nos-ão sempre.

Portugal é um país onde se lê pouco e em que o hábito de ler deve ser estimulado na infância, para que se aprenda desde pequeno que ler é algo importante e prazeroso, assim ele será um adulto culto, dinâmico e perspicaz. Não se pode deixar de dar razão a António Lobo Antunes que referiu em 2003: “A cultura assusta muito. Um povo que lê nunca será um povo de escravos.”
A leitura é algo crucial para a aprendizagem do ser humano, pois é através dela que podemos obter conhecimento, dinamizar o raciocínio, enriquecer nosso vocabulário, e a interpretação. Não ter paciência para ler um livro, isso acontece por falta de hábito, pois se a leitura fosse um hábito as pessoas saberiam apreciar um bom livro, uma boa história.
Em nossa sociedade, ler, tem uma função primordial de despertar e proporcionar conhecimentos básicos que venham contribuir para construção integral da vida em sociedade e para o exercício da cidadania.
Milan Kundera em «A insustentável leveza do ser» escreveu: “gostava de passear na rua com livros debaixo do braço. Eram para ela o que a elegante bengala era para um dândi do século passado. Eles a distinguiam das outras”.
Ao longo da história da humanidade, o hábito de ler representa um sinal distintivo, de dignidade e saber.

Hoje (23 de abril) é oportuno perguntar: Que livros leram?! Que livros vão ler?!


A leitura, para a minha geração, começou na banda desenhada (para termos acesso a uma maior quantidade de livros e como não tínhamos dinheiro para os comprar, íamos trocá-los a quiosques), e pelos clássicos infanto-juvenis como “As aventuras dos sete”, “O principezinho”, “O meu pé de laranja lima”, “1001 léguas submarinas” e diversas coletâneas de histórias.
É na adolescência – uma extraordinária etapa na vida de todas as pessoas, que a pessoa descobre a sua identidade e define a sua personalidade e onde os livros que lemos são um importante meio de transmissão de cultura e informação, e elemento fundamental nesse processo. Recordo, entre muitos, a leitura de “Os filhos da droga” Christiane F, “Capitães de Areia” de Jorge Amado, “1984” de George Orwell, “O nome da Rosa” de Umberto Eco, “O Diário de Anne Frank” de Anne Frank, “A insustentável leveza do ser” de Milan Jundera.

São várias as coleções que estimo e autores como Fernando Pessoa, Aquilino Ribeiro, Alberto Moravia, Miguel Esteves Cardoso, Vergílio Ferreira são obrigatórios na «minha» biblioteca.



Este ano Quem alinha? Desporto com valores” (edição da Afrontamento em parceria com o PNED/IPDJ) é o livro que vos recomendo. Ilustrado por Dina Sachse e textos de António Mota, José Jorge Letria, José Fanha, Sandra Torres entre outros. O Ronaldo da natação ou a Bola adormecida são dois dos textos que se encontram neste livro e que são deliciosos.
Um livro de contos sobre a importância dos valores no desporto, como a cooperação, amizade, respeito, verdade, perseverança, entre outros. Não podia ser melhor para a época que vivemos.Boas leituras

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Dia Internacional do Desporto ao Serviço do Desenvolvimento e da Paz


Dia Internacional do Desporto ao Serviço do Desenvolvimento e da Paz celebra-se a 6 de abril
A Assembleia-Geral da ONU festeja o Dia Internacional do Desporto ao Serviço do Desenvolvimento e da Paz todos os anos. A data foi instituída pela ONU em agosto de 2013. Foi escolhido o dia 6 de abril já que foi neste dia se iniciou a primeira edição dos Jogos Olímpicos da era moderna, em Atenas, em 1896. Em 2014 celebrou-se pela primeira vez o Dia Internacional do Desporto ao Serviço do Desenvolvimento e da Paz. Este dia é um complemento ao Dia Olímpico.

Depois da Segunda Guerra mundial, os países europeus chegaram à conclusão de que, no seu próprio interesse, era necessário evitar futuros conflitos e preservar a paz, através de uma ação comum. Esta evolução no sentido de cooperação esteve na origem da primeira Comunidade Europeia, em 1952, e da criação de uma televisão – União Europeia de Radiofusão. Paralelamente a estes primeiros passos no sentido da integração europeia a nível político, surgiram as primeiras competições desportivas europeias. O desporto foi entendido como uma ferramenta basilar na construção de uma nova Europa. A UEFA foi fundada em 1954, e com ela as primeiras competições entre clubes europeus. Em 1955 o jornal francês L´Équipe sugere um Campeonato Europeu.

Existe uma frase marcante de Nélson Mandela que sintetiza na perfeição o âmbito desta data: “o desporto pode criar esperança onde antes havia desespero; é mais poderoso que o governo em quebrar barreiras sociais; o desporto tem o poder de mudar o mundo”. Koffi Anan, ex – Secretário-geral da ONU reforçou essa importância escrevendo que “O desporto é uma linguagem universal que pode aproximar povos quaisquer que sejam as suas origens, passado, crenças religiosas ou condições económicas.” 

O preâmbulo do regulamento da Organização Internacional para a Paz pelo Desporto – A Paz e Desporto – fundada em 2007 pelo campeão mundial do Pentatlo Moderno, o francês Joel Bouzou, o conceito da paz sustentável implica não só a ausência de guerra, mas também a criação de uma estrutura social imbuída de valores que contribuam para a manutenção da paz- trabalho em equipa, fair play, disciplina, confiança mútua, diálogo, fraternidade. 

Ainda em 2011, no estudo “Desporto, poder e relações internacionais” o académico brasileiro Wanderley de Vasconcelos parte da premissa de que “o desporto favorece e fortalece os vínculos de aproximação dos povos e a comunhão de afinidades, que conduzem à conquista de simpatias, passando estas para as instâncias governamentais ou, melhor, dos estados”.  
Não existem dúvidas que o desporto é um “produto e um processo gerador de educação, de cultura, de lazer e de economia, no quadro da organização social dos países”. A relação entre Desporto e Paz é amplamente reconhecida. 
Infelizmente, e citando Manuel Sérgio: “o desporto sofre hoje uma ameaça terrível, que se dirige à sua própria essência. E essa ameaça vem não só da «sociedade do espetáculo», que é a nossa e que origina a «civilização do homem sentado», mas também dos poderes que o submetem ao lucro selvagem e globalizado, ou então o toleram vigiado, instrumentalizado.”  Triste sinal o deste desporto que aplaude a mediocridade, em nome da eficácia, que sacrifica os valores mais puros nos altares do êxito.
O desporto – não a clubite, com a cultura são os instrumentos de todos aqueles que lutam por um mundo novo: com paz e desenvolvido. Parte integrante do nosso património cultural, o desporto foi sempre um meio privilegiado para estabelecer laços entre os povos, para além das barreiras linguísticas e dos estereótipos nacionais. Num Mundo em mutação, o desporto constitui um admirável fator de integração, capaz de abolir inúmeras barreiras. Este facto justifica amplamente o importante lugar que o desporto ocupa.
Nos dias de hoje o desporto tem, provavelmente, o seu maior desafio. O desporto tem em si um conjunto de qualidades e valores que nos vão ajudar na ressocialização e a vencer este “inimigo”.


Antes dos 14, já fora do jogo… e da infância

O futebol forma cada vez mais cedo – e descarta ainda mais depressa. Entre o investimento e a realidade, há um sistema que continua a falhar...