quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A verdade existe, só a mentira se inventa

Chega ao fim mais um ano e o desporto português continua igual a si próprio. Crises, suspeições e prolongamento de casos.
Viseu não é diferente de todo o país em que o desenvolvimento desportivo é o resultado de cada jogo. Mas, o desporto é feito desses resultados e como muitas das vezes são surpreendentes, pela positiva, justiça-se ainda a presença nos Campos, Piscinas e Pavilhões. É a beleza da competição na procura desses resultados que fazem o espectáculo que muitos de nós por força da clubite não aceitamos, não queremos aceitar que nem sempre somos os melhores.
De nada vale o virar de costas ao adversário do lado de fora do campo, pois é dentro da competição que temos de ser melhores, mais bem preparados.
Nesta época natalícia em que temos na família um espaço privilegiado de convívio, aproveitamos para pedir que interiorizem um verdadeiro espírito desportivo.
Num ano em que as dificuldades económicas e o agravamento do clima social de advinha o desporto reflectirá o dinamismo ou falta dele da sociedade portuguesa.
Organizar grandes eventos é bonito quando acompanhados de um projecto de desenvolvimento desportivo e não servindo para feira de vaidades.
No balanço deste ano cujo terminus se aproxima regista-se o caso Académico de Viseu. Hoje os viseenses procuram adaptar-se à nova realidade, mas o desaparecimento do futebol profissional é ainda uma marca triste que o Concelho ainda não superou.
Votos de um Feliz Natal e Próspero Ano de 2006 a todos os leitores e amigos.

in Jornal do Centro (23-12-2005)

Escolher a altura certa é poupar tempo

Em Portugal o fosso existente entre o Interior e Litoral é cada vez maior. As diferenças no ritmo de desenvolvimento são enormes e em todas as áreas.
A realidade diz-nos que temos de começar a dar aos nossos jovens o que eles precisam, de forma a não terem de migrar. Mas como o fazer?!
Os últimos números oficiais do Instituto Nacional de Estatística referentes ao desporto são de 2003. Nestes dois últimos anos as diferenças serão ainda maiores.
No caso do futebol Viseu tem 4.177 atletas federados, Aveiro apresenta 9.683, Coimbra 6.320 e Leiria 8.688. São estes os concelhos que nos vêm buscarem os jovens do distrito. Estes números são relevantes da base de trabalho em termos de atletas existentes entre Interior e Litoral.
No conjunto de todas as modalidades a diferença no número de praticantes federados dispara ainda mais. Aveiro conta com 27.292 atletas para os 8.965 de Viseu. Coimbra tem 17.592 e Leiria 19.183.
A fomentação do futebol e o incentivo ao aparecimento de equipas nos escalões de Escolas e Infantis é urgente. É aqui que começa a haver o recrutamento de atletas. No escalão Escolas Viseu apresenta 351 crianças federadas contra os 1.339 de Aveiro e 1.099 de Leiria.
O desporto é um promotor do desenvolvimento regional.
São números que valem o que valem. Pode-se sempre perguntar porque não falamos nos números da Guarda, Vila Real ou Castelo Branco. Mas são os outros nossos vizinhos que buscam atrair a nossa juventude.
Não é só quando arde a casa do nosso vizinho que nos diz respeito.

in Jornal do Centro (09-12-2005)

Urge uma política desportiva

O futebol português continua a viver cheio de contradições. Se podemos festejar os apuramentos da selecção portuguesa para o Mundial da Alemanha 2006 e para o Europeu de sub-21, temos de lamentar o desaparecimento de vários clubes e as crises porque passam a, quase, totalidade dos outros.
Qual é a verdadeira realidade portuguesa? As selecções ou a falência dos clubes portugueses?! A falência, sem dúvida.
Clube Académico de Futebol, Sport Comércio e Salgueiros, Sporting Clube de Farense, Alverca Futebol Clube são históricos que desapareceram do futebol sénior. Outros virão atrás.
O futebol precisa de praticantes federados e de público. Estes são elementos essenciais à vivência do futebol. E são precisamente estes que não existem.
As assistências nos campos de futebol são cada vez mais diminutas e o número de atletas federados está longe, muito longe do número desejável. A importação de jogadores, a construção de planteis com dúzias de não portugueses, não é a justificação para o fraco número de praticantes. É a politica de fomentação desportiva ou falta dela que condiciona toda a realidade portuguesa.
No Porto, a exemplo, constrói-se uma Sede para a Associação de Futebol do Porto de ostentação de riqueza e os jovens jogam no velhinho, pelado, do Campo da Constituição!
Estas são as prioridades de quem dirige o desporto em Portugal. Primeiro são gabinetes, fatos e gravatas e depois as infra-estruturas desportivas.
Tem de haver decisões políticas do Governo e das Autarquias, pois são os grandes financiadores dos clubes que, quase, não têm outras fontes de rendimento.


in Jornal do Centro (25/11/2005)


