quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Prémios

O Mundial de futebol 2006 acabou. Para os portugueses será sempre lembrado como um momento feliz e, quase, irrepetível em próximos campeonatos.
A selecção portuguesa foi a melhor equipa no conjunto das duas, últimas, principais provas de futebol: Europeu 2004 e Mundial 2006. A gestão de Scolari veio a demonstrar ser correcta e não pode ser beliscada por uma ou outra opção técnica/táctica com a qual não concordamos.
O prémio de um profissional de futebol é actuar com sucesso nas maiores competições mundiais. O facto de ser profissional implica que receba uma compensação financeira pela sua participação e consoante os objectivos alcançados. Não se justifica, nesta altura, uma isenção fiscal.
Mas, no futebol, já nada nos surpreende. A ditadura da FIFA ficou bem patente na escolha dos melhores jogadores do Mundial, na gestão das conferências de imprensa, nos flash interview de Blatter.
E como o exemplo vem de cima!
O Mundial de futebol é passado e agora é época de centrar as atenções nas competições internas. Para o adepto do desporto regional a leitura da entrevista do Prof. Rui Caçador ao jornal desportivo regional é, quase, obrigatório. É que parece que mais pessoas defendem a identificação entre a região e o seu clube.
Ser-se, exclusivamente, de um clube de Lisboa ou Porto é sustentar os filhos dos outros. A sociedade em que estamos inseridos, onde os nossos filhos estudam, jogam, divertem-se é a que devemos patrocinar, tornando-a melhor e diversificada.
Mas cada um premeia quem quer.

13 de Julho de 2006

Académico

Aguarda-se com alguma expectativa e muita curiosidade a apresentação da nova época do Clube e o projecto que a ela vai estar associado. Hoje, pouco sabemos de quem vai estar dentro do clube, e quais as ideias que vão orientar este novo ciclo.
É este o clube que Viseu vai adoptar para sua referência e como seu emblema?! Então é preciso clarificar muita coisa. Precisa cativar as pessoas, motivar os adeptos, despertar as paixões…
Não repetir os erros do passado será certamente já uma boa regra de partida na nova época. Este, AVFC, foi o projecto escolhido, agora quem o protagonizou e quem o apoiou têm de o levar em frente com frontalidade, rigor.
Vamos acreditar que o silêncio a que o Clube se remeteu é estratégico, que se está a estruturar, a organizar para que quando surgir a apresentação tudo esteja perfeitamente definido e com rumo certo.
Sendo actualmente a gestão de um clube uma tarefa profissional e exigente, é também um trabalho de equipa, sem deixar de, em paralelo, assumir um apontamento pessoal de quem o coordena.
A tudo isto importa somar a imagem, sobretudo a “boa imagem social”, sustentada em rigor, valor desportivo, formação física e humana dos atletas, em síntese, a imagem das boas práticas e dos bons princípios, valores fundamentais na opinião que as pessoas têm ou constroem de uma Instituição.
Defini-la e comunicá-la é construir, por um lado, um capital de confiança com base no valor da Instituição na sua competência e, por outro, um capital de simpatia, permitindo à Instituição ser escolhida, apreciada, defendida e sobretudo respeitada.
Olhar e acreditar no que se vê. Não há quem resista ao exame de uma atenta observação, e o trabalho de um ano pode perder-se na distracção de um minuto. Como diria o filosofo Jean Jacques Rousseau, “a falsidade é susceptível de uma infinidade de combinações, a verdade só tem uma maneira de ser.”
O tempo ditará se mereceram o benefício da dúvida, que para já se aposta no Clube!
28 de Junho de 2006

