No desporto de iniciação, o jogo de "rua" não é apenas um momento para “gastar energia” — é uma ferramenta fundamental no desenvolvimento da criança. Cada corrida atrás da bola, cada salto, cada queda e cada nova tentativa ajudam a construir competências essenciais: coordenação motora, memória de movimento, criatividade e, acima de tudo, uma relação saudável com o desporto.
Contudo, precisamos de olhar com atenção para o que está a acontecer.
A pressão que muitos treinadores e clubes sentem para “mostrar resultados” leva, muitas vezes, a treinos excessivamente dirigidos, onde há cada vez menos espaço para o jogo espontâneo. Surge a formatação, a especialização precoce, o apertar das margens onde a criatividade deveria florescer. Pode parecer mais organizado e profissional, mas retira às crianças aquilo de que mais precisam: a oportunidade de aprender através da descoberta.
Quando uma criança não tem espaço para explorar o jogo, aprende menos — não porque não se esforce, mas porque o seu corpo e o seu cérebro precisam dessa liberdade para crescerem. Jovens que não tiveram tempo suficiente de jogo de “rua” acabam por apresentar dificuldades: movimentos menos naturais, menor criatividade, menor capacidade de interpretar o jogo em situações reais. Afinal, como se aprende a jogar… sem jogar?
É no jogo de “rua” que as crianças experimentam, arriscam, criam soluções, comunicam, cooperam e desenvolvem aquele “sentido de jogo” tão difícil de ensinar apenas com exercícios. O equilíbrio no drible, a visão do passe, o controlo do corpo — tudo isso nasce na liberdade de explorar.