Dizer o que se pensa ainda é um prazer caro

Eu estou sempre a surpreender-me. É algo que ainda faz com que a vida valha a pena ser vivida.
Quando escrevi, há 2 semanas atrás, aqui neste espaço fazendo fé nas palavras do candidato vencedor à CMV, Dr. Fernando Ruas, que a sua vitória era também a do Fontelo e do Multiusos nunca pensei gerar uma reacção tão forte por parte de alguma opinião. Mas, até, como sempre achei que a ira calada é a mais perigosa agrada-me o contraditório.
Pensava eu que era o artigo mais consensual de todos até agora e foi precisamente o contrário.
O debate que se gerou à volta do Fontelo prova o carinho e as potencialidades que lhe são reconhecidas e não aproveitadas. Quero e disse-o acreditar que é desta que Viseu através do Fontelo arranca para uma prática desportiva organizada e credível.
Não existe ainda uma movimentação que permita afirmar que a dinamização do Fontelo está em curso, mas acredito que está projectada. Se estivermos sempre à espera de outra oportunidade, estamos a perder o nosso tempo. Hoje tudo tem se ser feito bem e depressa. Devagar, ninguém mais vai longe.
Durante anos os espaços desportivos não acompanharam o crescimento dos concelhos, foram muitos os que não tinha onde praticar desporto, nem sabiam como fazê-lo.
As estruturas desportivas que estão a reforçar o Fontelo são a maior aquisição desportiva que a cidade fez, em que só o uso incorrecto das mesmas pode deitar tudo a perder.
Estamos no século XXI não mais se pode viver do improviso, do remedeio. O Fontelo começa a ter estruturas que podem permitir um desenvolvimento desportivo sustentado na planificação, na organização. Sabendo que clubes existem, recursos humanos também é chegada a altura de criar um projecto desportivo sério.
Quanto ao Multiusos é de reconhecer que não é para assegurar a prática desportiva dos viseenses. Mas quanto a esta estrutura . . .ninguém planeia o fracasso, falha-se muito é nos planeamentos, nas denominações.
Uma acção bem planeada é aquela que assegura a maior felicidade a um maior número de pessoas.
A melhor maneira de ver o nível de vida de uma cidade, de uma população é investigar a qualidade dos seus tempos livres: cultura, desporto e lazer.



in Jornal do Centro (11-11-2005)

Uma vida inútil é uma morte precoce

Esta semana fica marcada pelo anunciado fim físico do Clube Académico de Futebol. Esta situação até era esperada, em termos de vivência desportiva, com os resultados dos escalões de formação a demonstrarem o mal que vai naquela casa.
Com a, possível, «selagem» da Sede do clube o que fica? Quase nada.
Os problemas financeiros, bastante negativos, permanecem. Só que num outro processo de criação ganhava-se um clube pensado, motivado e organizado.

Os juniores B do CAF foram goleados por 12-1 pelo Porto. A diferença entre as equipas já não é justificativa para este tipo de resultados. Não há responsáveis para assumirem a desmotivação deste grupo de trabalho?! Está-se a fazer formação?! Que jovens se estão a formar?!
Muitos pensam que se pode mentir somente quando se fala e não quando se está calado.
As equipas de iniciação e formação do CAF estão a viver no limite, no risco. Até quando será possível aguentarem? Ultrapassa a centena o número de praticantes dos escalões de iniciação e formação e parece que se continua a olhar, só, para o próprio umbigo.
Agora vamos ver como decorrem as coisas para quem muito deu, pensando sempre estar a fazer bem, de si ao clube. O CAF vai ser uma boa recordação para muitos mas, infelizmente, um mar de problemas para alguns.
A opção tomada do recriado Académico tem sempre de ser colocado em causa, por muito que custe a algumas pessoas.
Viseu trocou um Clube por uma equipa.

in Jornal do Centro em 28 de Outubro de 2005

A vitória. . . do Fontelo e do Multiusos


A vitória, esperada, do Dr. Fernando Ruas é o reconhecimento do Concelho pelo trabalho desenvolvido ao longo dos anos à frente da Câmara Municipal de Viseu. Não há dúvidas quanto ao resultado do sufrágio eleitoral do último domingo.
Que seja, também, a vitória do Fontelo e do Pavilhão Multiusos.
No último discurso da campanha eleitoral, o Dr. Fernando Ruas referiu que chegou a altura de dinamizar o Fontelo, agora que as novas infra-estruturas estão quase concluídas. É um desejo de todos os viseenses voltar a ter um espaço de convívio e competição desportiva de excelência.
O Pavilhão Multiusos e o Fontelo vão ser, assim se espera, espaços de referência para todos os beirões. Ver semanalmente jovens de Lamego, Castro Daire, Mortágua, Tondela, Cinfães, etc. a competirem e conviverem com os jovens de Viseu é a melhor forma de desenvolvimento desportivo e social da região.
Valerá a pena começar com os nossos jovens, com as nossas crianças. Viseu tem de ser referência Distrital também no desporto.
Animar a cidade através do desporto é sempre dar cor, alegria, solidariedade. Que muitas e variadas cores se vejam a cruzar no Rossio, no antigo Mercado 2 de Maio, na Feira de São Mateus dos clubes, associações que passam em Viseu para partilharem connosco o que mais gostam de fazer: praticar desporto.
O intercâmbio a nível regional deve ser uma prioridade, assim como deixar o uso dos espaços desportivos preferencialmente para quem durante o ano inteiro, à chuva ou ao sol, ao frio ou ao calor se dedica à prática desportiva. Existe muito trabalho de qualidade, que precisa e merece mais e melhor exposição.
Viseu procura uma identificação desportiva nos dias de hoje depois do que aconteceu ao CAF, pelo que nada melhor que promover o espírito desportivo de crianças e jovens viseenses o tempo se encarregará de criar as melhores alternativas, de fornecer soluções.
A nós cabe equipar os jovens das ferramentas necessárias para um desenvolvimento saudável e harmonioso.


in Jornal do Centro (14 de Outubro de 2005)

