segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Pais,

Todos os fins de semana, nos campos de futebol de todo o país, repete-se a mesma cena: crianças e jovens a correr atrás de uma bola. Para a maioria deles é um jogo maravilhoso, uma forma de estar com os amigos, de se sentirem fortes, de aprenderem a cair e a voltar a levantar-se.
E depois estão vocês, na bancada ou junto à linha lateral.
A maioria dos pais é um exemplo silencioso de apoio: aplaudem, encorajam, levam a água e a fruta, consolam depois de uma derrota e celebram depois de uma vitória sem nunca exagerar. Com respeito, com calma, com educação. 👏
Não sejam facilitadores e não permitam que os vossos filhos estejam em ambiente tóxico.
Mas há sempre alguém – não muitos, mas o suficiente para estragar o ambiente – que transforma um jogo de crianças numa espécie de acerto de contas pessoal.
Acontece fora das quatro linhas: parques de estacionamento e bancadas que viram ringues, discussões acesas com outros pais, com dirigentes, com o treinador…
E acontece também dentro do campo: gritos para um árbitro adolescente, protestos exagerados por uma falta duvidosa, reprimendas e humilhações públicas ao próprio filho por um passe falhado ou um golo desperdiçado.
Esses momentos deixam marca nos vossos filhos.
Vêem-nos baixar o olhar, corar, encolher os ombros como quem deseja desaparecer. Naquele instante já não pensam no jogo… pensam apenas no quanto gostavam que vocês fossem diferentes, mais tranquilos, ou talvez simplesmente mais distantes.
E essa é a dor mais funda.
O desporto de formação não é uma segunda oportunidade para realizarem sonhos que ficaram pendurados.
Não é um palco para chamarem atenções.
Não é um escape para frustrações nem uma forma de provar seja o que for a quem quer que seja.
É o espaço deles.
É o lugar onde devem poder errar sem se sentirem humilhados, onde devem poder perder sem se sentirem fracassados, onde devem poder jogar sem carregar o peso das vossas expectativas.
Um golo falhado não é uma tragédia.
Uma derrota não é uma vergonha.
Uma arbitragem imperfeita não merece insultos.
Muitos de vocês estão sempre prontos a criticar tudo e todos.
Por isso pergunto: vocês nunca se enganam?
Aplaudam, encorajem, sorriam.
E, se mesmo assim for difícil controlar-se, lembrem-se ao menos de que as vossas palavras e os vossos gestos chegam diretos ao coração do vosso filho. E esse coração é muito mais frágil do que imaginam.
Deixem-nos jogar tranquilos.
Deixem-nos crescer livres.
O futebol é apenas um jogo.
Eles são muito mais do que isso.
A quem já vive assim o desporto, e um convite gentil a quem ainda não consegue: mudem a perspetiva para as crianças.

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