quinta-feira, 27 de novembro de 2025

EDUCAR O SONHO : Guia para pais

 ðŸŽ¯ Objetivo

Ajudar os pais a compreender o que realmente importa no futebol de formação: liberdade, respeito pelo ritmo individual, apoio emocional e ambiente saudável.

1. Liberdade de Criar

🟦 “Não proíba o drible, permita a imaginação.”

  • O drible ensina coragem.
  • A improvisação constrói criatividade.
  • Errar faz parte do processo de aprender.
  • Não critique jogadas arrojadas: elas são o laboratório do talento.

📌 Meta dos pais: Incentivar a coragem de tentar, não a segurança de acertar sempre.


2. Tempo para Crescer

🟩 “Cada criança tem o seu ritmo.”

  • Existem ritmos diferentes de maturação: física, emocional e cognitiva.
  • Os chamados tardios (nascidos mais tarde no ano) precisam de tempo — e esse tempo transforma.
  • Não compare o seu filho com outros.
  • O foco deve ser evolução, não resultado imediato.

📌 Meta dos pais: Valorizar o progresso individual, independentemente da idade ou maturidade.


3. Apoio Consciente

🟧 “Apoie o esforço, não o resultado.”

  • Elogie o empenho, a atitude e o espírito de equipa.
  • Evite comentar táticas, opções do treinador ou críticas aos colegas.
  • Mostre entusiasmo pelo caminho, não pela estatística: golos, minutos, titularidade.
  • Lembre-se: o que os pais dizem e fazem molda o que o filho sente em campo.

📌 Meta dos pais: Ser presença segura e positiva — nunca pressão.


4. Dar o Exemplo

🟪 “A criança observa tudo.”

  • Respeite árbitros, treinadores e adversários.
  • Evite discussões, comentários negativos ou ironias nas bancadas.
  • Use as derrotas como oportunidade educativa.
  • Mostre alegria pelo simples facto de o seu filho jogar.

📌 Meta dos pais: Ser referência em fair play.


5. Regras de Ouro para Pais

🟦 Deixe o jogo ser das crianças
🟩 Oiça mais, fale menos após o jogo
🟧 Confie no processo de treino
🟪 Celebre pequenas vitórias: esforço, superação, respeito



Vitor Santos |Embaixador do PNED

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Carreira do Atleta: Construir com Trabalho Interdisciplinar

Formar um atleta não é apenas treiná-lo para competir. É acompanhá-lo num processo longo, exigente e profundamente humano. Nas categorias de formação, clubes, federações e agentes têm como objetivo preparar jovens para o futebol profissional, enquanto famílias e  grande desafio é traO I desenvolvimento de um jovem atleta é longitudinal e multifatorial: depende da técnica, da saúde física e mental, da educação, do contexto social e, acima de tudo, da qualidade das relações que o rodeiam. Por isso, o trabalho interdisciplinar deixou de ser opcional — é absolutamente inegociável.

Clube, família e agente devem atuar de forma integrada, partilhando informação, expectativas e responsabilidades. O treinador precisa de conhecer o jovem para além do campo; a área da saúde deve dialogar com a técnica; o psicossocial tem de estar presente no dia a dia; e a família precisa de ser parceira ativa no processo, estabelecendo rotinas saudáveis, equilíbrio emocional e valores sólidos.

Quando este triângulo — clube, família, agente — funciona de forma alinhada, o atleta cresce não apenas em performance, mas como pessoa.

E é aqui que tudo começa: na formação do ser humano que precede o jogador.

A presença do agente de forma equilibrada e responsável, o acompanhamento familiar coerente e o compromisso dos profissionais do clube criam o ambiente ideal para que o jovem se desenvolva de forma sustentável, aprendendo a lidar com vitórias, derrotas, frustrações e expetativas.

Educar o sonho exige tempo, paciência e integração. Cada detalhe conta: o treino, a rotina diária, a comunicação, as redes sociais, as relações, o descanso, a escola, a forma como se lida com o sucesso e com a dificuldade.

Tudo isso influencia — positiva ou negativamente — a performance do atleta.

No fundo, construir uma carreira é isto: cuidar do processo, proteger o jovem e formar a pessoa para que o jogador possa existir.



quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Ética desportiva: “palavras leva-as o vento”!

Não podemos desistir de comunicar a importância da ética no desporto. Devemos continuar a multiplicar campanhas, formações e artigos que a defendam e promovam. Mas a questão permanece: será que, depois, se pratica aquilo que se proclama? A resposta cabe a cada um na forma como vive, decide e age no seu quotidiano desportivo.

A ética desportiva não se resume a discursos inspiradores. É um exercício permanente de coerência. Nenhum código de conduta ou manual de boas práticas substitui o exemplo vivo de quem orienta, educa ou lidera. A ética exige consistência entre o que se defende e o que se faz.

Quando se toleram comportamentos incorretos apenas porque se “ganha”, a erosão moral começa aí. E é nesse instante que o desporto deixa de ser escola e passa a ser apenas competição cega e desprovida de valores. O verdadeiro valor do jogo está em respeitar regras, adversários e decisões. Sem isso, não há vitória que valha.

São vários os dilemas éticos que o desporto enfrenta.  Muito ruído com o que é superficial e pouca atenção ao que verdadeiramente interessa: formar bem. Se o fizermos, vamos ter melhores atletas, melhores pais de atletas, melhores treinadores, melhores dirigentes, melhores jornalistas e principalmente melhores adeptos.

A pressão pelo sucesso precoce, a cultura clubística que sobrepõe o emblema ao espírito desportivo, a desigualdade de oportunidades ou a falta de respeito pelos árbitros e adversários são sinais de uma crise silenciosa. Continuamos, demasiadas vezes, a formar jogadores, mas não pessoas.

Em alguns clubes, o foco está demasiado centrado nas vitórias e pouco na formação integral do indivíduo. O resultado tornou-se o fim em si mesmo. Assistimos, com frequência, a comportamentos exagerados, a gritos vindos das bancadas e a uma busca incessante por triunfos que ignoram o essencial: o prazer de praticar desporto, de aprender e de crescer. Quando esse prazer desaparece, desaparece também o sentido formativo que o desporto deve ter.

E tudo começa nos adultos: o que a criança aprende sobre comportamento ético no desporto depende, antes de tudo, do que vê e sente em casa, no treino e nas bancadas.

Mais do que resultados, o desporto precisa de referências. De treinadores que eduquem, dirigentes que inspirem, pais que apoiem e atletas que compreendam que o valor do jogo está no caminho, não apenas na meta.

Os direitos das crianças, tantas vezes proclamados, continuam longe de ser plenamente cumpridos. E estamos em 2025! Em muitos contextos, o desporto de formação parece ter esquecido a sua missão educativa. A ideia de que os valores éticos valem menos do que os resultados ou as competências técnicas e táticas continua enraizada e é, simplesmente, falsa.

A prática desportiva precisa de reencontrar o seu eixo moral. Os princípios éticos devem estar no centro, e não nas margens ou à margem, do jogo.

Por isto e muito mais, a ética não é uma moda nem um discurso de ocasião. É uma forma de estar. Uma responsabilidade partilhada por todos. E só quando os valores forem mais fortes do que o marcador poderemos dizer que estamos verdadeiramente a formar campeões dentro e fora do campo.





Embaixador do Plano Nacional de Ética no Desporto

Hoje fecha-se um ciclo. Sete anos a caminhar pela ética no desporto, como Embaixador do Plano Nacional de Ética no Desporto. Sempre em volun...