Quando chegares ao campo, não agarres a rede como se fosses tu a tentar controlar a equipa à distância, a corrigir cada movimento ou cada decisão.
Para isso… já lá está o treinador.
Respira fundo.
Olha para ti.
Deixa o jogo acontecer. E, acima de tudo, por favor, nada de murmurações sobre colegas de equipa.
Do campo ouve-se e vê-se tudo.
Queridos adultos,
a “equipa perfeita” nunca existiu.
Nem nas melhores histórias.
Depois de uma derrota, não corras atrás do árbitro, não entres em duelos com o treinador, nem discutas com os pais da equipa adversária.
Porque o teu comportamento, sim, o teu, o teu filho pode recordá-lo. E não necessariamente com orgulho.
Eu sei: todos desejamos que eles se tornem os melhores.
Líderes. Craques. Insubstituíveis.
Mas eles são humanos, bonitos na sua imperfeição, e isso não só é normal, como é essencial.
Entre estes rapazes e raparigas há um defesa desajeitado que sonha com números e fórmulas.
Um guarda-redes distraído que passa horas a desenhar bandas desenhadas.
Um médio com pouca técnica… mas com uma voz capaz de encher um teatro.
Se não brilham no campo, não é drama.
O tempo sabe cumprir as suas promessas.
E talvez um dia se tornem algo maior, mais luminoso, mais feliz do que um jogador de futebol profissional.
Não é só futebol.
Às vezes, sem nos darmos conta, eles marcam o golo mais importante… fora do campo.
Relaxa.
Aproveita este momento único que não volta atrás.
O resto…
a vida fará.
Não a bola.
Vitor Santos | Embaixador do PNED PNED