Força Portugal

Estamos em época de Mundial. As opções de Scolari continuam a ser postas em causa. Num país que se diz, e é, democrático é natural que os responsáveis respondam pelo seu trabalho.
Mas a primeira explicação que se devia dar é como pode o Seleccionador de um pequeno e pobre país como Portugal ser o terceiro mais bem pago da prova. Nem os colossos alemães, franceses, espanhóis com economias superiores à nossa pagam tanto a um treinador. Mas de quem é a culpa?!
Apoiar Portugal é um acto que não implica aprovar muito do que se faz na FPF. A Federação Portuguesa de Futebol e as Selecções Nacionais parecem ser duas instituições diferentes, em que uma é a desorganização, a pobreza e a outra a riqueza, a excelência da qualidade.
O facto da nossa selecção ser constituída por emigrantes não deve constituir qualquer problema, o que aqueles que jogam cá, em clubes com défices enormes, ganham…é que pode ser preocupante.
Quanto a Scolari, um treinador não tem de se pronunciar sobre quem não trabalha com ele. Não se entende a histeria à volta da negação do Seleccionador por não falar sobre quem não selecciona. Mal do treinador que tenha de dar satisfações publicas de todos os atletas que não convoca. Fala sobre quem está.
Confunde-se pedido de responsabilidade com as exigências de justificações para a não convocação do Baía, do Moutinho, do Tonel, do Ricardo Rocha, do João Tomás, do Quaresma, etc.
Scolari tem perfil de treinador. É líder, é disciplinador. É campeão do Mundo.

16 de Junho de 2006

Tributo à MULHER

A Selecção Nacional de futebol, quer se concorde ou não com as opções de Scolari, tem demonstrado uma faceta diferente do Ser Português. E não são os homens a mostrá-lo…são as mulheres… são Elas (e não eles) quem tem dado um bom exemplo de como se estar no futebol!…



Selecção Portuguesa de Futebol Feminino

E não acredito que elas gostem de perder, de ver a sua equipa derrotada. A verdade é que dão é muito mais valor ao espectáculo, à festa, à cor. Divertem-se e enriquecem-se.
O desporto, assim como a vida, não é só de uma cor. É muito mais do que isso. A sua policromia consiste na alegria, na festa, na diversão, no convívio… no fazer dos jogos um tempo e um lugar de encontro para as famílias.



Neide Simões

Mas -porque há sempre um “mas”- sabemos que no futebol nacional dificilmente alguém se diverte. Mas podem bem servir de exemplo os jogos da selecção para que quem “manda”, veja que o caminho que o futebol português vem trilhando ao longo dos tempos é o da falência, do fraco espectáculo, do cinzentão monocromático, onde vale mais haver apitos dourados, valorizar a vitória da nossa equipa mesmo sem o merecer, mesmo com a «ajuda» externa, mesmo sem se saber como e porquê. Se é isto o mais importante… não contem com as famílias nos espectáculos desportivos.
Mas este não é um momento dedicado aos homens (a esses a quem tudo é permitido por “amor ao futebol). É antes um Tributo à Mulher, ao colorido com que cada uma pinta os estádios: o verde esperança, o amarelo sensível e o vermelho paixão!
Subscrevo de alma e coração esta faceta de se estar no desporto.

in Jornal do Centro de 31 de Maio de 2006

Futebol do Distrito tem balanço positivo

A época futebolística 2005/06 chega ao fim. As equipas do Distrito de Viseu nos campeonatos nacionais tiveram uma participação bastante positiva.
Cinfães e Tarouquense desceram aos distritais o que já vem sendo habitual para as equipas, do Distrito, que caiem na série B da 3.ª divisão. Penalva do Castelo e Lamas de Castro Daire foram os clubes que atingiram os seus objectivos atempadamente, fazendo uma época tranquila.
Os pupilos de Carlos Correia tiveram mesmo a subida de divisão no horizonte. Bastante positiva a época para estes dois clubes.
O Nelas e Tondela não começaram bem a época, mas nunca passaram por grandes sobressaltos, havendo sempre a ideia que estes clubes se manteriam nas divisões que disputam O Sátão foi a última equipa a garantir a permanência. As dificuldades dos satenses são conhecidas e a manutenção é já por si uma vitória.
Nas divisões distritais Santacombadense, Viseu e Benfica e Carvalhais foram as equipas mais fortes. Sérgio Nunes em Santa Comba andou sempre no primeiro lugar, marcando posição desde o início da época.

