sexta-feira, 18 de março de 2022

𝕮𝖆𝖗𝖙𝖆 𝖉𝖊 𝖚𝖒 𝖏𝖔𝖛𝖊𝖒 𝖆𝖙𝖑𝖊𝖙𝖆 𝖆 𝖘𝖊𝖚 𝖕𝖆𝖎

 "Pai, que estás a fazer?

Não sei como te dizer… Certamente achas que o fazes para meu bem, mas ainda não consigo deixar de me sentir estranho, incomodado, mal.
Ofereceste-me uma bola quando ainda estava a aprender a andar. Inscreveste me no clube quando ainda não andava na escola. E eu adoro. Gosto de treinar durante a semana, brincar com os colegas e jogar ao fim de semana, como fazem os mais velhos.
Mas quando vais aos jogos... não sei. Não acreditas em mim. Está sempre a dizer me o que fazer e como fazer. Como se eu não soubesse pensar e fazer. Pai, eu vou errar. Mas errando, eu aprendo. Deixa-me ser feliz e estar concentrado no jogo.
Nós temos um compromisso. Eu tenho feito a minha parte em casa, na escola, no desporto... E tu? Fazes tantos esforços e sacrifícios para que eu vá aos treinos e jogos e depois não desfrutas? Não ficas contente em participar nos meus jogos? Já não gostas de me encorajar?
Agora já não me dás uma palmada nas costas quando o jogo acaba, nem me convidas para tomar qualquer coisa. Vais até à "bancada" pensando que são todos teus inimigos. Insultas os árbitros, os treinadores, os jogadores, ou outros pais…
Já não é como dantes.
Porque mudaste?
Eu continuo a precisar de tua ajuda para poder aceitar a derrota com dignidade e encontrar forças e confiança para competir. Agora, tu e os outros pais, à força de quererem vencer a todo o custo, são mais protagonistas que nós em campo. Cansam nos. Ficamos confusos e tristes.
Acho que sofres e não compreendo.
Dizes-me que sou o melhor, que os outros não valem nada ao meu lado, que quem disser o contrário está enganado e que só ganhar é que conta. O treinador a quem chamas incompetente é meu amigo. Foi ele que me ensinou a divertir me enquanto jogo. O rapaz que no outro dia jogou no meu lugar… Lembras-te? Sim, pai, aquele que criticaste durante toda a tarde, dizendo que "não serve nem para levar o saco das bolas". Esse rapaz é da minha turma. Na segunda-feira, quando o vi, fiquei com vergonha. Não quero dececionar-te. Mas tu e a mãe estão a sufocar-me com os vossos berros e orientações técnicas!!
Às vezes penso que não sou suficiente bom para vocês. Tu, a mãe e os outros pais estão sempre a falar em vez de nos apoiarem. De se divertirem connosco. Sempre a pensarem que têm a razão toda.
Provavelmente não vou chegar a profissional e ganhar muitos milhões como tu anseias. Mas, assim, sufocas-me.
Pai, aplaude a minha equipa e, se possível, a adversária. Não jogo sozinho. O jogo fica para nós, para o treinador e para o árbitro. Não nos menosprezes com o teu comportamento.
Até já pensei deixar de jogar, mas… GOSTO MUITO!
Pai, por favor, não me obrigues a pedir-te para não vires ver os meus jogos.
Para mim
és o maior
em tudo o resto, queria que fosses também o maior pai no desporto.
Teu filho que te ama muito e que te deseja um 𝐅𝐄𝐋𝐈𝐙 𝐃𝐈𝐀 𝐃𝐎 𝐏𝐀𝐈!"


desenho de Paulo Medeiros

Aquele jogador que todos os treinadores encontram

  Todo treinador encontra, mais cedo ou mais tarde, aquele jogador. Sabes perfeitamente qual é. Tecnicamente brilhante. Vê o jogo com uma cl...