quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Um clube em Viseu é viável em termos desportivos e financeiros

Escrevo este artigo numa semana marcado pelo suspense da participação do Académico de Viseu no Campeonato Nacional da 2.ª Divisão B. A confirmar-se a extinção do futebol sénior do CAF um vazio nasce em todos os Beirões.
Hoje já pouco interessa como foi possível chegar a esta situação. Não vai resolver nada as lamentações.
Os erros cometidos ao longo de décadas foram muitos e agora resta aprender com eles e não os repetir. Muita gente se envolveu na resolução de um caso que se tornou fatal para o Clube mas que, infelizmente, não é o único. É o mais visível.
O Académico de Viseu é um dos clubes que esta época desiste da competição no escalão sénior. Muitos mais vão acontecer.
Em Março deste ano a Comissão Administrativa alertou para o facto de o clube não ter alternativas no que a receitas diz respeito. Criou mesmo uma situação, que para muitos foi alarmista e despropositada. Afinal havia razões para tal.
Todos somos conhecedores da impunidade que reina neste país, na desorganização e funcionamento do futebol nacional. Ganhar é a única razão da existência dos clubes e muitas das vezes os meios justificam os fins. Algum adepto exige qualidade nos espectáculos desportivos?! Não, se a sua equipa ganhar. Mesmo que seja com um golo marcado em fora de jogo e com a mão!
Existem, na minha opinião, clubes a mais em Portugal. Campeonatos sem competitividade. Estrangeiros em demasia.
Requalificar o CAF num clube regional representativo das Beiras é, ainda, para mim a melhor e única solução. São 5 a 6 anos de deserto que podem ser um investimento de grande rentabilidade desportiva depois desta travessia.
Um clube em Viseu é viável em termos desportivos e financeiros com um plantel sénior constituído, na sua maioria, por jogadores dos escalões de formação e reforçado com os melhores que os outros clubes do distrito produzem. Se juntarmos a este grupo 4 a 5 jogadores que sejam as mais valias estão criadas as condições para se triunfar no futebol nacional.
Porém a mentalidade existente no seio dos clubes, treinadores e dos atletas da região também terá de mudar. Jogar no “Clube da Terra” é, também, uma causa.A participação de todas as Instituições com o novo clube será sempre positivo para todos. A permuta de serviços é hoje um factor relevante de desenvolvimento.
As Câmaras Municipais são hoje as maiores financiadoras dos clubes. Este financiamento deve ser feito de uma forma transparente mas, e acima de tudo, tem de haver uma fiscalização permanente na aplicação que se faz com esse dinheiro.
Os clubes de futebol são hoje os grandes embaixadores das suas localidades. Portugal é um País que tem de se virar muito para o Turismo, pois a Agricultura, Comércio e Indústria estão numa situação de falência. Mudar mentalidades leva o seu tempo. O desporto e a cultura são a base de uma vida de qualidade.
A Câmara Municipal de Viseu tem de ter um Departamento de Desporto com uma equipa motivada e dedicada. A promoção do Concelho passa muito pelo que esta equipa possa fazer nos próximos anos. Um projecto desportivo ambicioso urge.
Um clube da cidade bem estruturado e organizado enquadra-se no desenvolvimento desportivo da região. Acabou o tempo dos amadorismos.
Os dois últimos jogos das Selecções portuguesas em Viseu (sub 18 e sub 21) tiveram o Fontelo quase vazio. Oportunidades perdidas ou desinteresse dos viseenses pelo futebol?! O Fontelo tem um novo espaço desportivo requalificado. O campo de futebol de 7 sintético é um orgulho para todos nós. Não interessa falar em timings o importante é que é deste tipo de instalações desportivas que as nossas crianças e jovens necessitam. É preciso reconhecer que o Fontelo, desta vez, foi valorizado por esta obra. A cidade ficou a ganhar.
Que os Carlos Lopes, as Carolinas Peres, Os Fábios não tenham mais que migrar para praticar desporto de alta competição.
Este fim de semana joga-se em Coimbra um Académica de Coimbra - Benfica para a Super Liga. Alguém tem dúvidas de qual seria a adesão de um jogo destes em Viseu que colocasse o Ac. Viseu e o Benfica na 1.ª jornada da Super Liga?!
Que o futuro nos surpreenda pela positiva, é o desejo de todos nós que gostamos de desporto e estamos inseridos nesta actividade tão bonita e saudável.

