sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Não é fácil ser treinador


A comunicação social tem noticiado, e as redes sociais reproduzido e amplificado, casos de treinadores de formação que têm tido comportamentos intoleráveis, ou mesmo criminosos em alguns casos. Estes casos nada têm a ver com a atividade de quem a exerce, mas sim com a falta de caráter e a má formação do indivíduo.

Servem estas notícias para refletir sobre o papel do treinador, de quem o contrata e porquê. Se o treinador não tem comportamentos adequados, são os clubes os grandes responsáveis, pois não são exigentes na sua escolha. O perfil do treinador não é considerado importante, quando o devia ser. Não chega ter formação técnica e académica para se ser formador. Até quando se vão permitir desvios comportamentais éticos e desportivos em troca de vitória efémera e, quase sempre, utilizada como vaidade pessoal?
Para que serve ter conhecimentos de teoria e metodologia de treino, de fisiologia do esforço quando não se tem perfil para lidar com crianças e jovens?! O treinador é responsável pelo equilíbrio no desenvolvimento físico, mental e espiritual dos atletas, tendo em conta que estes são os fatores fundamentais de uma perspetiva de vida equilibrada.

A falta de recursos financeiros não serve de justificação para contratar o treinador barato ou mesmo voluntário. Os custos destas opções são enormes. É preciso ter noção de que, de uma forma indireta, os treinadores são das pessoas mais influentes na orientação pessoal e educativa dos jovens com quem lidam. São-no, quer tenham ou não consciência dessa ação no sentido positivo ou negativo. Os testemunhos dos atletas confirmam a preponderância do papel do treinador que para a maioria das crianças e adolescentes é uma das pessoas com mais importante significado pessoal. É notável a forma como os atletas depositam a sua confiança nesta pessoa, com o propósito de atingirem os seus objetivos pessoais.
O treinador de formação tem de ser coerente e justo. O impacto do treinador é de tal modo importante que a sua atitude e comportamento pode ter consequências negativas ao nível do auto-conceito ou auto-estima, de forma tão intensa como, no sentido positivo, é determinante o bom treinador!

 A entrada da criança na prática desportiva é determinada por motivações banais como a influência dos pais ou por influência de um amigo/vizinho. Nesta etapa é para a criança se divertir, ter experiências no desporto e entusiasmar-se com os desafios que a modalidade proporciona. Aqui, os treinadores devem ser atenciosos, alegres, centrados no processo e não no produto, o que significa que não atribuem ao resultado do jogo o objetivo essencial.

A principal função de um treinador da formação é potenciar o atleta e não vencer mais vezes. Este desempenho tem de ser enquadrado na filosofia do clube e coordenado por quem tem essa responsabilidade para que atletas e familiares percebam desde início as tomadas de decisões.
A necessidade de demonstrar cada vez mais cedo resultados desportivos incita muitos treinadores a acelerar o processo de formação dos seus atletas, o que, mais tarde, origina barreiras de rendimento muito difíceis de superar e que normalmente estão associadas ao abandono precoce da prática desportiva.

Ser bom treinador não é algo com que se nasça, nem é algo que resulte de anos de experiência. Os treinadores devem refletir e aprender as lições na sua própria vivência desportiva, para serem cada vez melhores.
A árvore não faz a floresta. É verdade. Maus profissionais existem em todas as atividades.


Aquele jogador que todos os treinadores encontram

  Todo treinador encontra, mais cedo ou mais tarde, aquele jogador. Sabes perfeitamente qual é. Tecnicamente brilhante. Vê o jogo com uma cl...