AVFC esta é a nova designação que temos de assimilar

O Académico de Viseu Futebol Clube está aprovado. Agora á tempo de o sustentar e fazer crescer.
O projecto que está por trás da génese do clube tem mais adeptos que num primeiro olhar fazia crer. A disponibilidade dos viseenses na consolidação desta colectividade deve ser total.
Durante muitas semanas tive neste espaço o cuidado de levantar questões, de intermediar entre o sócio e a gestão do clube. Pensei, ouvi e lancei ideias para a gestão de um clube. As palavras proferidas não voltam para trás.
Defendi uma forma diferente de clube, apontei como fazer a Formação, o que fazer com as Amadoras, a consolidação da Escola de Futebol Os Vasquinhos, a identificação do Fontelo com o clube, a prioridade de ter uma Sede mais funcional e aberta, a introdução das novas tecnologias e meios de comunicação e informação ao serviço do clube, o envolvimento da Região através de protocolos de permutas de serviços, a criação de um Conselho Academista que reunisse, no máximo, duas vezes por ano e integrado por Instituições e Personalidades das Beiras.
A responsabilização de todos é necessária.
Este fim-de-semana começa o Campeonato Distrital da 1.ª Divisão da AFV que, assim, vê o interesse renovado com a participação do Académico de Viseu Futebol Clube. Que sirva esta participação para levar, ainda, mais gente aos campos de futebol, a um maior e melhor envolvimento de todos os desportistas do Distrito.
Façamos votos de uma época memorável do Futebol Distrital com os atletas e treinadores da «Terra».
Favoritos à subida são todos os que se apresentarem organizados e com alicerces de vencedores. Sobe quem for melhor. Quem não se organizou sairá derrotado.
É assim, que deve ser, o futebol.


in Jornal do Centro (30-09-2005)



Para se chegar à nascente é preciso andar contra a corrente

Quem esteve presente na última Assembleia-geral de Sócios e Não Sócios do Académico de Viseu assistiu a uma reedição das mais concorridas e polémicas das décadas de 70 e 80. O facto ocorrido no início da mesma, e que é do conhecimento público, veio criar um vazio enorme e que não foi devidamente corrigido.
Os elementos presentes na mesa, que dirigiram (?!) a Assembleia, não estavam preparados, nem tinham a capacidade de mobilização necessária na altura de «impor» um novo projecto.
Logo, esta Assembleia deveria ter sido adiada de forma a proteger todo o processo de recriação do Académico. Descuraram a capacidade intelectual de muitos associados.
Foi uma reunião magna muito sui generis e que, lamentavelmente, fica na memória de todos os que estiveram presentes, mesmo daqueles que abandonaram a sala a meio. Houve apenas uma discursata.
Não defendo o processo que foi (?!) votado. Este resolve, talvez, pontualmente, o problema.
Por diversas vezes tenho louvado quem se assume como dirigente associativo, mas tenho dificuldade em descortinar alguém com essa vocação neste cenário Dantesco.
O Clube Académico de Futebol continua a existir. Agora nascem o Académico de Viseu Futebol Clube e o Académico SAD em substituição do Grupo Desportivo de Farminhão e Ac. Viseu SAD. Não se percebeu bem a razão ou razões de fundo desta estratégia, sendo que ao ter sido aprovado o protocolo lido na Assembleia este está legitimamente validado.
Mas… para se chegar à nascente é preciso andar contra a corrente, e é isso que um grupo de sócios se propôs fazer ao questionar, de forma legítima, todo o processo e estratégia em que se assentou esta Comissão Administrativa. As respostas foram poucas ao contrário das hesitações que foram muitas.
O contraditório faz crescer.
Durante anos tem se assistido a Assembleias em que os sócios aprovam tudo que se lhe é proposto. Mais uma vitória destas e tudo está perdido de vez.
Há sempre um optimismo exagerado em cada «nova» solução. O optimista erra tantas ou mais vezes que o pessimista, só que se diverte e anda mais feliz.
Todos temos presente o estado a que as coisas chegaram por se votar um tanto ou quanto às escuras muitas das propostas que têm vindo a ser apresentadas. Considero mesmo que há neste tipo de reuniões magnas, em todos os clubes, manipulação de associados. Vai-se atrás do ideal, do bom orador, do maravilhoso. A realidade tem sido outra em termos de resultados.
O protocolo com o Grupo Desportivo de Farminhão , que se fez representar nesta Assembleia de uma forma discreta, sensata e exemplar, visa haver futebol aos domingos no Fontelo. É pouco. Numa altura em que se caiu no fundo, era mais vantajoso criar um projecto ambicioso que começasse do zero. Assim não entenderam alguns sócios.
O Grupo Desportivo de Farminhão por direito próprio poderia utilizar o Fontelo caso se mostrasse interessado em fazê-lo. A não haver futebol profissional, qualquer dos clubes da cidade e do concelho podem solicitar autorização para a realização dos seus jogos. Não convence esta de querer futebol ao domingo no Fontelo.
Veremos a média de espectadores no Fontelo. E se os resultados, caseiros, não começarem a estar de acordo com as ambições?! Volta-se ao Campo do Viso?!
Juridicamente não posso pronunciar-me sobre a organização criada. Já quanto à sua funcionalidade, estou bastante céptico.
Camadas jovens e modalidades amadoras no CAF, futebol no AVFC, Académico Sad desactivada. Quotas pagam no GDF ou no AVFC. CAF continua sem receber subsídios e comporta as actividades amadoras e camadas jovens!
Na teoria aparece aqui muita mistura, muita confusão.
Espera-se agora que a prática demonstre o contrário, que esta foi a melhor solução para o futebol do Académico de Viseu.
A paciência é uma coisa que se admira no condutor de trás, mas que se detesta no condutor da frente. Cabe-nos gerir esta paciência ou partir para outra.
Claro que se pode pensar num clube melhor, mas este é o que temos e se cada um tem o que merece.

Duas notas para dois acontecimentos positivos que ocorrem esta semana: o aniversário do Académico de Viseu de Genebra (Suiça) e a 1.ª Gala do Jornal do Centro.

Com as participações dos Ranchos de Folclore da Casa do Povo de Via Longa e Tuna Típica do Centro Cultural do Campo - Viseu, o Clube Académico de Viseu em Genebra celebra mais um aniversário nos dias 24 e 25 de Setembro, demonstrando uma dinâmica de vida que nos faz envergonhar. Parabéns aos academistas da Suiça por, ainda, nos fazerem acreditar em valores.

