quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O Euro Viseu

O Euro 2008 pode ser um momento de afirmação da selecção nacional de futebol. Portugal, através do desporto, apresenta-se como um país moderno e competitivo.
Das várias áreas ou actividades é o desporto, o futebol em particular, das poucas em que estamos no Top Ten a nível europeu.
Chegar a um patamar destes não é uma tarefa fácil. Provadíssimo está que não chega ter bons atletas para se ter êxito. O trabalho, o rigor, a disciplina são aspectos fundamentais para se conseguir o sucesso.
Viseu tem o privilégio de receber o estágio da selecção para o Euro 2008. Como era previsível, o cidadão comum não tem a noção do que é um estágio de uma equipa profissional de alta competição. Muitos esperavam cruzar-se com a Quaresma, o Moutinho na sua padaria de bairro!
A concentração a que os jogadores estão sujeitos é muito elevada. Todos os dias têm trabalho físico, técnico, táctico e mesmo mental. Não podem andar no passeio… como todos gostariam que acontecesse. Escolas, lares de terceira idade, instituições públicas e empresas todos gostavam de receber a visita da selecção. Isso não é possível.
O descontentamento de muitos adeptos da selecção tem sido visível. Todos os motivos são válidos para criticar os atletas. Há muita confusão na cabeça das pessoas que julgam e sentem-se no direito, vá lá perceber-se porquê, de exigir um aceno, um sorriso de cada atleta, mesmo quando este está no seu locar de trabalho (campo). O público atribui, muitas das vezes, o sucesso pessoal destes portugueses à sorte.

O êxito que alcançam parece fácil a quem não o alcança. Mas a felicidade, reconhecida no sucesso, tem muito de tristeza. O caminho até ao êxito é longo e de noites de solidão, de choro. Muitos destes jovens atletas, hoje de sucesso, viveram desde cedo longe dos seus familiares e são a excepção ao terem a vida que escolheram: futebolistas. O sucesso é uma consequência.
São centenas os que ficam pelo caminho. Que desistem. Que deitam a toalha ao chão. Viviam de um êxito que ainda não tinham. O talento, muitos têm, mas é o trabalho que faz a diferença entre os que têm sucesso e os outros.
Viseu tem estado à altura de receber este estágio. Alguns adeptos nem por isso.
O Teatro Nacional Dn.ª Maria vem fazer uma temporada a Viseu. Façamos este exercício. Seria natural interrompermos os ensaios pedindo acenos, sorrisos?! Claro que não. E muitos outros exemplos se podem dar. O futebol é diferente. Sabemos que sim, mas tem de ser para o bem e para o mal.
A organização tripartida deste estágio tem encontrado algumas dificuldades em satisfazer todos os pedidos de bilhetes para os treinos e para o jogo. Entradas gratuitas nunca são a melhor forma.
O facto de ter feito o pré-escolar há muitos anos, de ainda não andar na actividade senior, não andar nos passeios de domingo em bicicleta, justifica que não apreciasse ser «convidado» a assistir às sessões de treino. Que ía lá eu fazer se não ando no desporto, não gosto de desporto!!! Mas são opções e agora nada se pode fazer.
Feliz de quem recebeu um bilhete e não precisa de agradecer a ninguém além de si mesmo.



in Jornal do Centro de 29 de Maio de 2008

Aquele jogador que todos os treinadores encontram

  Todo treinador encontra, mais cedo ou mais tarde, aquele jogador. Sabes perfeitamente qual é. Tecnicamente brilhante. Vê o jogo com uma cl...