sexta-feira, 14 de agosto de 2026

300 ações depois: o que aprendi sobre os pais no desporto português


Quando iniciei este caminho no âmbito do Educar o Sonho e como Embaixador do Plano Nacional da Ética no Desporto, acreditava que a minha missão seria, acima de tudo, partilhar conhecimento.

Hoje percebo que também aprendi muito.
Depois de cerca de 300 ações realizadas em clubes, escolas, associações, autarquias e federações, encontrei milhares de pais, treinadores, dirigentes, professores e jovens atletas. Contextos muito diferentes, modalidades distintas, realidades diversas.
Mas, no fundo, todos procuravam responder à mesma pergunta:
Como podemos ajudar uma criança a crescer através do desporto?
Ao longo deste percurso retirei algumas aprendizagens que hoje considero essenciais.
A primeira é que a esmagadora maioria dos pais quer fazer o melhor pelos seus filhos. Os erros raramente nascem da falta de amor. Nascem da ansiedade, das expectativas, do medo de falhar ou da vontade, muitas vezes desmedida, de proporcionar oportunidades.
Aprendi também que as palavras dos pais têm um impacto muito maior do que imaginam. Uma frase dita no caminho para casa pode marcar um atleta durante anos. Para o bem… ou para o mal.
Percebi igualmente que continuamos, demasiadas vezes, a dar mais importância ao resultado do que ao processo. Perguntamos "Ganhaste?", quando talvez devêssemos perguntar "Gostaste?", "O que aprendeste hoje?" ou "Do que te sentes orgulhoso?".
Outra evidência é que existem culturas desportivas diferentes. Ao longo destas centenas de ações, realizadas maioritariamente no futebol e no futsal, mas também noutras modalidades, encontrei contextos muito distintos. Sem generalizações, há modalidades onde a pressão parece ocupar menos espaço e onde é mais fácil reconhecer a essência do desporto: aprender, respeitar, cooperar, superar-se e crescer.
Reforcei ainda a convicção de que treinadores e pais não podem ser adversários. Quando caminham na mesma direção, a experiência desportiva das crianças transforma-se profundamente.
E, acima de tudo, confirmei que a ética não é um tema acessório. É a base de tudo. Sem respeito, integridade, responsabilidade, inclusão e verdade desportiva, podemos formar atletas talentosos. Mas dificilmente formaremos boas pessoas.
Depois de cerca de 300 ações, continuo a acreditar que o desporto é uma das mais poderosas ferramentas de educação que temos. Não porque produz campeões, mas porque pode ajudar a formar cidadãos mais resilientes, mais solidários, mais responsáveis e mais felizes.
As medalhas perdem o brilho.
Os resultados ficam nas estatísticas.
Mas a forma como um adulto faz uma criança sentir-se durante o seu percurso desportivo permanece para toda a vida.
É por isso que continuarei a defender que o maior legado que podemos deixar no desporto não são títulos.
São pessoas.
Agora que mais uma época desportiva chega ao fim, desejo a todos os atletas, pais, treinadores, dirigentes, árbitros e professores umas excelentes férias.
Aproveitem este tempo para descansar, brincar, rir, estar em família e criar memórias que nenhuma classificação conseguirá superar.
Porque, no fim de tudo, o verdadeiro sonho não é apenas formar melhores atletas. É formar melhores pessoas.
Boas férias! ☀️💙

Vitor Santos | Embaixador do PNED
Educar o Sonho

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