in Jornal do Centro de 19 de Agosto de 2005


Bela esperança, a minha

Bela esperança, a minha.
Na vida temos sempre as opções de sermos arriscados, ousados ou de sermos realistas, credíveis. Ambas podem, no entanto,ser compatíveis quando a base de sustentação é forte. Podemos sempre investir mais, mesmo correndo o risco de perder, mas nunca de forma a colocar em causa a vivência de uma Instituição, de pessoas.
O Académico de Viseu deslumbrou-se em décadas anteriores com os feitos desportivos alcançados e caiu na tentação do risco, da ousadia. Esqueceu-se muitas das vezes de ser realista, de saber até onde podia ir.
Sabemos, hoje, que não só o Ac. Viseu cometeu estes erros. O mal é de todo um País. As facilidades são muitas. A irresponsabilidade, a impunidade alastrou-se em demasia. O futebol português está cheio de casos de clubes que não pagam salários, que não pagam a fornecedores, que não pagam impostos, etc.
Defendo a responsabilidade colectiva de toda uma região que tem de exigir qualidade de vida e em que o desporto e cultura são bens essenciais.
Durante o primeiro semestre deste ano o Ac. Viseu viveu na expectativa dos resultados da equipa sénior do clube. Eram estes que decidiam muito do presente e futuro do CAF.
Entretanto duas sensibilidades se foram formando. Os que defendiam uma intervenção clara e definida sobre que Clube a Região queria, e aqueles que deixaram andar para ver até onde se ia.
Atrasou-se todo um processo. Esperemos que ainda se vá a tempo.
Entre a continuidade do Académico de Viseu e a «requalificação» num novo clube, a primeira escolhaé a que mais agrada a todos os viseenses. Um grupo de associados interpretou essa vontade e criou a bela esperança de limpar o clube financeiramente e credibilizá-lo. As Beiras têm mais uma oportunidade de demonstrarem se é mesmo para valer o acompanhamento que têm feito da vida do clube nos últimos meses. É nas grandes tormentas que se vêem as grandes coragens.
Esperamos assim que tenha esta Comissão tido um bom começo, pois seria já meio caminho andado. Mas não louvemos o dia enquanto o sol não se puser.
O Académico de Viseu está hoje mais aberto, mais vivo. A cidade e a região estão agora sensibilizadas e motivadas a apoiá-lo. A presença de cerca de uma centena de associados na última Assembleia é sinónimo de vitalidade e de um clube com história.
A isto muito se deve a abertura que a anterior Comissão teve. Trazer o clube para o Rossio, tirá-lo de uma rua escondida atrás da Sé, foi das melhores opções que se teve. Ainda alguém tem dúvidas que o Académico precisa de uma Sede visível no centro da cidade?! Que precisa de ser vista diariamente por todos os cidadãos?! Quem dirige o clube não é nenhum grupo marginal que se reúne às escondidas para conspirar. É preciso devolver o clube à região e as iniciativas da última Comissão Administrativa foram o primeiro passo. A não deixar morrer.
A página, não oficial do clube, na Internet tem a particularidade de ter um Fórum em que muitos academistas, de todo o mundo, têm sugerido acções bastantes interessantes. Criar com a Escola Superior de Tecnologia de Viseu um site interactivo e moderno é a proposta de um associado. Interessante.
Criar protocolos que permitam a intervenção de alunos das Instituições de Ensino Superior da cidade e das Escolas Profissionais é sinónimo de novas ideias, de novos projectos.
As tecnologias e multimédias, a comunicação social, o marketing, as relações públicas, a enfermagem são campos que uma parceria trazia vantagens a todos.
Os elementos que saíram do Académico tiveram perspicácia e trabalharam com dignidade. Disseram não agora?! É melhor um sincero não, que um falso sim.
A minha relação acabou esta época também. Saio engrandecido e devedor. Fui recebido de braços abertos e estive, como só sei estar, com dedicação e envolvido na resolução de todos os problemas que se me apresentaram.
Retribuí como posso e sei. Mas este foi um ciclo que se fecha. Saio de consciência tranquila, não limpa, porque foi usada. Só pode ter a consciência limpa quem nunca a usou.
Já não há lugar a ingenuidades. O bom rapaz acaba sempre em último e sem nada!
A esta nova Comissão Administrativa muito se lhe vai ser exigido. Espera-lhe um monte de desafios. Que os academistas se unam, é preciso um grupo alargado na gestão quotidiana de todo o clube.
A Escola de Futebol Os Vasquinhos, as Escolas, os Infantis, os Iniciados, Os Juvenis, os Juniores e os Seniores, só no futebol estão envolvidos centenas de crianças e jovens. Estes vão-lhe ficar agradecidos, eternamente, por lhes proporcionarem a prática do futebol no clube que aprenderam a amar.
Há, ainda, esperança. É bela.

in Jornal do Centro (05 de Agosto de 2005)

Aquele jogador que todos os treinadores encontram

  Todo treinador encontra, mais cedo ou mais tarde, aquele jogador. Sabes perfeitamente qual é. Tecnicamente brilhante. Vê o jogo com uma cl...