quinta-feira, 9 de outubro de 2025

PASSA! REMATA! CORRE! CUIDADO!

Pai, ouves estes gritos na minha cabeça? PASSA! REMATA! CORRE! CUIDADO!


É como se estivessem comigo a cada toque na bola, a cada passo que dou no campo… e, de repente, quero fazer tudo ao mesmo tempo. No fim, acabo por errar — não porque não sei, mas porque sinto que estou a jogar não o meu jogo, mas o vosso.

Não sabes o quanto custou escrever estas linhas para ti, mas, depois do meu último jogo, sinto que cheguei ao limite. Preocupa-me que já não desfrute do futebol da mesma maneira… Quando perdemos, sinto que a derrota é mais tua do que minha; e quando ganhamos, também não a sinto como minha.

Pai, peço-te que me deixes jogar os meus jogos. Tu já jogaste os teus, e, se não o fizeste, a culpa não é minha. Não quero ser o reflexo das tuas frustrações.

Outro dia, vi-te furioso enquanto assistias a um jogo na televisão, porque um profissional reclamou ao árbitro e tu o insultaste… Mas fazes o mesmo nos meus jogos. É tão confuso que, às vezes, apanho-me a reclamar como os adultos, e assusta-me pensar que fico sentado no banco por copiar gestos que aprendo com vocês.

Só te peço uma coisa simples: antes de cada jogo, se achares que deves, dá-me os teus conselhos e, quando acabar, indica-me o que posso melhorar. Eu sei que sabes de futebol, e adoraria aprender contigo… mas fora do campo.

Deixa-me viver as minhas vitórias e também as minhas derrotas. Não me tires a criatividade: eu também sei resolver os problemas que os adversários me colocam. A tomada de decisão é minha, por favor!

E, por favor, pai, não me interpretes mal. Quero-te na bancada, junto da mamã, a animar-me com um "VAMOS!", "TU PODES!", "FORÇA!".

Porque, no fim, tudo o que preciso é do teu apoio, não da tua pressão.

Vitor Santos





Aquele jogador que todos os treinadores encontram

  Todo treinador encontra, mais cedo ou mais tarde, aquele jogador. Sabes perfeitamente qual é. Tecnicamente brilhante. Vê o jogo com uma cl...