Para educar o sonho, também precisamos de educar o olhar sobre quem garante a verdade desportiva: os árbitros.
No futebol de formação, muitos deles são jovens, tão jovens como os atletas que estão em campo, e merecem exatamente o que todos os jovens precisam: apoio, respeito e oportunidade para aprender.
Infelizmente, ainda vemos adultos, dirigentes, treinadores e pais, a transformarem o campo num espaço de insulto, confronto e descontrole emocional. Muitos nem dominam as regras, mas sentem-se no direito de hostilizar árbitros em formação. Estas atitudes afastam quem está a dar os primeiros passos, e muitos desistem antes mesmo de perceberem o potencial que têm.
É preciso lembrar: toda decisão de um árbitro é humana. Arbitrar não é carregar um apito; é interpretar um jogo feito de detalhes, imprevisibilidade e emoções. É tomar decisões em segundos, com coragem e responsabilidade. Errar faz parte deste processo, como faz parte da aprendizagem de qualquer atleta, treinador ou dirigente.
O problema agrava-se quando se transporta para o futebol jovem o ambiente de conflito e dramatização promovido pela televisão. Julga-se demasiado e compreende-se pouco. Exige-se perfeição a quem ainda está a aprender, quando o que se deveria exigir era respeito, apoio e serenidade.
Em qualquer competição, o árbitro é o primeiro garante da verdade desportiva. Que todos os outros agentes fossem tão responsáveis quanto se espera que seja um jovem árbitro.
Educar o sonho é isto:
— Ensinar que o respeito vem antes da vitória.
— Mostrar que o jogo é mais bonito quando todos compreendem o seu papel.
— Ajudar os jovens a crescerem sem medo, sem insultos, sem violência.
Mais civismo = mais árbitros = um desporto melhor para todos.
E este é um compromisso que começa... em cada um de nós.
Vitor Santos | Embaixador do PNED