Sport Viseu e Benfica
A subida do Viseu e Benfica é um facto que se saúda. A presença dos viseenses na principal liga do futebol distrital vem alargar as perspectivas de futuro a muitos jovens atletas e volta a trazer ao Fontelo a rivalidade, saudável, entre este clube e os demais do Concelho.
Eduardo Álvaro no Carvalhais conseguiu a subida de divisão numa série sempre difícil e bastante disputada
Desportivamente os resultados são positivos.
in Jornal do Centro de 17 de Maio de 2006


O bom senso é tão raro quanto o rigor

Continua a divulgar-se diariamente a má situação económica do país. Os últimos dados da Eurostat não deixam dúvidas: Portugal continua o país da UE com mais desigualdades.
Os debates têm sido meramente teóricos no que respeita ao rigor que faça cumprir as medidas e fazer crescer a economia nacional. Na prática continua tudo na mesma.
O desporto é um exemplo da falta de rigor na gestão das contas, no protagonismo saloio ainda patente no dirigismo nacional. Os exemplos são muitos e variados e esta semana vieram na comunicação social dois desses.
Portugal fez-se representar nos Jogos Olímpicos de Inverno 2006, realizados em Itália, com um atleta e seis (!!) dirigentes. Não se percebe para que são precisos 6 pessoas a dirigir 1, que até obteve uma miserável qualificação. Outro mau exemplo é o Secretário de Estado da Juventude e Desporto que no portal da Internet, da Secretaria que lidera, aparece em mais de 60 (!!) fotos de todas as formas e feitios. Feira das vaidades paga pelos contribuintes.
São factos como estes que nos desmotivam, num país em que um quinto dos portugueses vive abaixo do limiar da pobreza. Assim não admira que Portugal seja o país da União Europeia com o maior fosso entre ricos e pobres.
Com uma politica desportiva dirigida pelo protagonismo, que paga viagens, a Jogos Olímpicos, a «turistas desportivos», dificilmente o desporto deixa de ser, em Portugal, um espectáculo falido e de pouca emotividade.
E nós que estamos longe do Terreiro do Paço e nem comboio temos para lá ir…

in Jornal do Centro de 03 de Maio de 2006

A litorização tem de ser combatida

A migração dos melhores atletas de Viseu, na procura de condições, para poderem praticar e evoluir no desporto de competição continua a acontecer.
O interior do país não consegue segurar os seus jovens.
Urge a criação de mais e novas estruturas desportivas, de qualidade, que sustentem a alta competição. São estas estruturas que dão maior força nas cidades e ajudam na fixação de jovens. O Ensino Superior e o Desporto são dois factores determinantes na luta contra o despovoamento que o Interior sofre.
O desporto permite uma melhor qualidade de vida das pessoas que terão assim outros incentivos e outros prazeres nas suas cidades. Mas o desporto exige competição, os jovens necessitam de desafios e estes só podem ser competitivos quando tiverem oportunidades iguais aos jovens das grandes cidades.
Estas estruturas têm de ser desenvolvidas quer pela Administração Local quer pelas Associações e Clubes, em grande parte apoiados pela Administração Central. Não é possível adiar projectos que cabem ao Poder Central e Local, pois é a eles que lhes cabem, fundamentalmente, o fomento de actividades relacionadas com o apoio à juventude, ao fomento da actividade desportiva e criação de condições para a ocupação de tempos livres da população e a prática do desporto.
As infra-estruturas a nível de desporto têm vindo a crescer nos últimos anos mas as competições desportivas funcionam da mesma forma há muitos anos, sem que se criem novos incentivos, motivações.