O Jornal do Centro , também está de parabéns, realiza hoje a sua 1.ª Gala. Uma iniciativa louvável que vai distinguir personalidades e Instituições, também, na área do desporto. Os bons exemplos devem ser sempre reconhecidos e parabenizados. Eles estão aí.

in Jornal do Centro em 16 de Setembro de 2005


A gestão do tempo na divulgação da informação cabe a quem dirige

Desde a primeira hora que sou defensor da criação de um novo clube que, por um lado, tivesse na génese o que de bom há no Clube Académico de Futebol e que, por outro, respeitasse a sua história no desporto nacional.
O Sporting Clube de Portugal modernizou o seu emblema; o Futebol Clube do Porto passou a ter a designação SAD no nome e não deixaram de ser os mesmos clubes. Tudo tem o seu tempo e a forma certa de se fazer as coisas.
A região necessita, urgentemente, de uma agremiação desportiva que congregue todo um conjunto de sinergias dos beirões, independente do bairro, aldeia ou vila em que vivem. A unidade faz a força.
Este clube, substituto de um Académico falido, tem de ser o topo da pirâmide do futebol regional. O que acontece agora é o contrário. Triste!
Todos sabemos que as teorias são coisas muito perigosas. Desenhar um clube novo, sem vícios, sem dividas é um projecto aliciante que acredito haver vários viseenses que estivessem dispostos a fazê-lo.
A anterior Comissão Administrativa do CAF propôs a extinção da 3.ª divisão distrital da AFV com o objectivo que ao criar o «clone» do CAF, este começasse a competir na 2.ª divisão distrital, de forma que no prazo de 4-5 anos estivesse no lugar que hoje deixa. Sinal que se trabalhava na criação de um novo clube, na requalificação do Ac. Viseu.
Esta nova Comissão Administrativa optou, no entanto, por outro caminho. Vamos ter de esperar até ao dia 8 de Setembro, data da Assembleia-geral, para sabermos qual a estratégia, qual o caminho que se está a seguir.
Ao que se sabe, e depois de fracassadas todas as tentativas de resolução do caso Paulo Ricardo, a Comissão Administrativa do Académico de Viseu elaborou uma estratégia que tem na base um protocolo com o Grupo Desportivo de Farminhão para que os viseenses não deixem de ter futebol no Fontelo.
Espera-se que a solução que está a ser colocada em prática tenha pernas para andar, e que os responsáveis estejam a interpretar o desejo de toda a região. Eu tenho dúvidas.
O Académico tem de “alimentar-se” dos melhores jogadores que saiam da formação dos clubes da Região. Tem de ser o clube que una todos os outros no mesmo sentido.
Como já referi, o Académico até podia, numa fase transitória, não ter camadas de formação, mas, a tê-las, a equipa sénior tem de ser sempre o principal objectivo para todos os jovens que praticam futebol no Distrito. Caso contrário, o Académico continuará a ser o clube formador que alimenta as equipas da região, com os seus atletas a passarem do Campeonato Nacional da 1.ª Divisão de Juniores, com gastos enormes, para a 1.ª Divisão Distrital da AFV de seniores. Algo está aqui errado!
Contem-se os jogadores que representam o Nelas, o Penalva, o Sátão, o Lamas, que fizeram a formação no Académico de Viseu ! É prestigiante para a formação do CAF ser «fornecedor» a estas equipas de atletas, mas quanto isto custou?! Investimento sem retorno. Muita gente trabalhou com dedicação nesta causa, gratuitamente. Muitos pais contribuíram muito significativamente para a manutenção de todas as categorias a competir, com grande esforço financeiro e de privações de vária ordem. Muito dinheiro foi canalizado para a aquisição de equipamentos, transportes, apoio médico, aluguer de campos, almoços, viagens, etc.
Sabe-se que o Grupo Desportivo de Farminhão vai poder jogar no Fontelo, equipará, provavelmente, com cores do CAF em alguns jogos, será reforçado com meia dúzia de ex-juniores do Ac. Viseu. Onde termina um clube e começa o outro?! Pronunciaram-se os sócios dos dois clubes sobre este protocolo?! Determinaram-se as consequências para os dois clubes?! Que exigências vão ser pedidas ao Grupo Desportivo de Farminhão?!
Em troca, Farminhão seria valorizado com um sintético, cobertura da bancada nesta parceria. Mas quem assegura isso?!
A Câmara Municipal?! Os Repesenses esperam esse sintético (tem 5 equipas federadas), FC Ranhados igualmente, Viseu e Benfica, Lusitano são outros clubes que têm várias equipas a competirem nas diversas categorias.
O Académico de Viseu tem funcionários, tem despesas enormes com as equipas de formação, quais as receitas que vão dar resposta a isto? E os processos em tribunal? As dívidas a ex-profissionais do clube desaparecem com a desistência na participação da equipa no campeonato nacional da 2.ª divisão? A quem é responsabilizado o pagamento da multa de 5.000 pela não participação no Campeonato, depois de já se ter realizado o sorteio?!
Estas e outras questões serão certamente feitas na próxima Assembleia-geral do Clube e para todas elas haverá respostas.
Aí as dúvidas serão dissipadas. A gestão do tempo na divulgação da informação cabe a quem dirige, da forma que melhor defenda a aplicação da estratégia delineada.
Acredito que as pessoas que estão na gestão do futebol academista, que tudo têm feito para não deixar morrer o Clube Académico de Futebol, visam encontrar soluções que, a curto prazo, rendam ao futebol viseense o voltar a competir nos Nacionais. visam encontrar soluções que, a curto prazo, rendam ao futebol viseense o voltar a competir nos Nacionais.
Torço para que esta estratégia valorize o futebol regional, caso se venha a concretizar.
O caminho que preconizo era outro, mas serei um apoiante de todas as iniciativas que ocorram na Região que valorizem o desporto, o desportista viseense.
O CAF pode ser requalificado noutro clube.
Para mim “chegava” uma agremiação desportiva de âmbito regional chamado Académico de Viseu. Prescindo da designação de clube e da modalidade para que está mais vocacionado, o futebol no nome do clube.

