O papel dos avós no futebol de formação tornou-se, para muitas crianças, absolutamente decisivo. Quando os pais não têm disponibilidade para acompanhar treinos e jogos, são os avós que entram em cena, assegurando deslocações, rotinas e presença. E, nesse gesto simples e generoso, transformam-se na grande referência entre a criança e o desporto.
A sua experiência de vida traz uma serenidade que faz diferença. Sabem relativizar derrotas, erros ou resultados menos bons, ajudando a criança a manter o prazer de jogar e a confiança em si mesma. Este apoio emocional cria estabilidade e protege o sonho.
Mas a influência dos avós vai muito além da logística: são transmissores naturais de valores. Respeito, esforço, humildade, constância, espírito de equipa — muitas vezes reforçam aquilo que pais e treinadores procuram ensinar. São uma espécie de bússola silenciosa que ajuda a orientar o crescimento humano dentro e fora do campo.
Nas bancadas, os avós costumam ser modelos de fair play. Apoiam sem insultar, respeitam a arbitragem e celebram o jogo mais do que o resultado. Esta atitude contagia a criança e, muitas vezes, até outros adultos.
Partilhar o futebol cria também momentos preciosos de encontro entre gerações. Para muitas crianças, saber que o avô ou a avó está ali, a torcer, é motivo de orgulho e pertença. Esses laços fortalecem o vínculo familiar e deixam memórias que ficam para a vida.
Claro que há cuidados importantes: evitar comparações com outros jogadores, não contradizer o treinador a partir da bancada e não projetar expectativas exageradas baseadas em sonhos não realizados.
Quando assumem um papel de apoio sereno e presença afetiva, os avós tornam-se verdadeiras peças-chave no percurso de quem está a crescer. Ajudam a que o desporto seja, acima de tudo, um espaço de aprendizagem, alegria e construção de sonho. E isso é, no fundo, educar o sonho.