in Jornal do Centro de 21 de Abril de 2006

Tentar objectivar o subjectivo

Como qualquer outra subdivisão que se faça na Imprensa a informação desportiva ressupõe saber específico. Esperava-se que, no Século XXI, o relato escrito dos jogos não fossem feitos pelos curiosos que vão ao fim-de-semana aos espaços desportivos e em seguida telefonam para a redacção a dar as equipas e os comentários aos jogos.
Infelizmente este fenómeno ainda se verifica, na Imprensa regional, devido aos elevados custos que acarreta ter jornalistas profissionais nos quadros. Mas que isenção tem esta informação?! Pode-se sempre dizer que é melhor ter esta que não ter nenhuma e tem uma certa lógica. As probabilidades de ver um texto publicado sobre a «nossa» equipa aumentam. Mas é perigosa esta aproximação com o jornalista.

Muitas das vezes o jornalista escreve sobre o que não presenciou, pelo que deve fazer uma escrita informativa, mais factual (constituição das equipas, substituições, acção disciplinar, golos). Num meio pequeno o jornalista é facilmente identificado.
É que o jornalista é como os treinadores. O seu trabalho é público e diariamente encontra pessoas que se consideram aptos a criticá-lo. Assim como o treinador, o profissional da informação tem sempre alguém na bancada que se diz capaz de fazer uma equipa melhor. Um pode compreender o outro.
Onde começa o jornalista e termina o amigo? Um e outro descobrem a fronteira no dia em que surge o primeiro choque.
No mundo do desporto a função do jornalista só encontra paralelo na do treinador.

in Jornal do Centro de 31 de Março de 2006

Fontelo: um espaço de excelência

A requalificação do Fontelo é um motivo de esperança na evolução do desporto federado viseense. Não se pode fechar os olhos ao trabalho que ali está a ser feito. As instalações estão belíssimas e funcionais.
O futebol de formação será o grande beneficiado da melhoria desta estrutura desportiva. Espera-se que outros desportos beneficiem deste magnífico espaço, que é o Fontelo.
A filosofia que acompanha a prática desportiva juvenil, no universo de todos aqueles que intervêm nesta área, está ainda fortemente dependente da sensibilidade de cada um dos intervenientes, sendo construída, maioritariamente, de uma forma espontânea e intuitiva, fruto de diversos factores condicionantes que quase sempre actuam de forma aleatória e com pouco sentido regulador, deixando ao livre arbítrio dos intervenientes e à respectiva capacidade de reflexão, a sua utilização numa ou noutra direcção.
Este é um tempo de mudanças. Aguarda-se, agora, a criação de um projecto desportivo para um crescimento sustentado da prática desportiva em Viseu. Autarquia e clubes devem trilhar o mesmo caminho, devem buscar a excelência que estas instalações desportivas e a qualidade dos Técnicos permitem acalentar.
Os Técnicos desempenham uma função central no desenvolvimento do jovem atleta, do ponto de vista físico, psicológico, emocional e social. Para desenvolverem este trabalho os Técnicos precisam de condições para o realizarem. O Fontelo começa agora a ter.
in Jornal do Centro de 15 de Março de 2006