in Jornal do Centro em 02 de Setembro de 2005

Um clube em Viseu é viável em termos desportivos e financeiros

Escrevo este artigo numa semana marcado pelo suspense da participação do Académico de Viseu no Campeonato Nacional da 2.ª Divisão B. A confirmar-se a extinção do futebol sénior do CAF um vazio nasce em todos os Beirões.
Hoje já pouco interessa como foi possível chegar a esta situação. Não vai resolver nada as lamentações.
Os erros cometidos ao longo de décadas foram muitos e agora resta aprender com eles e não os repetir. Muita gente se envolveu na resolução de um caso que se tornou fatal para o Clube mas que, infelizmente, não é o único. É o mais visível.
O Académico de Viseu é um dos clubes que esta época desiste da competição no escalão sénior. Muitos mais vão acontecer.
Em Março deste ano a Comissão Administrativa alertou para o facto de o clube não ter alternativas no que a receitas diz respeito. Criou mesmo uma situação, que para muitos foi alarmista e despropositada. Afinal havia razões para tal.
Todos somos conhecedores da impunidade que reina neste país, na desorganização e funcionamento do futebol nacional. Ganhar é a única razão da existência dos clubes e muitas das vezes os meios justificam os fins. Algum adepto exige qualidade nos espectáculos desportivos?! Não, se a sua equipa ganhar. Mesmo que seja com um golo marcado em fora de jogo e com a mão!
Existem, na minha opinião, clubes a mais em Portugal. Campeonatos sem competitividade. Estrangeiros em demasia.
Requalificar o CAF num clube regional representativo das Beiras é, ainda, para mim a melhor e única solução. São 5 a 6 anos de deserto que podem ser um investimento de grande rentabilidade desportiva depois desta travessia.
Um clube em Viseu é viável em termos desportivos e financeiros com um plantel sénior constituído, na sua maioria, por jogadores dos escalões de formação e reforçado com os melhores que os outros clubes do distrito produzem. Se juntarmos a este grupo 4 a 5 jogadores que sejam as mais valias estão criadas as condições para se triunfar no futebol nacional.
Porém a mentalidade existente no seio dos clubes, treinadores e dos atletas da região também terá de mudar. Jogar no “Clube da Terra” é, também, uma causa.A participação de todas as Instituições com o novo clube será sempre positivo para todos. A permuta de serviços é hoje um factor relevante de desenvolvimento.
As Câmaras Municipais são hoje as maiores financiadoras dos clubes. Este financiamento deve ser feito de uma forma transparente mas, e acima de tudo, tem de haver uma fiscalização permanente na aplicação que se faz com esse dinheiro.
Os clubes de futebol são hoje os grandes embaixadores das suas localidades. Portugal é um País que tem de se virar muito para o Turismo, pois a Agricultura, Comércio e Indústria estão numa situação de falência. Mudar mentalidades leva o seu tempo. O desporto e a cultura são a base de uma vida de qualidade.
A Câmara Municipal de Viseu tem de ter um Departamento de Desporto com uma equipa motivada e dedicada. A promoção do Concelho passa muito pelo que esta equipa possa fazer nos próximos anos. Um projecto desportivo ambicioso urge.
Um clube da cidade bem estruturado e organizado enquadra-se no desenvolvimento desportivo da região. Acabou o tempo dos amadorismos.
Os dois últimos jogos das Selecções portuguesas em Viseu (sub 18 e sub 21) tiveram o Fontelo quase vazio. Oportunidades perdidas ou desinteresse dos viseenses pelo futebol?! O Fontelo tem um novo espaço desportivo requalificado. O campo de futebol de 7 sintético é um orgulho para todos nós. Não interessa falar em timings o importante é que é deste tipo de instalações desportivas que as nossas crianças e jovens necessitam. É preciso reconhecer que o Fontelo, desta vez, foi valorizado por esta obra. A cidade ficou a ganhar.
Que os Carlos Lopes, as Carolinas Peres, Os Fábios não tenham mais que migrar para praticar desporto de alta competição.
Este fim de semana joga-se em Coimbra um Académica de Coimbra - Benfica para a Super Liga. Alguém tem dúvidas de qual seria a adesão de um jogo destes em Viseu que colocasse o Ac. Viseu e o Benfica na 1.ª jornada da Super Liga?!
Que o futuro nos surpreenda pela positiva, é o desejo de todos nós que gostamos de desporto e estamos inseridos nesta actividade tão bonita e saudável.

in Jornal do Centro de 19 de Agosto de 2005


Bela esperança, a minha

Bela esperança, a minha.
Na vida temos sempre as opções de sermos arriscados, ousados ou de sermos realistas, credíveis. Ambas podem, no entanto,ser compatíveis quando a base de sustentação é forte. Podemos sempre investir mais, mesmo correndo o risco de perder, mas nunca de forma a colocar em causa a vivência de uma Instituição, de pessoas.
O Académico de Viseu deslumbrou-se em décadas anteriores com os feitos desportivos alcançados e caiu na tentação do risco, da ousadia. Esqueceu-se muitas das vezes de ser realista, de saber até onde podia ir.
Sabemos, hoje, que não só o Ac. Viseu cometeu estes erros. O mal é de todo um País. As facilidades são muitas. A irresponsabilidade, a impunidade alastrou-se em demasia. O futebol português está cheio de casos de clubes que não pagam salários, que não pagam a fornecedores, que não pagam impostos, etc.
Defendo a responsabilidade colectiva de toda uma região que tem de exigir qualidade de vida e em que o desporto e cultura são bens essenciais.
Durante o primeiro semestre deste ano o Ac. Viseu viveu na expectativa dos resultados da equipa sénior do clube. Eram estes que decidiam muito do presente e futuro do CAF.
Entretanto duas sensibilidades se foram formando. Os que defendiam uma intervenção clara e definida sobre que Clube a Região queria, e aqueles que deixaram andar para ver até onde se ia.
Atrasou-se todo um processo. Esperemos que ainda se vá a tempo.
Entre a continuidade do Académico de Viseu e a «requalificação» num novo clube, a primeira escolhaé a que mais agrada a todos os viseenses. Um grupo de associados interpretou essa vontade e criou a bela esperança de limpar o clube financeiramente e credibilizá-lo. As Beiras têm mais uma oportunidade de demonstrarem se é mesmo para valer o acompanhamento que têm feito da vida do clube nos últimos meses. É nas grandes tormentas que se vêem as grandes coragens.
Esperamos assim que tenha esta Comissão tido um bom começo, pois seria já meio caminho andado. Mas não louvemos o dia enquanto o sol não se puser.
O Académico de Viseu está hoje mais aberto, mais vivo. A cidade e a região estão agora sensibilizadas e motivadas a apoiá-lo. A presença de cerca de uma centena de associados na última Assembleia é sinónimo de vitalidade e de um clube com história.
A isto muito se deve a abertura que a anterior Comissão teve. Trazer o clube para o Rossio, tirá-lo de uma rua escondida atrás da Sé, foi das melhores opções que se teve. Ainda alguém tem dúvidas que o Académico precisa de uma Sede visível no centro da cidade?! Que precisa de ser vista diariamente por todos os cidadãos?! Quem dirige o clube não é nenhum grupo marginal que se reúne às escondidas para conspirar. É preciso devolver o clube à região e as iniciativas da última Comissão Administrativa foram o primeiro passo. A não deixar morrer.
A página, não oficial do clube, na Internet tem a particularidade de ter um Fórum em que muitos academistas, de todo o mundo, têm sugerido acções bastantes interessantes. Criar com a Escola Superior de Tecnologia de Viseu um site interactivo e moderno é a proposta de um associado. Interessante.
Criar protocolos que permitam a intervenção de alunos das Instituições de Ensino Superior da cidade e das Escolas Profissionais é sinónimo de novas ideias, de novos projectos.
As tecnologias e multimédias, a comunicação social, o marketing, as relações públicas, a enfermagem são campos que uma parceria trazia vantagens a todos.
Os elementos que saíram do Académico tiveram perspicácia e trabalharam com dignidade. Disseram não agora?! É melhor um sincero não, que um falso sim.
A minha relação acabou esta época também. Saio engrandecido e devedor. Fui recebido de braços abertos e estive, como só sei estar, com dedicação e envolvido na resolução de todos os problemas que se me apresentaram.
Retribuí como posso e sei. Mas este foi um ciclo que se fecha. Saio de consciência tranquila, não limpa, porque foi usada. Só pode ter a consciência limpa quem nunca a usou.
Já não há lugar a ingenuidades. O bom rapaz acaba sempre em último e sem nada!
A esta nova Comissão Administrativa muito se lhe vai ser exigido. Espera-lhe um monte de desafios. Que os academistas se unam, é preciso um grupo alargado na gestão quotidiana de todo o clube.
A Escola de Futebol Os Vasquinhos, as Escolas, os Infantis, os Iniciados, Os Juvenis, os Juniores e os Seniores, só no futebol estão envolvidos centenas de crianças e jovens. Estes vão-lhe ficar agradecidos, eternamente, por lhes proporcionarem a prática do futebol no clube que aprenderam a amar.
Há, ainda, esperança. É bela.

in Jornal do Centro (05 de Agosto de 2005)

Académico de Viseu: Entre o clube e a SAD

A época 2005-2006 continua a ser uma incógnita no que respeita à participação do Académico de Viseu nos respectivos campeonatos. As Assembleias realizadas este mês, do Clube e da SAD, tiveram desfechos idênticos com o assumir da inscrição do clube nas provas, mas sem certezas de haver equipas para competirem.
O adiamento sucessivo na tomada de decisões que solucionassem as crises de ambas, pendurado na obtenção de resultados desportivos dos seniores do clube, levou a que não haja neste momento plantel para disputar o campeonato nacional da 2.ª B e que não se saiba em que moldes se vai participar nos campeonatos de formação.
A preocupação quanto ao futuro imediato do Académico é enorme e começa a ter contornos dramáticos. De positivo, só a mudança na mentalidade das pessoas que já assimilaram que por vezes é preciso alterar, mudar qualquer coisa, sem que isso signifique o fim do que quer que seja.
O Clube está dividido em 2 fracções, os que defendem a continuidade do Ac. Viseu nos moldes actuais e os que propõem uma solução radical. A razão deverá no entanto prevalecer. E essa diz que tem de haver uma inversão nos acontecimentos.
A emoção já não é solução. Estamos no Século XXI, era de profissionais e dos melhores. Quem não os tiver perde.
A mobilização que se está a gerar em volta do Académico tem de ser acompanhada por quem tem responsabilidade política e desportiva. Tenho dito e defendido que o subsídio dependência não resolve nada, mas a conjugação de forças, a partilha de meios favorece a todos. Reinar para dividir, não.
Verdade que o Académico de Viseu precisa de dinheiro, mas acima de tudo precisa de uma organização nova, moderna que possa gerar receitas. De pessoas com ideias novas e realistas. Tem de haver um orçamento, um plano de actividades. Que se cumpra.
Não se percebe como foi possível entregar o Ac. Viseu SAD a uma empresa sem se acautelarem os termos em que era feito. Ouvimos mesmo dizer que agora é que o clube estava bem entregue, a gente que percebia de futebol, do meio.
Não tenhamos dúvidas sobre as capacidades de gestão de quem estava à frente da SAD, mas tenhamos dúvidas sobre a estratégia montada. Jogadores com salários elevados, as despesas não foram controladas, as receitas não apareceram. Com este cenário as dividas aumentaram muito e a responsabilidade é de quem?! Dos sócios?! Dos accionistas?! Dos ex-administradores e directores?! Ou de todos?
Agora somos confrontados com a saída desta empresa do Ac. Viseu SAD deixando para trás ordenados por pagar aos «seus» profissionais. O caso Paulo Ricardo bloqueou toda uma estratégia de sucesso?! Não parece que tenha sido só isso.
No futebol os êxitos desportivos estão muito ligados ao sucesso financeiro dos clubes, mas não se pode deixar cair uma Instituição porque perde um jogo. Quando vamos para o campo temos de estar preparados para vencer ou perder, temos de ter o trabalho de casa feito.
Entre o Clube a SAD as diferenças são poucas. Mas uma faz toda a diferença: os 91 anos de um para os cinco da outra.Assim sendo, o mês de Julho de 2005 está a ser o de todas as decisões, só porque não se pode adiar mais. Pena que tenha de ser assim. Que tenhamos de ter vindo ao fundo…
Foi preciso ver sair todos os profissionais do clube, mesmo aqueles que fizeram a sua formação no CAF, para se tomar consciência que o Clube estava a afundar-se de vez. Profissionais que o Clube formou e tem de orgulhar-se deles. Sempre.
O Académico de Viseu é, e vai continuar a ser, o clube mais representativo da Região, o clube que coloca todas as suas equipas nos patamares mais altos dos campeonatos nacionais de jovens. Não é, por isso, altura de virar costas a estes jovens, de defraudar mais expectativas que as que já foram.
O Fontelo continuará, quando e como ainda pouco se sabe e tem sido dito, a ser o local de convívio e competição dos jovens viseenses.
O Académico de Viseu vai estar presente no IBERROCK. Aqui está uma boa ideia de participação do clube na vida da cidade. Na vida da juventude. São nestas iniciativas que o Académico tem de estar sempre presente, de ser um parceiro privilegiado.