O verdadeiro espírito de cidadania consiste também em exigir qualidade

A Imprensa regional tem dado boas notícias no que respeita às novas estruturas desportivas que se estão a projectar em Viseu. Não vale muito falar em atrasos, mas em programa de rentabilização das mesmas a curto/médio prazo.
Os trabalhos de requalificação das instalações desportivas do Fontelo e o facto de Viseu ter sido contemplado pelo projecto Hat-Trick, promovido pela UEFA, auguram um futuro mais feliz para o desporto viseense.
Fazendo contas aos metros quadrados de superfície desportiva útil criada nas últimas décadas e extrapolando para o futuro, à taxa média de crescimento da oferta de equipamentos, o nível viseense ainda vai levar tempo a alcançar a satisfação total.
Mas já é um bom começo.
Espera-se que estes projectos transmitam uma imagem de qualidade, de seriedade e de exigência, no que se refere à sua utilização por aqueles que as vão frequentar. Por isso deve-se defender a necessidade de uma equipa de técnicos especialistas diversificados na coordenação e monitorização destes novos espaços.
A Alta competição tem de voltar a passar por Viseu e essa é sinónimo de excelência em todas as suas componentes, devendo essa qualidade estar presente em tudo que a caracteriza e rodeia. Recursos Físicos e Humanos complementam-se e alcançam resultados de excelência.
É altura de se acabar de vez com a mentalidade do «apito dourado». Esta não produz qualidade, não motiva os verdadeiros atletas campeões e só produz resultados efémeros, que têm hipotecado o futuro.

in Jornal do Centro (03 de Março de 2006)

A qualidade de hoje é a quantidade de amanhã

As responsabilidades assumidas por quem publica os seus trabalhos, independentes do suporte informativo, aumentam com o tempo. A credibilidade é importante e não pode estar em causa, sob o risco de se escrever para o «boneco».
A conjuntura desportiva viseense não permite por vezes grandes reflexões e exposição de novas ideias, de propostas de novas sugestões. Viseu é, ainda, uma pequena cidade em termos de movimento desportivo.
Os resultados publicados pelo INE sobre o número de praticantes federados nas várias modalidades no distrito de Viseu demonstram isso mesmo, que muitas crianças e jovens estão afastadas da prática desportiva. Fora das modalidades «tradicionais» (futebol, andebol e basquetebol) o Distrito de Viseu tem apenas 2.055 atletas federados!
O porquê deste afastamento é a reflexão que se deve fazer. Como motivar crianças e jovens para a prática do desporto?! Não será certamente com retóricas ou rivalidades parolas. A juventude actual é mais exigente e tem outras motivações e focos de interesse. Quer qualidade.
O desporto é mágico. Tem na sua essência algo que os jogos de computador, a televisão ou outras distracções não têm, nem nunca terão. É esta vertente aliada a novas estruturas desportivas e com o valor reconhecido dos técnicos desportivos que se deve disponibilizar. É preciso ajudar a região a superar a condição de “interioridade” e os mais jovens a terem uma vida mais saudável.
O tema, longe de estar esgotado, exige que outros o tratem. No terreno.

in Jornal do Centro (17-02-2006)



“Nem todos os caminhos são para todos os caminhantes”

A época desportiva 2005/06 está a marcar o desporto português negativamente. A falência dos clubes, dos sistemas são uma realidade que já não se pode mais ocultar.
A realização de Acções que visam debater o desporto e trabalhar uma renovação da Lei de Bases do Sistema Desportivo têm vindo a multiplicar-se, mas continua a não haver incentivos para o aparecimento de agentes desportivos.
A falta de dirigentes, de pessoas disponíveis para a gestão das Associações, Agremiações desportivas e culturais é um grande entrave ao desenvolvimento de um desporto, sustentado, em Portugal. A profissionalização ainda não é possível num país com as graves dificuldades financeiras e organizacionais como nós, e o dirigismo amador não tem conseguido dar resposta às necessidades cada vez mais exigentes do desporto de competição.
Uma nova estratégia deve ser pensada. Os desportos colectivos são de vital importância na formação da criança/jovem. A Escola, as Associações sabem disso e têm de dar a resposta a essa necessidade. E os Pais?! Que se tornaram os dirigentes, os seccionistas que garantem o funcionamento de muitas equipas? Talvez ensinar os filhos a gostar de outros desportos, de fazer uma educação desportiva diferente da existente.
O Ténis de Mesa, o Judo, o Tiro, o Karting, o Golfe, o Ténis, a Patinagem, o Ciclismo, o Atletismo são modalidades que podem seguir o exemplo positivo da Natação que se pratica no AVFC e que tão bons resultados tem dado ao Clube, Atletas, Treinadores, Pais e… à Cidade.