in Jornal do Centro 08-07-2005

Aí estão as (in)decisões, e agora?!

Dia 1 e 4 do mês que vem (Julho) realizam-se as Assembleias de Sócios e de Accionistas do Clube Académico de Futebol e do Ac. Viseu SAD, respectivamente. Em Março deste ano, neste mesmo espaço, afirmei que não houve inversão dos acontecimentos na Assembleia Geral do Clube realizada por essa altura e que extremou as posições.
Houve um adiamento e a coragem de um grupo de academistas que em consonância com seccionistas, técnicos se comprometeu a levar o clube a acabar a época desportiva. Cumpriram-no. Nada mais se processou entretanto.
A época desportiva 2005-2006 está a iniciar-se em termos burocráticos (inscrições) e o clube e SAD continuam nas indecisões, nos adiamentos de resoluções.
Este fim-de-semana o Clube mostrou bastante vitalidade e despertou o interesse e atenção de todos os academistas e viseenses em geral. As 1.ªs jornadas de Reflexão e o 1.º Torneio de Futebol Jovem foram iniciativas de sucesso. Esperemos que não tenham vindo tarde demais. As Jornadas tiveram a presença de, cerca de 50, viseenses ilustres e com responsabilidades que puderam, no espaço próprio, reflectir. As opiniões são todas interessantes e importantes, mas têm de ser responsáveis. E aqui, nas Jornadas, foram-no. As pessoas assumiram as suas posições, não houve fugas para a frente.
Mas há faltas que se fazem sentir, pois a presença de todos os ex-corpos directivos, de ex-jogadores, ex-treinadores faziam todo o sentido quando além da reflexão estava a comemoração do 91.º aniversário do clube. Também quem se candidata a cargos de responsabilidade politica devia ter opinião sobre o Académico e fazer-se presente. O Clube é da região. De todos.
No Salão Nobre da Associação de Comerciantes do Distrito de Viseu houve várias sensibilidades, sendo comum que a todos entristece o ponto a que chegou o Académico de Viseu, divergindo no futuro do mesmo. Se para alguns o valor das dívidas é inultrapassável e condiciona sempre o clube, para outros o Académico deve sempre sobreviver a esta crise mesmo que tenha de baixar mais em termos desportivos.
Mas esta seria já a altura de estar em marcha o projecto que se pretende e não ainda andar a discutir, a reflectir. O tempo escoa rapidamente.
Mais que o Académico, Viseu precisa de um projecto desportivo de qualidade, de técnicos de desporto que no «campo» coloquem um projecto de desenvolvimento harmonizado que una o desporto de lazer com o da competição. Talentos existem. Espaço desportivo também o há. Crie-se o cronograma, escolham-se as modalidades e desenvolva-se o desporto viseense. Quanto ao Académico o regresso ao amadorismo, a aposta na formação e nos jogadores que ela faz, já há muito devia ter sido feito. A crise é para todos e a queda começa a ser em efeito dominó…. Quem primeiro a combater, melhor preparado vai estar quando o rigor e a coragem política desportiva apertar.
Esta semana o Sindicato dos Jogadores Profissionais veio alertar para o estado actual das finanças dos clubes. Se na 1.ª Liga os jogadores não recebem os ordenados há meses, imagine-se o que vai pelos campeonatos fora.
A SAD do Académico de Viseu também ela continua em crise profunda. Esta época serviu, ao que se julga, para aumentar o passivo e pouco mais se pode dizer. Juridicamente o Ac. Viseu SAD tem muito para tratar e ser tratado.
Esta semana ficou a saber-se que o Ac. Viseu SAD precisa de 300 mil euros a curtíssimo prazo, para inscrever a equipa. A divida total são 500 mil euros!!! A Administração está demissionária. A Gestifute deixou a Sociedade Anónima. Mais um ano se passou e o Ac. Viseu regrediu mais uma vez.
Volta a SAD às mãos dos viseenses? Volta o Clube a ficar com a gestão do futebol sénior? Quais as mais valias que ficam da época que acaba? Valerá a pena adiar um tratamento de choque e viver com a realidade?!
Os primeiros dias de Julho, com a realização das duas Assembleias, vão ser decisivas, porque agora o tempo escoou.O desenvolvimento sustentado do Académico vai ter de ser perspectivado a médio, longo prazo. Agora há que respeitar acordos e motivar dirigentes a comandarem um Académico diferente, mas que pode ser orgulho da Região.
O Torneio de Futebol Jovem Académico / Piaget realizado também este fim-de-semana, foi um sucesso. E tinha de ser. Quando se trabalha com profissionalismo, qualidade e dedicação na organização de eventos que mexam com as crianças e jovens, o êxito é tremendo. Para muitos foi o primeiro contacto com relva, para outros a primeira vez que dormiram fora de casa, sem ser com os pais. Estes participantes nunca mais vão esquecer o Académico, o Fontelo, Viseu. O convívio saudável foi sempre por demais evidente.

in Jornal do Centro (24-06-2005)


Nos 91 anos de existência
Académico na linha avançada

Na continuação das comemorações do 91º aniversário do Clube, a Comissão Administrativa do Académico de Viseu preparou alguns eventos que julgo ser de grande importância e significado.
Os tempos são de mudança e quem não tiver a perspicácia de prever e preparar o futuro não vai mais conseguir sobreviver. Pois viver há muito que os clubes o deixaram de fazer.
Há, felizmente, bons exemplos em outras actividades que devem ser trazidas para o desporto, para uma gestão desportiva moderna. Um slogan utilizado por uma força partidária pode ser «adaptada» pelo Clube e trazer o Académico de Viseu para o Rossio.
É que sendo este o espaço cartão de visita da cidade, ponto de passagem obrigatório de todos, é aqui que o Ac. Viseu se deve fazer ver e sentir da sua existência. Não se deve esconder nem ser o feudo só de alguns.
Campanhas de sensibilização como «EU SOU ACADÉMICO» devem estar presentes no dia-a-dia de todos os beirões, fazer parte da sua vivência quotidiana. A Instituição é de todos e devemos ter isso presente. Numa altura em que a politica desportiva do CAF tem de ser repensada e organizada para enfrentar um futuro que não se antevê fácil, é no valor institucional que se deve acreditar e apoiar.
Há gente de valor com vontade de servir o clube. Chamem-nos.
A Imprensa regional mais que uma vez mostrou disponibilidade para divulgar, debater o Académico. Porque não utilizar esta via tão importante para o fazer?! O Académico aparece muitas das vezes na Imprensa pela parte mais negativa do clube porque nunca, me parece, os seus dirigentes souberam comunicar com os viseenses. Hoje é importantíssimo ter profissionais da área da comunicação que trabalhem com as Instituições, Empresas, Associações. Trabalhar a imagem é meio caminho andado para o sucesso individual ou colectivo.
«NA LINHA AVANÇADA» é outro slogan que o clube adopta ao aparecer junto dos eventos empresariais e comerciais. Estar presente, dar a cara, assim consegue-se transmitir que o clube está vivo, que existe.
Os resultados destas campanhas estão a ser bastante satisfatórios criando mesmo nas pessoas a indignação do porquê de o Clube ter estado ausente, de se ter isolado.
A formação no Académico de Viseu é de grande qualidade. Os resultados são óptimos perante todos os condicionalismos e se quem dirige souber captar novos valores aproveitando a credibilidade que o clube tem nesta área, ainda pode melhorar muito.

Dia 17 de Junho o Clube realiza as suas 1.ªs jornadas de reflexão e começa logo a ser feliz com o local que escolheu: o Salão Nobre da Associação Comercial de Viseu no centro da cidade, depois porque reunir os academistas sem ser para lhes pedir dinheiro, mas «só» para virem viver o Académico. Apagar as velas do 91.º aniversário. A confirmar-se a presença das Entidades politicas, desportivas, associativas, culturais, ex-atletas, ex- treinadores, sócios… será na certeza um dia que marca positivamente o clube.

Dia 18 de Junho o 1º Torneio Infantil do Académico de Viseu no estádio do Fontelo com a participação de 30 equipas que vão movimentar cerca de 400 atletas. Assim todos vão apoiar o Académico de Viseu, assim vale a pena dizer «EU SOU ACADÉMICO».
O Clube não é só aquela nossa equipa que ao domingo de quinze em quinze dias joga no Fontelo. Vai muito mais além disso. Perguntem ao cerca de 500 atletas que o clube tem. Aos treinadores/formadores do futebol de iniciação e formação, aos elementos das outras modalidades.

O passado deve ser lembrado e debatido, se houver responsáveis que assumam, mas não é nesta altura a prioridade do clube. É o seu futuro. Os seus jovens.
Se a receptividade dos viseenses já tem sido boa ao contacto que a Comissão Administrativa tem feito no sentido de lhes pedir colaboração para a resolução dos problemas que condicionam o quotidiano do Académico, com este tipo de iniciativas vão reforçar a adesão de todos os beirões.
Fazer agora a escolha certa vai relançar o Académico. Pode demorar anos, mas será uma construção sólida e de orgulho para todos.

Por fim, não tem sido todos os dias que podemos falar do Clube pela positiva, por estar a fazer a diferença pelo objectivo que foi criado: ser o clube da região.
Hoje realiza-se, no Fontelo, um jogo que reúne muitos dos melhores profissionais portugueses. Espera-se uma festa bonita.
Este evento é a prova de que é possível fazer movimentar a região através e pelo Académico. A organização deste jogo é de um empresa na área do marketing e comunicação desportiva, prova do quanto é importante este tipo de associação em termos empresariais.


in Jornal do Centro (10-06-2005)

Antes dos 14, já fora do jogo… e da infância

O futebol forma cada vez mais cedo – e descarta ainda mais depressa. Entre o investimento e a realidade, há um sistema que continua a falhar...