in Jornal do Centro (03-01-2006)

A justiça inflexível pode ser a maior das injustiças

A cessação das actividades do Clube Académico de Futebol caiu que nem uma bomba na cabeça de centenas de crianças e jovens. A angústia sentida quer por estes, quer pelos seus familiares, nada tem a ver com desporto, mas com a Justiça e o seu timing.
O fim, há muito anunciado, veio provocar a maior das tristezas em muitas famílias dos atletas academistas.
O CAF foi o primeiro clube a nível nacional a ser declarado insolvente, fazendo dos jovens academistas, que em nada contribuíram para esse desfecho, vítimas de um sistema que não os protegeu.
A Comunicação Social fez eco das frustrações de todos quantos diariamente faziam do Fontelo a sua segunda casa, que semanalmente trocavam o aconchego do lar pelos campos de futebol. A união patente entre a direcção do AVFC, pais, jovens e treinadores é demonstrativa da velha máxima: é nas grandes tormentas que se vêem as grandes coragens.
A decisão judicial teve consequências ao nível da participação das equipas de formação e do andebol nas competições. A Justiça não pode penalizar inocentes. Se é suposto ser a depositária dos grandes valores humanos e sociais, e o motor de um desenvolvimento harmonioso e sustentado, no que respeita a estas crianças e jovens, falhou na sua missão.
Agora é tempo de gerir o presente e promover a prática desportiva continuada destes jovens e começar a delinear uma estratégia de futuro. Exige-se rigor nas gestões associativas, mas não se pode deixar que estes cidadãos que se dedicam, gratuitamente, ao serviço da comunidade, desmotivem e deixem a actividade.
Começa-se a falar em «caça às bruxas», em vez de se apurar responsabilidades na gestão de dinheiros públicos.
Que o passado não mais condicione o futuro do desporto na Região.
Muitas vezes, é mais importante ter coragem para mudar de ideias, do que para se manter fiel às mesmas.

in Jornal do Centro (20-01-2006)


As grandes verdades são demasiado importantes para serem novas

O ano de 2006 começa sem trazer alguma novidade de que nos possamos orgulhar. Se a nível nacional as atitudes despropositadas continuam a ser noticia diariamente, por aqui fiquemos pelas grandes entrevistas e referências ao pior e melhor de 2005.
Pinto da Costa fala no desaparecimento dos clubes Alverca, Académico de Viseu, Farense e Salgueiros, na falência de Estoril, Ovarense em contraponto com a ostentação de riqueza da Federação Portuguesa de Futebol. Prioridades! O Presidente da República pede que os portugueses se consciencializem de que não há mais hipóteses de perderem tempo, de dar tiros nos pés. Responsáveis não há?!
Sabe-se que ninguém planeia o falhanço, só que algumas pessoas têm falhado no planeamento.
Em Viseu, o fim do futebol profissional do CAF foi a marca negativa do ano e a requalificação do Fontelo a positiva. Por vezes é necessário dar dois passos atrás para se dar muitos em frente. Que seja o caso do CAF.
O Fontelo vai ser, inquestionavelmente, o grande pólo de desenvolvimento desportivo da região. As estruturas construídas vão ser de capital importância e só se espera que os viseenses possam usufruir delas.
No caso CAF ficam para a história 92 anos de existência, mas não se pode andar a ajudar continuamente uma Instituição fazendo o que ela devia ter feito por si própria. Quem morre paga todas as suas dívidas.
Quanto ao Académico de Viseu … tornar-se pai é fácil, difícil é sê-lo.
O Congresso do Desporto em Viseu não vai trazer nada de novo. Oportunidade perdida.

in Jornal do Centro (06-01-2006)

Antes dos 14, já fora do jogo… e da infância

O futebol forma cada vez mais cedo – e descarta ainda mais depressa. Entre o investimento e a realidade, há um sistema que continua a falhar...